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16 ago 2021

Deus Pai, Deus Mãe: A Bela e Misteriosa Dança do Universo.

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DEUS PAI, DEUSA MÃE: A BELA E MISTERIOSA DANÇA DO UNIVERSO

Muitos de nós em nossa formação religiosa, aprendemos que Deus é Pai, é masculino, e isso advém de séculos de uma postura equivocada, muito influenciada por uma era essencialmente patriarcal – a Era de Peixes, que findou em 1.962.
Surge então no século XX o advento da Era de Aquário, possibilitando a ação das forças de Urano, seu planeta regente, nos impulsionando na busca profunda do Universo. Então aprendemos que Deus também é Mãe e que podemos buscá-la dentro de nós mesmos.
Dedicamo-nos a encontrar esse aspecto sagrado em nossas profundezas, mas, por força de nossa mecanicidade psicológica, e influenciados pela lei do pêndulo, saímos de uma postura extrema à outra, passando a ver Deus como Mãe em sua essência, sem compreender que o Creador não se divide e sim se manifesta na mais pura harmonia: portanto onde está o Pai, lá também estará a Mãe – eis o mistério do Pai – Mãe.
O Eterno Masculino de Deus e o Eterno Feminino de Deus são aspectos do mesmo Deus Imanifestado e Manifestado; o Yin e o Yang que se complementam, trabalham e cantam a música sublime da criação.
Samael Aun Weor nos ensina que o Eterno Feminino de Deus se manifesta em 5 aspectos Divinos, e em cada um deles lá também está o Pai, em sua beleza e força, lado a lado com sua divina amada para que a Obra se realize.
Se por um lado temos a Mãe Divina Cósmica, que representa a gravidade, a matéria, a Mater do Universo, por outro temos o Pai Cósmico que representa toda a expansão, irradiação e a energia do universo.
Se temos a Mãe Divina da Terra que é a Mãe Natureza, temos também o Pai Divino do Céu, o Pai Sol, o Pai da Luz, o Pai Irradiador que tudo nutre, pois Ele é o fogo do céu, penetrante, quente, e a Mãe Divina toda a água do planeta, dúctil, receptiva, adaptativa.
Se temos a Mãe Divina Interna, que nos acompanhada de instante a instante, é nossa confidente e amiga, nossa Mãe Cósmica Particular, também todos temos nosso Pai Interno Particular, nosso Pai Cósmico Particular, aquele que nos inspira: nosso herói divino.
Se temos a Mãe Morte, a grande transformadora que se expressa e age em todos os cosmos e mundos, que nos acompanha internamente nos processos pós-morte e em nossa morte mística (de nossos defeitos psicológicos), temos também nosso Pai Morte, que sempre acompanha a grande Mãe Morte, aquele que é nosso Kaom Interior, que representa a Lei dentro de nós, que coordena o trabalho dos Lipikas, registradores Celestes ou “Escrivães Internos” que anotam cada palavra e cada ação executada por nós. É nosso Pai quem nos julga internamente nos tribunais do karma, nos orientando nos processos de retorno, para ganharmos novo corpo físico. É Ele também quem nos dá o Donum Dei, a permissão divina para exercer o dom da alquimia, a permissão para construir os nossos corpos solares na magia do sexo amoroso e espiritual.
Se temos nossa Maga Elemental, a mãe que cuida de nossos processos energéticos internos, nossa bioquímica, nossa fisiologia, nossa libido, temos o nosso Pai Mago Elemental, sob a forma de nosso Intercessor Elemental, cuja função é permitir nosso contato mágico com a forças da Natureza Externa.  É o nosso Pai Elemental Intercessor quem possui o acesso direto com o hierarca de todas as estruturas elementais da natureza, o senhor Jeová. Ele é, portanto, sua representação dentro de nós. Ele, nosso Intercessor Elemental, também acessa todos os Devas ou chefes elementais da natureza.
Pai Interno e Mãe Interna, Pai Divino e Mãe divina, Eterno Masculino de Deus e Eterno Feminino de Deus, sempre agindo dentro de nós como um casal Divino, expressões que derivam de um só aspecto sagrado, uno, uni-total, e que para Crear se manifestam através de 2 polaridades:
Uma emissora, centrifuga, expansora – masculina
Outra receptora, centrípeta, interiorizante -feminina
Uma leva à matéria, à gravidade, atrai e une – feminina
Outra leva à energia, à expansão, irradia e dissemina – masculina
E todos esses aspectos, masculino e feminino, agem no mundo e em todos os cosmos através de suas 7 funções sagradas, em estrita obediência à Sagrada Lei do Heptaparaparshinock, a Lei Septenária que tudo organiza no cosmos.
Assim como as funções do Eterno Feminino de Deus estão ligadas à nutrição, à interiorização, à força centrípeta (para dentro), as funções do Eterno Masculino de Deus estão ligadas à expansão, ao movimento exterior, ligadas à irradiação ou às forças centrifugas, expansoras, emissoras do universo. Todas agindo e realizando o Eterno Movimento Cósmico – “O Santo OKIDANOCK”, a dança geratriz dos polos complementares tão bem expressada nos símbolos do Tao, da Cruz, da Estrela de Seis Pontas (dois triângulos entrecruzados), da runa Gibur nórdica etc.
O Eterno Feminino de Deus Gera, Gesta, Pare, Nutre, Educa, Mantém e Absorve, e
O Eterno Masculino de Deus Gera, Sustenta, Protege, Inspira, Treina, Ordena e Perdoa.

  • 1 – GERAR

Vamos imaginar os primeiros instantes da maravilha da criação do universo.
O instante inicial onde nada existia, somente o Deus desconhecido, o  Agnostostheos,
aquele que encerra todo poder, toda luz, toda escuridão, tudo que foi, é e será.
Surge então a primeira grande lei do universo que é a vontade de Deus de crear.
Nesse instante, esse creador se manifesta em Pai e Mãe.
A Mãe é a matéria primordial – o substrato, a Prákriti, já o Pai é a energia primordial, o Purusha,  todo movimento Cósmico.
E o amor que os une é o Espírito Santo Cósmico – o amor do filho, do Cristo, da vida, da união. Aquele que une – Aquele que constroi.
E é na conjunção perfeita do Pai Cósmico, da Mãe Cósmica e do Espírito Santo Cósmico que  o grande Pai exerce sua 1ª função sagrada: GERAR Gerar a vida no útero de sua amada, e assim crear tudo o que há no universo: os mundos, sóis, planetas, fazendo surgir a essência da lei do 3 , do Triamazikamno – que significa, o três criando através do amor.
E por correspondência no ser humano, assim como o óvulo na mulher aguarda a chegada do espermatozoide para que a geração se efetue, o Eterno Feminino de Deus, a Mãe Terra, a Mãe Planeta, aguarda os raios do Pai Sol para que a vida seja gerada em seu ventre (a Terra).
É lindo imaginar que no planeta Terra a função de GERAR do Eterno Masculino de Deus implica em irradiação, em movimento, em busca para encontrar o óvulo, este enorme globo azul de água, ar e minerais. Encontrar a Terra para o raio de Sol chegar e penetrá-la.
Permitir que o beijo de amor aconteça, como na fotossíntese nas plantas, quando a luz do Sol permite a produção de energia e oxigênio, fixando o carbono numa espetacular transmutação dos elementos. E sem este processo de luminosa fecundação da matéria úmida toda a cadeia de vida na Terra se extinguiria!
A geração no Eterno Masculino de Deus sempre está ligada à busca, comportamento que podemos constatar nos mitos, nas histórias através do arquétipo da caça, o arquétipo de sair de casa para buscar o alimento. Já à mulher, por sua função de nutriz, o arquétipo de aguardar o alimento trazido pelo macho, e assim exercer também sua função sagrada.

  • 2 – SUSTENTAR   

Assim como em sua segunda função a Mãe Divina Gesta, ou seja, prepara e faz crescer a cria em seu ventre, o Pai Divino tem como segunda função SUSTENTAR sua família, sua prole: trazer o alimento, trazer a luz do Sol, aquecer, trazer aquilo que a mãe precisa para gestar.
Ao gerar, todo pai sabe que cabe a Ele sustentar seu rebento, seu filho.
Apesar da vida se desenrolar no ventre da Mãe, o Pai, no seu sagrado ofício, trabalha constantemente para que a vida de seu filho seja provida de alimento físico e espiritual.
A luz do Sol busca a Terra, a penetra, e permite tanto o início da vida como o sustentar de toda existência. Eis aí o grande segredo da transubstanciação, quando o Pai Sol, o Cristo impregna sua energia sagrada no trigo e na uva para sustentar-nos em nosso caminho espiritual. Este é o vinho-de-luz da alquimia da vida.
Essa luz do Pai é o sustento energético, sem o qual nenhuma vida existiria, pois, essa é a luz da vida que permite a realização dos processos bioquímicos e fisiológicos em todo ser, e que vão ser processados pela Mãe na sua função de Gestar.
Da mesma forma é Ele que alimenta/sustenta os nossos processos espirituais sagrados que serão imprescindíveis para nosso crescimento interno.
Pai e Mãe são a unidade múltipla e perfeita, são o 2 em 1 e o 1 no Todo – no Nada (duo in uno – uno em nihilo, ensina o antigo ritual gnóstico), pois um não existe sem o outro. Eles coexistem em perfeição na dança da vida. Eis aí o Casal Divino!
O nosso alimento espiritual, que o Pai é responsável por trazer, está contido em nossos “gens” sagrados, em nossa Chispa Divina, onde vive a nossa tríade sagrada que nos aguarda e que nos chama.
É ela quem envia seu embaixador, a Budhata, a semente de alma, com o objetivo de nos lembrar a todo instante que somos reis e rainhas em potência, e que podemos retornar à casa de nosso Pai, bastando somente querer e nos revolucionar, como na parábola do filho pródigo.
Por isso é que o homem, o pai, deve sempre cuidar da mulher, a mãe, proporcionando alimento, proteção, e ajuda psicológica enquanto ela estiver gestando, para que nada falte para o equilíbrio de seu lar.

  • 3 – PROTEGER

Após Gestar, a Mãe Divina pare seus filhos, os traz à luz, os traz à existência. E, esse filho que veio à luz, precisa ser protegido.
É então ao Pai que cabe a responsabilidade de PROTEGER sua cria contra os perigos que o cercam.
Nosso Pai Divino, muitas vezes invocado através do Pai Nosso (“livrai-nos de todo mal”), nas Invocações de Salomão, nas Conjurações dos 7, realiza sua função sagrada, nos protegendo internamente.
O Pai Divino é Kether, é o Pai que está em tudo e que tudo vê.
Ele é nas palavras de Samael Aun Weor, “o oculto dos ocultos, a misericórdia das misericórdias, a bondade das bondades”.
Ele é o Ancião dos Dias, o primeiro sefirote da cabala de onde emanam todas as demais potências, e dessa forma exerce a proteção para todos os seus filhos, de toda criação, sendo Ele também o responsável por traçar seus caminhos e suas provas, que veremos na função de Treinar.

  • 4 – INSPIRAR VONTADE – VONTADE CONSCIENTE (THELEMA)

O Pai Divino também INSPIRA; é Ele que nos dá vontade consciente, Thelema.
Inspirar é respirar para dentro para buscar o impulso da vontade consciente.
É o Pai Inspirador que nos dá internamente a capacidade da ação, da vontade de ir para fora, para frente para cima. Mas sempre ancorados n’Ele.
Enquanto a Mãe Divina nos mantém na segurança do lar, na existência material, no equilíbrio da matéria, lutando para nos manter em seus processos, é o Pai Interno quem nos dá o impulso para buscar o novo, é Ele quem nos Inspira na vontade consciente – Thelema.
Nosso Pai nos inspira na vontade pelo trabalho divino, Ele é o impulso interno pela busca do divino, da felicidade.
Está escrito em Fogo e Luz nos Templos Internos: “amor é lei, porém amor consciente”.
Só quando levantarmos a 5ª serpente de fogo, do 5º corpo no plano causal (das causas naturais), é que adquiriremos a verdadeira vontade, a vontade consciente, que é uma dádiva de nosso Pai, e só assim poderemos realmente amar, vivenciar, experimentar o Cristo, o Senhor da Vontade e de todas as Causas.

  • 5 – TREINAR – INSPIRAR CORAGEM E FORÇA

Enquanto a Mãe Divina nos educa, nos orienta, o Pai Interno nos TREINA.
É dele o báculo de poder tão lindamente simbolizado no Arcano 9 do Livro de Thot, o Eremita em sua jornada iniciática no deserto da vida.
É o Pai Interno quem nos dá as provas, é Ele quem nos dá as circunstâncias para que possamos ser provados e possamos mudar de nível de Ser. E a Mãe nos ajuda nelas.
O Pai Divino é o nosso grande treinador, grande incentivador para que saiamos para o mundo, saiamos para a expansão, para as grandes descobertas.
E para isso necessitamos de coragem e força, que são frutos da fé consciente que só se adquire pelo trabalho consciente pela humanidade. Uma fé dinâmica, fruto do contato com as verdades internas.
Diz Uberto Rohden: “temos que nos divinizar para entrar no reino de deus”, ou seja, trabalhar sobre nós mesmos para acessar os mundos internos e poder ver a face de nosso Pai.
Nosso Pai traça o nosso caminho, mas é nossa Mãe quem tem a chave, o segredo desse labirinto. Nossa Mãe tem a função pedagógica de nos preparar para as provas que nosso Pai nos dará, sempre na medida certa…
Diz o livro de Thot em seu Arcano 7, a preparação para a luta interior iniciática: “Provas nos dá senhor, mas com elas, fortaleza”

  • 6 – DEFINIR O CAMINHO – ORDENAR (COLOCAR ORDEM PERFEITA)

A Mãe Divina mantém o lar, sustenta a natureza através da Sagrada Lei do Trogo-Auto-Ego-Crático-Cósmico Comum (alimentação recíproca dos mundos), mas é o Pai Interno quem coloca ordem em tudo, Ele é o responsável por ORDENAR essa natureza através da lei do 7, o Heptaparaparshinok, que significa “organização através do sete”.
Ele é o Grande Imperador Interior, o Grande Rei Interior, o Grande Ancião dos Dias, expresso no poder de nos ordenar, nos determinar as coisas, os caminhos e as ações que podemos e devemos seguir. Por isso devemos sempre obedecer ao que Ele determina, pois é Ele o grande Cosmo Organizador, quem coloca ordem em tudo no universo, e por ser perfeito, nos exige obediência e disciplina.
É o Pai quem traça, quem define nosso caminho interno, quem dispõe os instrumentos que devemos usar nessa trajetória pessoal e intransferível, como está simbolicamente exemplificado na lâmina 1 do livro de Thot – O Mago, o Sacerdote.
Devemos sempre fazer a vontade de nosso Pai, pois é Ele quem sabe qual o caminho a seguir e como é a melhor maneira de trilhá-lo. Ele conhece as potencialidades de seu filho e o momento certo de fazer o que deve ser feito, por isso ensinou Jesus “seja feita a Vossa Vontade, e não a minha”.

  • 7 – PERDOAR

A Mãe Divina tem a grande função de absorver ao final de todos os ciclos, de transformar a vida e nos acompanhar em nossos processos de crescimento e mudança.
E o Pai Interno, ao lado de sua amada eterna, tem o poder da doação, do PERDOAR, de anular as mágoas, de desfazer os vínculos cármicos, reflexo de seu aspecto de representante interno do Grande Tribunal de Osiris.
Per-doar significa doar por todos os lados, por todo o caminho, por todas as falhas, em todo o ciclo, como nas palavras “perímetro” e “percurso”. É amor e entrega uni totais, completos.
Só o Cristo e o Pai perdoam aqueles que fazem consciência de seus erros.
Perdoar significa ressurgir, renascer pela água e pelo fogo (Mãe e Pai).  Fazer ressurgir as virtudes do Ser através do perdão consciente, é função do Eterno Masculino de Deus.Nos ensina Samael Aun Weor que “ninguém chega ao Pai, senão pela Mãe”, pois somente juntos, Pai e Mãe, Eterno Feminino de Deus e Eterno Masculino de Deus transformam para crescer, mudar, evoluir, revolucionar.
Eles são o TAO, o Yin e o Yang que cantam e dançam a música perfeita da Criação.
Então, querido leitor e estimada leitora, vocês que têm o Pai-Mãe oficiando o ritual da vida em seu coração, que tal incorporarem em sua vida diária esses princípios universais do Eterno Masculino-Feminino de Deus?
Assim é possível vivermos com mais consciência, tolerância e amor por nossos pais e mães físicos, nossos irmãos e irmãs, nossos cônjuges (e ex também…), nossos filhos e filhas, amigos e amigas, colegas e companheiros de existência…
Afinal, todos estamos juntos nesta maravilhosa dança sagrada de nosso Pai-Mãe que chamamos de vida.

Heloisa Pereira Menezes é mãe, instrutora gnóstica, nutricionista e profissional de tecnologia logística