Matemática Sagrada: a Gnose nos Números e na Geometria

Matemática Sagrada: a Gnose nos Números e na Geometria

A Associação Gnóstica de Fortaleza (AGF) faz parte do Conselho Diretor da Academia Gnóstica Internacional (AGNI), organização composta por líderes gnósticos de vários países, todos com experiencia acadêmica universitária e décadas de pesquisas e ensino do gnosticismo moderno. Este artigo foi escrito por 4 instrutores da AGNI.

Preconceitos ligados à Matemática

A matemática talvez seja a disciplina mais injustiçada nas escolas, pois é grande o número de pessoas que pensam saber pouco, têm alguma resistência e às vezes até traumas com a ciência dos números.
Talvez por inabilidade na abordagem de alguns educadores, talvez pela falta de se demonstrar o profundo relacionamento que existe entre a matemática e outros saberes como biologia, arte, esportes, por exemplo, levou a maioria dos estudantes a terem mais afinidade com as ciências linguísticas, biológicas ou sociais (história, geografia etc.) do que com a ciência de Pitágoras.
Mas o fato é que a matemática está em tudo: em nosso corpo, em nosso metabolismo, em nossa tecnologia, nas manifestações da natureza, constituindo-se a ciência dos números um verdadeiro Código da Criação, uma linguagem comum entre os humanos e a natureza, a base da tecnologia humana (desde fazer fogo até ir à Lua), inclusive com muitos “números sagrados”, como veremos adiante.
Por utilizar com perfeição a lógica e a abstração, os resultados precisos e as previsões estatísticas, a matemática possibilita a construção da mas palpável ponte entre ciência e filosofia, ou ainda entre arte e mística (espiritualidade).
Quando uma pessoa compreende a profundidade e o alcance da matemática, então deixa de lado as dificuldades iniciais com fórmulas e teoremas, e aprende a saborear a filosofia das quantidades, vendo-a como a estética do número, o código da natureza, a linguagem de Deus, e assim os preconceitos começam a se desfazer.
Quando se chega neste estágio a dificuldade inicial com números e fórmulas se transforma na alegria de se compreender como Deus Geometriza em seu laboratório – a própria Natureza.

Vida, Vibrações, Geometria Sagrada e Matemática

A Gnose nos ensina que tudo que tem vida vibra, tem sua frequência, sua radiação emanadora ou receptora, sempre para se inteirar (compor conjunto) com outras fontes vibrantes. Esta é a vibrante e matemática Teia da Vida.
Vista matematicamente, até uma pedra tem vibração ou “vida física”, pois é constituída de subpartículas atômicas que estão vibrando a velocidade assombrosas.
Aprofundando essa ideia, a pedra parece densa para nós, mas na realidade ela é constituída de enormes espaços vazios, porém como a vibração de suas partículas é muito alta, o mineral adquire uma consolidação de matéria, de densidade.
É como quando olhamos um ventilador: se ele está parado vemos as pás e o espaço entre elas; se ele funciona a baixa velocidade vemos um círculo aparentemente compacto, mas que na realidade é uma ilusão causada por nossa visão (interação de velocidades entre nossa percepção visual e a velocidade de giro do ventilador); agora se o ventilador entra em alta velocidade as pás simplesmente somem, não as vemos, aparece um espaço vazio.
Nestes simples exemplos podemos entender a profunda relação que existe entre tudo o que vibra (o movimento do ventilador, em rotações por minuto), a geometria (as diferentes formas visíveis por nós quando as pás estão paradas, ou do círculo do ventilador a média velocidade, ou do “sumiço” das pás do ventilador a alta velocidade), tudo comandado pela interação entre números, traduzidos como as frequências (rotações por minuto) em que o ventilador gira e a percepção de nosso sistema visual (a quantidade de “quadros” ou fotografias que nossos olhos podem captar por segundo, transmitindo a imagem para nosso cérebro, para processamento).
Vida, vibrações, geometria sagrada, números, aparência, ilusão, abstrato, realidade, frequência, relatividade – todos conceitos matemáticos que podem ser retirados de seu “imperceptível estado do mundo das ideias” para nossa compreensão física e fenomenológica aqui, no mundo físico. Isso é Sabedoria, Gnose.
Síntese: a matemática é a linguagem oculta da vida e das nossas percepções humanas sobre ela.

Cabala e Matemática

A Cabala, como cita Eliphas Levi em seu O Livro dos Esplendores, “poderia ser chamada de matemática do pensamento humano. Ela é a álgebra da fé (…). Resolve todos os problemas da alma com suas emoções, esclarecendo as incógnitas.”
Levi também anota que “A Cabala tem a sua geometria ideal, a sua álgebra filosófica e a sua trigonometria analógica”.
Referindo-se ao livro de Enoque – um antiquíssimo apócrifo hebraico, afirma o abade francês que “Dessa forma, a tradição aparece em seu nobre sentido de coragem, cativando o coração do homem, bem como a lei eterna que regula a expansão infinita, os números na imensidão e a imensidão nos números, poesia em matemática e matemática em poesia.”
A Cabala é um dos ramos místico-filosóficos que pode ser expresso através da sabedoria matemática (Gnose dos Números).
Qualquer pessoa que estude profundamente a Cabala e compreenda as leis de manifestação contidas na Árvore da Vida e suas Sephiroths poderá começar a estudar Matemática Mística.
Livros tradicionais e milenares de Cabala, como o Zohar e o Sepher Yetzirá, por exemplo, são ricos em relações entre a Criação, o Verbo, o Número e a Forma (letra), já ensinando como o Verbo Geometriza (dá forma) através do Número.

Matemática como criação divina

Samael Aun Weor, sábio gnóstico contemporâneo, ensina em sua obra Tarot e Cabala: “O Universo é feito com a Lei do Número, da Medida e do Peso; a matemática forma o Universo, os números tornam-se entidades vivas.”
De acordo com Samael, “Deus é um geômetra para os gnósticos. A matemática é sagrada. Na escola de Pitágoras não era admitido ninguém que não soubesse matemática, música etc.”. Arremata o releitor da Gnose contemporânea: “O mundo da matemática é o mundo de Atman (espírito mais elevado)”.
Portanto, devemos estudar Pitágoras e reconhecer que Deus, os Elohim ou cosmocratores, em geral, são grandes matemáticos realizadores.
Nesse sentido, há outras referências valiosas, dentre as quais podemos acrescentar a sabedoria de antigos rituais gnósticos que ensina:
“Deus é a chama que crepita em tudo, a geometria vivificante de tudo. Por isso o número é Santo, é Infinito, é Eterno. Ali onde ELE reside não há diferenças, a Variedade é a Unidade.”
Há um relato de várias fontes que faz parte do enorme acervo de “lendas urbanas” associadas ao mestre gnóstico Samael Aun Weor, lá pelos idos de 1970: conta-se que um de seus alunos mais próximos estudava engenharia e lhe disse que não conseguia entender um tema de matemática típico de sua carreira universitária. Samael, ao ouvir a dificuldade do estudante gnóstico, deu a ele e a outros uma profunda aula de matemática inteira, com equações e tudo. E o melhor, o sábio gnóstico explicou a eles que essas equações surgem no mundo causal, do mundo das causas, da Vontade Divina. Explicamos: pessoas que desenvolvem suas capacidades intuitivas superiores, que visitam à vontade o mundo das causas naturais, o ambiente dos arquétipos, têm muita intimidade com a matemática.
Um exemplo claro de que os números podem ser vistos como entidades sagradas e deuses vivos encontra-se nos famosos “quadrados mágicos” (série de números dispostos em forma de quadrado, com igual número de linhas e colunas, na qual a soma em qualquer direção e sentido dá sempre o mesmo resultado). Utilizados na Astroteurgia Gnóstica, eles têm sido objeto de estudo ao longo da história da humanidade, em todos os tempos e culturas do mundo.
Há evidências de que os sacerdotes egípcios usaram os quadrados mágicos para prever o futuro e na China, no ano 2.200 a.C., o imperador Shu viu o quadrado mágico 3×3 em uma carapaça de tartaruga no rio Lo.
Há muita literatura mostrando que Apolônio de Tiana utilizou Os Quadriláteros Perfeitos, assim como Cornélio Agripa e Paracelso, dentre outros.
Atualmente, nas escolas primárias e secundárias, são recomendados como recursos didáticos de cálculo.
Da mesma forma, um lugar especial merece a Geometria da Natureza ou Geometria Sagrada, associada aos grandes construtores de pirâmides e catedrais e à arte em geral.
O estudo do número áureo, da proporção áurea, da sequência de Fibonacci, dos fractais e da simetria bilateral na Natureza confirmam que a Matemática não é uma ciência criada pelos seres humanos, como muitos sustentam no materialismo científico. Como muitas das maravilhas da natureza, não se trata de uma criação humana, mas sim de uma descoberta da humanidade.
Outro exemplo interessante pode ser encontrado na necessária correspondência que deve ser feita entre música e matemática.
O estudo da lei da oitava não é completamente compreendido sem a matemática e a ciência das vibrações.
Isso nos leva a entender que não apenas as leis do Três e do Sete são matemáticas, mas as famosas 48 Leis que regem o mundo físico (estudadas pela Gnose Moderna) estão sujeitas a princípios matemáticos, como as leis do ritmo, do retorno, da recorrência e do julgamento dos desencarnados, entre outras, através dos Axiomas do Número, do Peso e da Medida.
Além disso, os ensinamentos Samaelianos indicam que a própria morte física (ou novo nascimento, se encarado do outro lado da “equação”) é uma operação matemática que considera duas parcelas: (I) os valores positivos (virtudes ou darmas) e negativos (defeitos ou karmas) com os quais nascemos; (II) acrescidos ou decrescidos da parcela de nossas ações ao longo da vida. Entretanto, os valores liberados na morte mística (eliminação do ego e afloramento de virtudes) são positivos, enquanto a morte física deve ser considerada como uma subtração matemática.
O estudo da Astrologia Hermética não poderia ser realizado na ausência de princípios astronômicos e astrofísicos, não sendo possível negar que a Astronomia e a Astrofísica, sem dúvida, dependem inteiramente da matemática.

Matemática, Tecnologia e Desenvolvimento de Potencialidades Humanas

Aprofundando ainda mais e explorando agora um sentido prático da ciência-filosofia-arte-mística dos números, é sabido que a matemática tem aplicações científicas (engenharia, tecnologia, medicina etc.) e também usos financeiros (mercado, ações, investimento, estudos de viabilidade econômica e financeira de projetos de infraestrutura), no caso da matemática aplicada.
Quando se estuda a matemática aplicada em seus detalhes – algo que poucas pessoas fazem, simplesmente por falta de afinidade ou por não conhecerem a linguagem e as ferramentas da matemática – vemos como a matemática vai além dos números e das fórmulas, pois relaciona coisas abstratas com o conhecimento concreto.
Entre outras coisas, a matemática aplicada, muitas vezes embasada na matemática pura, estuda números, formas, magnitudes e possibilidades.
Cada ferramenta matemática listada abaixo, por exemplo, se estudada, compreendida, aplicada e meditada, fornece extensos ensinamentos gnósticos e “insights” que vão muito além da mera racionalidade, pois resultam em princípios filosóficos, místicos e até espirituais:

  • Cálculos infinitesimais (diferenciais e integrais): amplamente utilizados em física e engenharia, para estudar como as grandezas físicas variam e se acumulam. Quando há movimento ou crescimento em que atuam variáveis ​​que produzem por exemplo a aceleração dos corpos, a matemática a ser utilizada é o cálculo infinitesimal.
  • Operadores de geometria vetorial como Gradiente, Divergente, Rotacional e Laplaciano, amplamente utilizados no estudo de ondas eletromagnéticas e irradiação (propagação) em geral.
  • Álgebra Booleana (base de toda lógica digital, dos computadores, da Inteligência Artificial) e Álgebra Matricial (base da matemática transfinita, que admite infinitas dimensões matemáticas).
  • Cálculos Estatísticos, base da ciência que prevê o clima, o mercado, as nações, as populações etc., que também sustenta toda a Futurologia Científica.
  • Cálculos financeiros, que são utilizados para verificar a viabilidade de um projeto com suas variáveis ​​de risco, receitas esperadas e custo de financiamento ao longo do tempo. Com essas informações são definidos parâmetros importantes para tomada de decisão quanto a um negócio/empreendimento/investimento, como a taxa interna de retorno do investimento, a depreciação do ativo imobilizado e o cálculo do valor presente líquido ou valor presente. Sem a matemática aplicada às finanças não seria possível saber se um projeto ou investimento é viável ou não.
  • Os números sagrados utilizados nas artes e que estão presentes em todo o universo, desde a hélice do DNA até as galáxias espirais, como Pi (3,1416), Fi ou seção áurea (1,618) e o número de Neper (base logarítmica 2,718).

E a matemática vai mais além, pois ela é a base do desenvolvimento tecnológico e científico da humanidade. A ciência dos números permitiu ao ser humano compreender os fenômenos da Natureza e do Cosmos, para que ele utilizasse as forças e leis da natureza a seu favor.
Porém, é importante esclarecer que quando o ser humano consegue verificar os fenômenos que observa com suas equações, não inventa leis, apenas as descobre.
As chamadas leis de Newton e de Kepler, entre outras, são demonstrações matemáticas relativamente recentes, que explicam por que o Universo é como é. Usando cálculos de expansão do Universo, as estimativas atuais indicam que o Cosmo físico (pelo menos nesta última manifestação do Big-Bang) tem cerca de 14 bilhões de anos.
Recentemente, a matemática aplicada à física de partículas levou a um modelo de Universo em que tudo se reduz a “cordas” vibrando intensamente e aglutinando-se entre si.
Na física quântica, as equações matemáticas têm solução se partirmos do princípio da simetria universal e de um espaço multidimensional com 10 níveis ou cordas. Simetria sagrada: a moderna física quântica fala em 10 vibrações ou cordas; a cabala nos ensina os 10 Sephirotes ou Esferas Divinas; o ser humano tem 10 dedos nas mãos e nos pés.
Em suma (que se origina de soma, resultado, conceito elevado, ideia final): o universo foi revelado aos seres humanos com a complexidade e simplicidade das fórmulas matemáticas.
Por isso, o velho e intuitivo Galileu Galilei afirmou: “A matemática é a linguagem com a qual Deus escreveu o Universo”.

Matemática e Filosofia Gnóstica

É extraordinário o estudo da filosofia da matemática e sua aplicação espiritual, com base na recomendação de Samael Aun Weor de “meditar sobre fórmulas físicas”.
Um exemplo disso é o estudo da segunda lei de Newton, que se resume na fórmula: F= (m)x(a), que, em palavras, pode ser definida assim: “para uma massa entrar em movimento acelerado é necessária a aplicação de uma força”.
Reflita um pouco caro leitor, dentro de você, em sua psicologia, em seu caminho espiritual: o que seriam essa “força”, essa “massa” e essa “aceleração ou crescimento da velocidade” ?
Cita também o mestre gnóstico da atualidade a famosa equação da relatividade de Einstein: E = (m)x(c2), equivalente a afirmar que: “a energia contida numa quantidade de massa pode ser expressa ao se considerar a velocidade da luz ao quadrado, ou seja, aplicado em duas oitavas sobre si mesma”. Novamente sugerimos uma reflexão íntima: como você pode elevar suas vibrações, a partir de seu corpo físico ? O que é, dentro de você, esta luz aplicada ao quadrado, ou em duas direções dimensionais ortogonais ?
Ao vislumbrarmos as conclusões filosóficas profundas advindas de fórmulas matemáticas, entendemos porque Samael ensina que “o número é sagrado, é infinito, é eterno”, e que podemos ver os números como entidades sagradas, deuses vivos.
Portanto, a matemática, como ciência que constrói uma ponte entre a filosofia e a mística, incluindo o estudo estético na música e nas artes (a seção áurea, a lei das oitavas), sintetiza a Gnose em seus quatro pilares (ciência, filosofia, arte e mística).
Seria muito longo descrever a profunda filosofia e mística contidas em entes matemáticos elevados como postulados (premissas), teoremas (afirmações comprovadas) e axiomas (verdades universalmente aceitas), mas em todos eles há profunda sabedoria gnóstica.
Não é surpreendente, portanto, que alguns dos filósofos mais profundos e eternizados da humanidade, como Fo-Ji (I-Ching), os fabulosos hindus védicos, os maias, os egípcios e os gregos, só para citar alguns, sempre tenham trabalhado com a união perfeita entre a Matemática e a Filosofia.
Sergio Linke, instrutor da Associação Gnóstica de Fortaleza, Brasil, ilustrando essa ideia afirma que “o artista tem uma matemática intuitiva em seu profundo sentido estético; o filósofo usa matemática reflexiva quando conjectura sobre o abstrato das verdades universais; o místico saboreia os números e formas geométricas nas inúmeras manifestações perfeitas da Natureza e, claro, o cientista tem os números como ferramenta do seu dia a dia.”
Samael Aun Weor coloca ainda profundos conceitos matemático-filosóficos em sua Gnose, como o Nihilo Imanifesto (lei do zero), o Uno Emanador (lei do 1), o Duo Manifestador, o 3 Criador (lei de Triamazikamno), o 7 Organizador (lei de Heptaparaparshinock) e o Infinito, como o Sagrado Sol Abstrato Absoluto, que se funde com o zero, em uma espiral divina de absorção e de emanação – isso é matemática pura e transfinita. Novamente a Gnose das Leis Transfinitas.
Nessas conexões entre Matemática e Filosofia, é necessário especificar que a Dialética Gnóstica enfatiza a necessidade de se encontrar a síntese, o ponto médio, a não dualidade de qualquer conflito característico deste mundo de polaridades, para escapar da perigosa “heresia (dogma ) de separatividade”.
É urgente aprender a refletir e utilizar a terceira força (nem tese, nem antítese, mas sim síntese), o chamado “Zero Inicial” ou “Vazio Iluminador” da filosofia gnóstica, ou ainda o “Caminho do Meio” de Buda.
Por isso Samael sintetiza: “A ação lacônica do Ser, como manifestação concisa, é o movimento que o Real Ser de cada um de nós (o Íntimo) realiza de forma sintética, matemática e exata como uma mesa pitagórica”.

A Intuição Matemática

Mais pérolas de sabedoria samaeliana: “o mundo das intuições é o mundo da matemática”, “as fórmulas matemáticas conferem conhecimento intuitivo” e “quem quiser despertar a intuição deve estudar Física e Matemática.”
“O gnóstico que quiser ascender ao mundo da intuição deve ser matemático, ou pelo menos ter noções de aritmética. As fórmulas matemáticas conferem conhecimento intuitivo. As fórmulas de Kepler e Newton podem ser usadas para nos exercitar no desenvolvimento do conhecimento intuitivo.”
Dentre as grandes escolas matemáticas estão os logicistas, por um lado, e os intuicionistas, por outro. Isto é, há matemáticos que fazem matemática utilizando o método dedutivo, análise e raciocínio lógico. Outros matemáticos fazem matemática intuitiva.
Um exemplo disso é encontrado no filme “O Homem que Conheceu o Infinito”, a história de Srinivasa Ramanujan, um matemático indiano que, devido às suas habilidades surpreendentes, estudou em Cambridge e se tornou membro da Sociedade Matemática de Londres.
Há mais de 100 anos, o sábio hindu chegou a diversos resultados que até hoje são conhecidos como Matemática de Ramanujan, especialmente nas áreas de análise matemática, teoria dos números, séries infinitas e frações continuadas. Ele também foi autor de trabalhos usados até hoje para o âmbito da medicina do câncer e da informática (nascente na época), que redundam atualmente na Inteligência Artificial.
Porém, não podemos esquecer que, para ascender ao conhecimento intuitivo, a didática ensina primeiro a alcançar o conhecimento pela inspiração e, previamente, o conhecimento pela imaginação.
Segundo a definição tradicional de Gnose encontrada nos dicionários, como “conhecimento intuitivo das coisas divinas”, o tipo de intuição privilegiada nos estudos gnósticos é aquele que nos permite compreender a realidade suprema.
Entretanto, num sentido mais amplo, a intuição, juntamente com a inspiração e a imaginação, constituem três tipos de conhecimento superior que são atualmente reconhecidos como indispensáveis ​​para a formação de “soft-skills” (competências pessoais) em profissionais e gestores de empresas contemporâneas.
Os relâmpagos intuitivos são sintéticos. A intuição é a chave para uma tomada de decisão rápida. Às vezes, a decisão tomada é uma espécie de arrebatamento (revelação inesperada), como acontece com grandes enxadristas em suas tentativas de vitória.
Grandes jogadores de xadrez intuitivos têm a capacidade de encontrar a melhor opção prática sem consumir muito tempo em cálculos e, portanto, no relógio. Assim, para Garri Kasparov, várias vezes campeão mundial de xadrez, a experiência e a intuição são tão importantes quanto a capacidade de analisar os fatos. A intuição não apenas nos diz o que e como, mas também quando.
Além da imaginação e da inspiração, podemos alcançar o ápice da intuição criativa. A intuição é algo diferente da análise lógica. A intuição é a capacidade de conhecer, compreender ou perceber algo de forma clara e imediata, sem a intervenção do intelecto, sem a necessidade de realizar raciocínios complexos.
A intuição é uma habilidade cognitiva que não requer o uso da lógica, uma vez que a lógica humana, tal como a conhecemos, é dualista, baseia-se na luta dos opostos.
Como exemplos de conceitos dualistas temos bem e mal, certo e errado, rico e pobre, alto e baixo, meu e seu.
Ou seja, a lógica, como característica do pensamento vertical e focal, separa, divide, classifica, dá o termo “razão” que significa divisão. A lógica analisa, quebra (divide).
Complementarmente, a intuição, como característica do pensamento expansivo e sistêmico, unifica, reorganiza. A intuição sintetiza (integra).
Em termos filosóficos, especificamente relacionados com a Gnoseologia ou Teoria do Conhecimento, é necessário um pensamento monista e holístico, que permita o acesso à intuição.
Monismo é a doutrina filosófica que sustenta que a matéria e o espírito, o físico e o psíquico, como aspectos da realidade, são idênticos em sua essência, ou seja, que a realidade última é composta inteiramente de uma única substância. No campo religioso, ele será a divindade suprema. Para os gregos, essa substância primordial era chamada de Arché ou Arké. Para os hindus, é Akasha.
Uma intuição é uma ideia que possui as duas propriedades fundamentais de uma realidade concreta e objetivamente dada: imediatismo (evidência intrínseca) e certeza (não uma certeza convencional formal, mas uma certeza imanente e praticamente significativa).
Em entrevista à BBC Mundo, o ganhador do Prêmio Nobel de Física, James Peebles, explicou que formulou em 1982 a teoria da matéria escura porque é simples e direta, oriunda de pura intuição.
E ainda assim, essas informações tão amplas e ricas sobre as bases científicas da matemática como origem e suporte de tudo, podem parecer incompreensíveis para um cidadão reflexivo comum, dada a complexidade do raciocínio, dos termos e das fórmulas.
A boa pista para sair deste labirinto é dada por Samael Aun Weor: use sua intuição, querido leitor.
Samael ensina um exercício para “afinar o coração” e despertar a faculdade da intuição: a prática gnóstica mântrica de vocalização da vogal O. O praticante deve se concentrar no coração, vocalizando e alongando o som, assim: OOOOOOOOOOOOOOOOOOO. Haverá resultado se a prática for executada de forma consciente e constante, pelo menos uma hora por dia e durante pelo menos um ano.
Ao despertar o poder da intuição, você será um aluno melhor, um notável explorador do seu próprio mundo interior, com capacidade excepcional de ler e compreender a natureza dos números e sua expressão na matemática.

Além de Euclides

Exemplos muito ilustrativos da concepção geométrica do mundo encontram-se na obra O Livro Amarelo, em que Samael Aun Weor transcende os postulados da Geometria de Euclides, com base em princípios já reconhecidos desde o início do século XX pelas geometrias não euclidianas.
Sobre esses princípios, com a síntese conceitual que o caracteriza, cita Samael: “O paralelo único não existe. O espaço tridimensional absoluto e dogmático do geômetra Euclides é improvável e falso.” Neste livro o mestre gnóstico Samael explica, entre outros elementos matemáticos interessantes, que o espaço é multidimensional e que a quarta dimensão é hiperespacial, o que podemos e devemos relacionar com ondas eletromagnéticas e, mais modernamente, até com a relatividade e a física quântica.
Em relação à quarta dimensão, reconhecida pelos físicos desde o início do século XX, em seu livro O Parsifal Revelado, Samael coloca a frase nos lábios de Gurnemanz: “O tempo é espaço aqui”. Já no livro O Cristo Social, Samael aborda a questão dos hipersólidos ou corpos quadridimensionais. Explica também que os fenômenos da Natureza se processam dentro dos conceitos de tempo, espaço e movimento.
O espaço é multidimensional. No entanto, percebemos o mundo de acordo com nosso sentido espacial. Percebemos o espaço tridimensional, ou seja, observamos linhas, planos e sólidos. Com o sentido espacial desenvolvido, poderíamos perceber a quarta, a quinta ou até a sexta dimensão.

A lógica superior

Na Mensagem de Natal 1967-68, intitulada Os Corpos Solares, Samael aborda o tema da matemática transfinita desenvolvida por George Cantor que, para esse fim, juntamente com a análise da multidimensionalidade do espaço e da lógica superior, nos recomenda a prestar muita atenção a Pedro Ouspensky, especialmente às suas obras Um Novo Modelo do Universo e O Tertium organum.
Nesta obra, o gênio gnóstico contemporâneo Samael parte da lógica dedutiva para nos levar à lógica superior, ao terceiro cânone do pensamento ou tertium organum. Existem três métodos diferentes: os dois primeiros são dedução e indução; mas o terceiro existiu antes dos outros dois.
Essa lógica que surge ao colocarmos sabiamente a parte superior do centro intelectual a serviço do coração, tem seus próprios axiomas, como os seguintes, citados por Samael Aun Weor: “Tomando os axiomas de Aristóteles como modelo, poderíamos expressar de forma inteligente o principal axioma da lógica superior da seguinte forma: ‘A é A e não A’. ‘Tudo é A e não-A.’ A fórmula lógica: A é A e não A, corresponde a uma certa fórmula matemática transfinita que diz: ‘uma grandeza pode ser maior ou menor que ela mesma’ ”.

Conclusões

O conjunto de relações que poderíamos fazer entre a Gnose e a Matemática é inumerável.
É impressionante, como vimos, a maneira com que a Filosofia dos Números se entrelaça com a Ciência da Quantidade, a Arte da Geometria Sagrada e a Mística do Uni-Verso-Criador.
Este mistério em muitas épocas foi altamente iniciático e sua divulgação a externos era até punido com a morte.
Mas nos atrevemos a afirmar que este segredo continua sendo reservado somente aos “eleitos”, mas agora num sentido mais amplo: àqueles que se auto-elegeram para investigar os belíssimos tesouros da ciência-filosofia-arte-mística chamada de Matemática.
Você agora é chamado a adentrar este maravilhoso Vestíbulo do Sagrado Templo dos Números, querido leitor, interessada leitora. As condições são:

  • Estude a matemática sem preconceitos e com leveza, como se nunca a tivesse visto;
  • Aguce sua Intuição criadora, nutrindo a imaginação e a inspiração, como ensina a Gnose de Samael Aun Weor. Meditação Serena Profunda é o caminho;
  • Não use somente a mente e o raciocínio para chegar às conclusões; a matemática é uma musa muito exigente. Para ser conquistada presenteie-a com emoção, carinho, amor. Coração e intuição são as joias que Ela mais aprecia;
  • Trabalhe intensamente com a Psicologia do Despertar da Consciência, para manter a mente límpida e fluente. Que teu pensamento seja um instrumento não nas mãos do ego, mas sim do Íntimo, do Ser, da tua Sagrada Mônada Imortal.

Este foram passos percorridos por gênios como Pitágoras, Hipátia de Alexandria, Al-Kwarismi, Fibonacci, Elena Piscopia, Kepler, Caroline Herschel, Newton, Leibniz, Gauss, Sofya Kovaleskaya, Ramanujan, Maryam Mirzakhani.
Portanto, agora fazemos este convite a você, querido leitor, estimada leitora, para que se motive e comece a saborear as maravilhosas interrogações que a abstração dos números nos evoca no infinito de nossas almas.
Nossa Alma é uma fagulha do Divino; e eles se comunicam por matemática !

Academia Gnóstica Internacional, agosto de 2024: Fernando Navarro (México),
Gerardo Aldana (Colômbia), Jorge Galindo (Guatemala) e Sergio Linke (Brasil).

Karma Não, Amorosa Justiça: Um Caminho Gnóstico para a Libertação da Roda De Samsara

KARMA NÃO, AMOROSA JUSTIÇA:UM CAMINHO GNÓSTICO PARA A LIBERTAÇÃO DA RODA DE SAMSARA A busca pela compreensão das leis cósmicas é um dos aspectos mais profundos da jornada espiritual humana. No cerne desses ensinamentos está a Lei do Karma-Darma, um conceito que oferece uma perspectiva transformadora sobre o ciclo de nascimentos e renascimentos, conhecido como a Roda de Samsara. Este texto busca explorar como o entendimento e aplicação dessas leis, aliados ao uso consciente do livre-arbítrio, podem conduzir à libertação e ao equilíbrio espiritual. O Karma, derivado do sânscrito, refere-se a uma lei universal de causa e efeito. Cada ação gera uma reação – como já dizia o famoso físico Isaac Newton – e os efeitos de nossas ações se refletem em nossa vida presente e futura. Em contrapartida, o Darma representa os méritos ou créditos espirituais acumulados por meio de boas ações e do cumprimento de um propósito alinhado com as leis cósmicas. Na visão gnóstica apresentada por Samael Aun Weor, o Karma não é uma sentença irrevogável, mas um mecanismo de aprendizado e ajuste. Compreender o Karma como um processo negociável e dinâmico desafia a percepção comum de um destino imutável, apresentando-o como uma oportunidade de retificação e crescimento pessoal e espiritual. O uso consciente do livre-arbítrio é indispensável ao se trabalhar com as leis do Karma e Darma. A prática do livre-arbítrio permite que cada indivíduo escolha seus caminhos de ação e resposta, promovendo uma responsabilidade ativa pelas consequências de suas escolhas. Esta abordagem destaca a importância de cultivar uma consciência desperta, onde o arrependimento sincero e a eliminação de traços desarmônicos, como o ego (defeitos psicológicos como os desejos, os medos, os apegos, orgulho, ira etc), tornam-se passos cruciais para a transcendência dos ciclos cármicos. A Roda de Samsara, conforme descrita nas tradições orientais, representa o ciclo contínuo de nascimento, morte e renascimento. Estar preso a este ciclo simboliza uma consciência refém de desejos e apegos mundanos. No entanto, aqueles que compreendem e praticam as leis do Karma-Darma com sabedoria não permanecem mais enredados nessas amarras. A libertação da Roda de Samsara não está simplesmente ligada à devoção religiosa ou à crença em figuras espirituais como Jesus ou Buda para a anulação das dívidas kármicas, através da famosa, cômoda e enganosa remissão dos pecados sem ação profunda e consciente do pecador. Em vez disso, requer-se um trabalho interior profundo, englobando arrependimento genuíno, aprendizado contínuo e transformação dos elementos internos que perpetuam o sofrimento. Essencialmente, é preciso reparar ativamente qualquer dano causado, tanto a outras pessoas quanto à natureza, de forma consciente e respeitosa. Samael Aun Weor apresenta a ideia de que o Karma é negociável, permitindo modificações e ajustes antes que os efeitos negativos se manifestem plenamente. É como uma dívida no banco: você toma consciência dela, a negocia, paga e evita que o oficial de justiça venha cobrá-la em alguns meses… Este conceito é destacado no livro “Além da Morte”, onde o autor explica que o karma pode ser alterado através de ações positivas e do serviço à humanidade. A moeda nessas negociações é o Darma – os créditos espirituais gerados por boas ações exemplares. O único tipo de karma que não é negociável é o “karma duro”, que se refere a dívidas extremamente severas, como seria o caso de ações com impactos universais – grandes fascínoras da humanidade. Na visão gnóstica, a Justiça Divina é flexível, capaz de reconhecer sinceras transformações interiores e atitudes de reconciliação. Ao contrário de um julgamento inflexível, os Tribunais Superiores da Lei Cósmica avaliam as intenções e esforços autênticos em realizar mudanças pessoais e coletivas. Aliás, este conceito converge completamente com as tradições cabalísticas antigas, como no Zohar, onde a coluna do templo da harmonia universal tem duas colunas de entrada, uma de Justiça (severidade, cobrança aos que erraram), e outra de Misericórdia (amor, flexibilidade, negociação, ação consciente aos que se arrependeram e repararam os danos). Concluímos, portanto, afirmando que a jornada para a libertação da Roda de Samsara é, em essência, um trabalho de transformação individual e espiritual. Ela requer que deixemos de lado o egoísmo, pratiquemos o perdão e façamos o bem, tanto para nós mesmos quanto para os outros. Compreender e aplicar a Lei do Karma-Darma nos convida a uma vida de consciência mais desperta, na qual cada um de nós tem o poder de escrever seu destino com mãos compassivas e justas. Transformar-se é, acima de tudo, um ato de amor e coragem, que nos desafia a ir além dos nossos limites e caminhar rumo a um entendimento mais profundo e libertador do nosso ser. Por isso sintetiza um antigo ritual de Sabedoria Gnóstica, referindo à Lei Divina:“Amor é Lei, porém Amor Consciente”. Andressa Paula Angonese é empresária e instrutora gnóstica em Erechim-RS

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Onirologia e Projeção Astral à Luz da Gnose: Ferramentas Práticas de Autotransformação

ONIROLOGIA E PROJEÇÃO ASTRAL À LUZ DA GNOSE:FERRAMENTAS PRÁTICAS DE AUTOTRANSFORMAÇÃO Contemporaneamente, enquanto a neurociência e a medicina do sono se debruçam sobre os mecanismos fisiológicos e as fases bioelétricas do cérebro — como o ciclo REM —, e a psicanálise de Freud e Jung busca decifrar as linguagens do inconsciente através de desejos reprimidos ou compensações simbólicas, a sabedoria gnóstica de Samael Aun Weor surge para ampliar significativamente estes horizontes.   Samael, como filósofo reestruturador da Gnose moderna em seus mais de 80 livros, baseado nas antigas tradições de sabedoria (gnosis) de vários povos, relatadas em livros sagrados, nos relembra que o sono e os sonhos podem ser importantes eventos psíquicos e espirituais, tal como atestam tantas aparições sacralizadas, ordens divinas, orientações do alto, visões, êxtases, viagens pelos céus, monges que voam, místicos que desaparecem e aparecem em outros lugares, sonhos proféticos e tantos outros. Sob a óptica da Gnose moderna, o sonho assume um estágio de uma autêntica experiência mística e de uma realidade objetiva da alma nas dimensões sutis da natureza. Liderada pelas diretrizes contemporâneas de Samael Aun Weor, a Onirologia Gnóstica defende que o conteúdo processado durante o sono provém dos Centros Biopsicofisiológicos do ser humano constituindo uma valiosa ferramenta para o trabalho de autoconhecimento e de transformação interior. Todavia, num cenário social marcado por crescentes distúrbios psíquicos e degradação da qualidade de vida, o ser humano perdeu a capacidade de se recordar e de interpretar estas vivências de forma lúcida. Enquanto algumas correntes científicas definem os sonhos como meros subprodutos de reações bioquímicas e impulsos elétricos — reflexos de nossas memórias e vivências diárias —, outras os interpretam como manifestações psicológicas profundas, moldadas por nossos desejos, repressões e pela estrutura da nossa personalidade. A Gnose, contudo, amplia esse horizonte: embora reconheça essas perspectivas, ela propõe que o sonho pode ser também uma experiência mística. Nela, a consciência desperta e explora livremente as dimensões sutis da natureza.    Para a Gnose, os sonhos servem a diferentes propósitos: podem ser um processo de digestão da psique pelo Ego, ressonâncias do estado presente (desejos e fantasias) ou, ainda, o reflexo de inquietações sobre o futuro.  A Gnose nos ensina técnicas assertivas e profundas que nos permitem avançar no estudo dos sonhos, constatando que eles são ferramentas reais que podemos utilizar para o trabalho de transformação interior. Por isso que nas escolas de gnose são ensinadas as precisas e antiquíssimas técnicas da Yoga Tibetana do Sono, com seus 9 passos, para nos permitir lembrar dos sonhos, fazê-los conscientes e positivos, entender sua simbologia e relacioná-los com nossa vida. Na perspectiva gnóstica, compreendemos que os sonhos podem se manifestar de três formas: como realidade objetiva, na qual o sonhador de fato vivencia situações nos planos sutis; como mera fantasia, assemelhando-se a uma alucinação projetada pela própria mente; ou como uma mistura de ambos. Esta última categoria é, inclusive, a mais frequente, onde a percepção alterna entre a vivência real nos planos superiores e as projeções da fantasia individual. Como extensão da prática do Sonho Consciente e da Yoga dos Sonhos, temos a projeção astral que é o desdobramento natural dos corpos sutis em relação ao corpo físico durante o sono. Esse fenômeno ocorre todas as vezes que dormimos com todas as pessoas: quando acontece de forma inconsciente, manifesta-se como sonhos; quando realizado com lucidez e técnica, caracteriza o desdobramento astral consciente. Ao dormirmos, os corpos sutis e seus valores psíquicos (alma e ego) se projetam para as dimensões sutis, possibilitando que o corpo etérico restaure a biologia física. Viajar involuntariamente pelo plano astral é um processo natural e seguro, feito por todos nós, todas as noites, enquanto dormimos. O que as religiões descrevem como “revelações” ou “viagens ao céu e inferno” são, na verdade, experiências nessa dimensão. A diferença para quem deseja fazer isso de forma consciente está no treino. Da mesma forma que o condicionamento físico é vital para um esportista, o desdobramento requer técnica e persistência. É uma habilidade acessível a todos, variando apenas o tempo de maturidade de cada praticante. O Mestre Samael Aun Weor diz que a projeção astral consciente é fundamental para acessar e investigar as verdades sobre o mundo invisível. Ao vivenciar o mundo sutil e seus mistérios, o praticante deixa de ser um repetidor de palavras alheias para se tornar uma testemunha real da realidade espiritual, protegendo-se contra informações manipuladas ou puramente teóricas, muitas vezes apenas com interesses financeiros. Para quem busca se conhecer de verdade, a projeção astral é a chave. Ela substitui os dogmas pela descoberta por experiência direta, permitindo que cada um se torne um investigador de si mesmo ao acessar, de forma consciente, as realidades do mundo espiritual. Para dominar a projeção astral, basta o conhecimento da técnica aliado à prática constante. O processo é totalmente seguro, visto que o vivenciamos de forma inconsciente todas as noites ao dormir. Assim, qualquer indivíduo dedicado e com estabilidade física e psicológica pode alcançar a saída consciente e voluntária do corpo astral. Os únicos empecilhos são os medos de começar a praticar e alguns entraves energéticos como chacras bloqueados, por exemplo. A prática da projeção astral oferece muitos benefícios que vão além da experiência física cotidiana. Ao projetar a consciência, torna-se possível explorar os planos invisíveis da natureza, onde as leis da física tradicional — como a gravidade e o espaço-tempo — não se aplicam da mesma forma. Essa jornada pela quinta dimensão permite um mergulho no autoconhecimento, possibilitando a observação clara de virtudes e defeitos psicológicos manifestados energeticamente, além do acesso a registros de vidas passadas para a compreensão de carmas e darmas. Mais do que uma exploração passiva, a projeção funciona como uma ferramenta de evolução intelectual, de equilíbrio emocional e de crescimento espiritual: é possível frequentar escolas em planos sutis e aproveitar as horas de sono para uma superaprendizagem ou treinamentos específicos. Por fim, a consciência durante o desdobramento reflete-se diretamente na saúde física, melhorando a qualidade do descanso ao reduzir pesadelos e reações abruptas, proporcionando um sono mais equilibrado

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Experiências Místicas: O Que os Grandes Mestres da Humanidade têm a nos Ensinar?

Experiências Místicas: O Que os Grandes Mestres da Humanidade têm a nos Ensinar? Ao longo da história, homens e mulheres de diferentes culturas e tradições relataram experiências espirituais profundas que transformaram completamente suas vidas. Percorreram caminhos distintos, mas deixaram um ensinamento em comum: a verdadeira espiritualidade nasce de uma transformação radical interior e profunda. Na visão gnóstica, a mística não se limita em crenças, dogmas ou teorias. Trata-se da busca pela experiência direta da realidade espiritual, alcançada através da investigação consciente das dimensões mais profundas do ser humano e do despertar das potencialidades latentes da alma. As experiências místicas não são vistas como fantasia ou imaginação, mas como estados reais de percepção espiritual capazes de transformar profundamente o indivíduo. Ao estudarmos os grandes místicos da humanidade, percebemos que suas experiências não tinham como objetivo principal a obtenção de fenômenos extraordinários, mas a conquista da sabedoria, da compaixão, da coragem e da união com Deus. Mas aqui surge o risco e também a necessidade de uma diferenciação: MISTICISMO é uma coisa e MÍSTICA é outra coisa, diferente. Uma experiência misticóide (ligada ao misticismo, literalmente “oide=com forma de”) pode estar baseada em alucinações (provocadas pelo ego, pela fé cega e fanática e mesmo por “drogas sagradas”, por exemplo), ou mesmo ter origem no charlatanismo ou equívoco sincero (pessoas que de boa-fé, acreditam em fenômenos forjados). Como saber se há misticismo: somente com informação esotérica precisa (como ensinado na Gnose e nos livros milenares das tradições) ou com vivência própria, investigação individual e objetiva. Já uma experiência mística é o que tratamos neste artigo, vivenciadas por pessoas que se prepararam para a revelação divina, se purificaram para isso, não agem com o ego (desejo, apego, ilusão, medo, ambição, fé cega), mas sim conectam-se (religare) com sua própria Divindade Interior para, com ela e através dela, beberem das límpidas e luminosas fontes da Divindade Exterior ou Cósmica. Por confundirem essas duas palavras e fenômenos é que muitos charlatães proliferam pelo mundo, vendendo fenômenos de aparições, obsessores, contatos com os mortos, falsos santos, seres extraterrestres falsos etc. Mas voltemos à nossa luminosa jornada Mística dos Grandes Seres… Joana d’Arc ouviu uma voz que a conduziu a uma missão corajosa aos 16 anos, que mudaria a história da França. Você já ouviu a Voz do Divino para tomar uma grande decisão ? Francisco de Assis abandonou riquezas e privilégios após ouvir o chamado do Cristo em São Damião. Você já abandonou algo material para optar pela luz do espírito da Paz ? Clara de Assis viveu profundas experiências de contemplação e devoção ao Pai Interno. Você já ouviu a Voz de seu Sábio e Carinhoso Ancião Interior ? Hildegard von Bingen recebeu a ordem de registrar suas visões e tornou-se uma das maiores sábias da Idade Média. Você já compartilhou com outros tuas gotas internas de amor recebido ? Rumi converteu a dor da perda em amor universal e poesia espiritual. Você já se emocionou com o perfume do amor exalado numa bela poesia ? Yeshe Tsogyal abandonou a vida de princesa para tornar-se uma das maiores mestras iluminadas do Tibete. Você já se desapegou de algo materialmente grande para construir o imensamente espiritual ? No Oriente, Milarepa transformou uma vida marcada pela vingança em um caminho de iluminação e compaixão. A tradição tibetana relata que Milarepa manifestou diversos siddhis ou poderes espirituais, como levitação, projeção consciente, clarividência, domínio sobre os elementos da natureza e viagens aos mundos celestiais. Entretanto, esses fenômenos eram considerados apenas consequências secundárias do desenvolvimento interior. Para os grandes mestres do Tibete, o verdadeiro siddhi é o Samadhi — o estado de profunda absorção meditativa que conduz à Iluminação. Mais importante do que qualquer poder extraordinário foi o que na Gnose se chama de Despertar da Consciência com o desenvolvimento de Kundalini, que o levou a libertar-se do ódio, do apego e da ignorância. Você já parou alguns minutos para meditar no perdão e na compaixão, essas forças libertadoras de todos e de tudo ? Comece por quem você acredita que mais te magoou. Tudo ilusão… Sob a ótica gnóstica, observa-se que os grandes místicos da humanidade manifestaram, em diferentes graus e segundo suas próprias tradições, os Três Fatores da Revolução da Consciência ensinados por Samael Aun Weor: a morte psicológica, o nascimento espiritual e o sacrifício pela humanidade. A análise de suas vidas sugere que os Três Fatores não constituem apenas um ensinamento teórico da Gnose, mas uma lei universal presente no caminho de realização dos grandes iniciados de todas as épocas. Os três Fatores de Revolução da Consciência são verdadeiras senhas que abrem as portas dos céus interiores, através dos quais podemos adentrar os Céus Celestiais e Universais. Além dos relatos históricos e espirituais desses grandes mestres, a Gnose oferece uma chave para compreender como surgem os estados místicos mais elevados. Samael Aun Weor ensina que o desenvolvimento das faculdades espirituais exige paciência, perseverança, fé, castidade consciente (científica – não perder a energia criadora, sexual), caridade e profundo amor pela humanidade. Segundo ele, os verdadeiros poderes místicos não são dons concedidos arbitrariamente, mas frutos de um longo processo de transformação interior. Em sua obra Magnus Opus, Samael afirma que é necessário educar, desenvolver e fortalecer os poderes da alma por meio da disciplina espiritual e do trabalho consciente sobre si mesmo. As virtudes do coração e a perseverança no caminho são apresentadas como condições indispensáveis para o despertar das faculdades superiores da consciência. Segundo os ensinamentos gnósticos, a energia criadora, quando transmutada e sublimada, converte-se em força espiritual, inspiração, sabedoria e êxtase místico. Os Vedas chamam essa força divina de Kundalini. O que normalmente se manifesta como impulso biológico pode transformar-se em consciência desperta, amor universal e experiência direta do real. Samael Aun Weor explica que o despertar espiritual costuma ser acompanhado por diferentes estados místicos, entre eles a alegria espiritual (Ananda), a hipersensibilidade psíquica (Kampan), os desdobramentos conscientes e experiências nos mundos superiores (Utthan), os intensos anelos divinais (Ghurni), os estados naturais de relaxamento meditativo (Murcha) e, finalmente,

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Tiradentes como arquétipo da Liberdade Psicológica: Consciência e Paz, “ainda que tardias”

O dia 21 de abril não é apenas uma recordação histórica, mas um chamado à Consciência. Neste dia, recordamos a morte de Tiradentes, executado em 1792 por sua participação na Inconfidência Mineira; um movimento que, externamente, buscava a libertação da capitania de Minas Gerais do domínio português, mas que, em um nível mais profundo, pode nos refletir à luta pela liberdade. No contexto do nosso caminhar espiritual, sua trajetória também nos inspira a refletir sobre outra forma de libertação. Assim como existem lutas contra formas externas de opressão (políticas, sociais e econômicas), há também uma dimensão interior, muitas vezes silenciosa, na qual o ser humano é chamado a libertar-se de si mesmo, através do autoconhecimento e da superação dos condicionamentos e limitações da própria psique. A paz não se constrói apenas fora; pois enquanto o ser humano não compreender e transformar aquilo que gera o conflito em seu interior, continuará projetando desarmonia no mundo. A Inconfidência Mineira foi organizada por integrantes da elite da época; comerciantes, militares, religiosos, escritores e médicos; configurando não apenas um descontentamento econômico, mas também a circulação de ideias que já apontavam para uma ruptura com o modelo vigente. Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, de acordo com as pesquisas mais recentes, não teria sido o homem simples e pobre que muitas vezes se retrata. Vinha de uma família com posses, teve vários irmãos e enfrentou, ainda jovem, a perda dos pais, o que o levou a construir sua própria trajetória. Transitava entre diferentes funções e saberes; foi tropeiro, militar e também conhecedor de práticas de cura, incluindo a habilidade mais conhecida de cuidar dos dentes. Ao longo do Caminho Novo, estrada que ligava o Rio de Janeiro às regiões mineradoras, tornou-se conhecido tanto por sua atuação quanto por seus conhecimentos medicinais, utilizando ervas e tratamentos práticos para aliviar o sofrimento das pessoas. Assim, não era apenas um homem de ideias, mas um homem de ação e de serviço. Embora Tiradentes não tenha sido o único envolvido na Inconfidência, e diversos participantes tenham sido inicialmente condenados à morte, apenas ele teve sua pena efetivamente executada. Assumiu sua participação, não recuou e permaneceu firme até o fim. Foi enforcado, esquartejado e exposto como exemplo. Durante muito tempo, foi considerado traidor, em face do ponto de vista dos colonizadores portugueses; sua memória foi marcada por essa visão. Com o passar dos anos, especialmente após a Proclamação da República, sua imagem foi ressignificada e elevada à condição de mártir. Sua trajetória passou a refletir um arquétipo profundo; o do sacrifício consciente; um homem traído, abandonado em sua causa no plano material, submetido à morte pública, e que não nega aquilo em que acredita. Como Sócrates, Jesus e Giordano Bruno, Tiradentes não abjurou (desistiu, negou) de suas ideias. Não se trata de igualar Tiradentes a Jesus, como motivou a história depois através de obras e livros, mas de reconhecer que o princípio do sacrifício se manifesta em diferentes momentos da história. O Cristo, na visão gnóstica, é um princípio universal que se expressa sempre que alguém permanece fiel à verdade, mesmo diante da dor e da perda. E o Cristo, em todas as culturas em que essa força cósmica redentora se manifestou, também é sempre exemplo de serviço, de sacrifício, de entrega pelo bem comum. Na maioria das vezes é taxado de revolucionário e sacrificado pelos fanáticos ignorantes da época. É nesse ponto que a reflexão pode ser transcendida à luz da Gnose. Samael Aun Weor, profundo conhecedor da história das civilizações desse nosso mundo, afirmou “O problema do mundo é o problema do indivíduo. Se o indivíduo não tem paz em seu interior, a sociedade, o mundo, viverá inevitavelmente em guerra.” Também afirmou: “Enquanto existir dentro de cada indivíduo o ódio, a cobiça, a inveja, os ciúmes, a ira, o orgulho etc., haverá guerras inevitavelmente.” O ego é nosso opressor, que nos explora e ainda cobra impostos (rouba energias) de forma injusta. Por isso devemos ser rebeldes e nos insurgirmos contra esta tirania exangue, para buscar liberdade e paz, (“ainda que tardiamente” como até hoje ressoa na bandeira do estado de Minas Gerais) rompendo com os grilhões… custe o que custar. O ego é quem nos rouba o ouro da consciência (a leva para longe, aliena) e ainda nos cobra o quinto com violência… Sem acusar povos ou períodos históricos específicos, podemos perceber que dinâmicas de dominação, exploração, controle e violência se repetem ao longo da história da humanidade, em diferentes formas e contextos. No campo da psicologia gnóstica, esse mesmo padrão pode ser observado no interior do próprio ser humano. Essa leitura não substitui a história, mas a amplia. A luta pela liberdade, portanto, não se limita ao campo externo. Ela também se manifesta como um processo interior, no qual o ser humano é chamado a reconhecer suas próprias limitações e a trabalhar sobre elas. Assim, Tiradentes não nasceu herói. Foi acusado de traidor, preso como rebelde, condenado como criminoso, executado como exemplo e silenciado como ameaça. Somente depois foi elevado à condição de símbolo. E isso revela algo essencial; a história externa pode mudar, pode ser reinterpretada, mas o significado interior permanece para aqueles que buscam compreender através da Consciência, e não do Ego. Com este texto, além da homenagem àqueles que lutam pela liberdade da humanidade, a verdadeira questão proposta não está apenas no passado, mas no nosso presente; não apenas na vida de personagens históricos, mas em nossa própria vida. O que estamos construindo dentro de nós? O homem comum ergue templos de pedra; os homens e mulheres despertos para o Divino constroem o templo interior. E essa construção exige consciência, disciplina e sacrifício; o sacrifício do ego, das ilusões e de tudo aquilo que nos mantém adormecidos. Tiradentes, dentro de sua realidade, viveu algo desse princípio. Por isso, mais do que um personagem histórico, tornou-se símbolo. Por isso é uma das figuras mais representadas em nosso país; em estátuas, pinturas, livros, moedas, cédulas, poemas e músicas. Por fim, todo símbolo verdadeiro permanece vivo

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As Profundidades do Ser: explorando a Personalidade, o Ego e a Consciência Espiritual – as visões da Gnose e da Psicologia Acadêmica

As Profundidades do Ser: explorando a Personalidade, o Ego e a Consciência Espiritual – as visões da Gnose e da Psicologia Acadêmica A interação entre personalidade, ego e consciência forma um dos aspectos mais complexos e profundos do caminho psicológico e também espiritual.É importante compreendermos que em termos de psicologia, os estudos gnósticos e acadêmicos oficiais não são opostos, mas sim complementares.Por possuírem conceitos diferentes e com objetivos distintos nas duas psicologias (acadêmica e gnóstica), Personalidade-Ego-Consciência devem ser bem compreendidos para que possamos bem trabalhar com eles.A psicologia acadêmica oficial, em suas várias vertentes, normalmente trabalha com a orientação e a terapia que busca o bem-estar das pessoas, objetivando uma vida tranquila, produtiva e saudável.  Para isso usa técnicas como o estudo do comportamento, o diagnóstico e tratamento de doenças e distúrbios, e o acompanhamento psicológico.Por isso, em termos gerais, podemos dizer que a psicologia acadêmica moderna não tem como foco o desenvolvimento espiritual, o despertar da consciência ou “Nous”, como diziam os antigos filósofos gregos quando exaltavam a necessidade da busca da virtude além deste mundo sensorial horizontal e social.Em outra linha, mais ampla, a psicologia gnóstica é voltada para o desenvolvimento integral do ser humano, partindo da parte espiritual para a mais densa. E para isso na gnose são utilizadas técnicas mais profundas e, digamos, trabalhosas, como a meditação, técnicas psicológicas ativas como a auto-observação e a transformação de impressões, a alquimia sexual, o estudo das vidas passadas e a devoção.A Gnose tem sua busca psicológica na via vertical, na vida espiritual, sem, obviamente, esquecer do necessário bem-estar e saúde neste mundo psíquico horizontal mais palpável em que todos vivemos.Por isso que o mestre gnóstico contemporâneo Samael Aun Weor assevera em seu maravilhoso livro “Tratado de Psicologia Revolucionária”:“Encontramo-nos pois, de instante em instante, diante de dois caminhos: o Horizontal e o Vertical.É visível que o Horizontal é muito concorrido, por ele andam “Vicente e toda a gente”, “Dom Raimundo e todo mundo”…É evidente que o vertical é diferente; é o caminho dos rebeldes inteligentes, dos revolucionários. (…)Quando alguém recorda de si mesmo, quando trabalha sobre si mesmo, quando não se identifica com todos os problemas e penas da vida, de fato vai pelo caminho vertical.O Trabalho sobre si mesmo é a característica fundamental do caminho vertical. Ninguém poderia pisar o Caminho da Grande Rebelião (contra si mesmo), se jamais trabalhasse sobre si mesmo. O Trabalho ao qual estamos nos referindo é de tipo psicológico; trata-se de certa transformação do momento presente que nos encontramos.Necessitamos aprender a viver de instante em instante.” Ao compreender conceitos psicológicos como personalidade, ego e   consciência através de uma perspectiva gnóstica, somos encorajados a ultrapassar as limitações tradicionais e explorar a imortalidade da essência verdadeira.A conquista desse entendimento permite não só um impacto pessoal duradouro, mas também a capacidade de promover mudanças significativas no mundo.Passemos então à análise gnóstica desses três importantes conceitos da psicologia. A Personalidade A personalidade é muitas vezes vista como uma expressão única e imutável de quem somos.No entanto, aprofundando-se nas abordagens espirituais de Samael Aun Weor e Annie Besant, percebemos a personalidade como uma máscara temporária, desprovida da permanente essência da alma. Este conceito revela camadas de complexidade sobre nossa identidade e o que realmente nos compõe, oferecendo uma nova perspectiva para a transformação pessoal.Para o mestre gnóstico Samael Aun Weor, a personalidade é uma estrutura transitória, criada e fortalecida nos primeiros anos de vida. Após a morte, diz ele, essa personalidade se desintegra, revelando sua natureza efêmera. A teósofa Annie Besant complementa essa visão ao descrever a personalidade como uma “roupagem mortal”, uma expressão passageira que não reflete a eternidade do Ser. Essencialmente, tanto Weor quanto Besant veem a personalidade como algo horizontal, desta vida, distinta da psicologia acadêmica, algo para ser transcendido no caminho espiritual.Weor argumenta que nossos múltiplos “Eus” (defeitos psicológicos) se manifestam através da personalidade, utilizando-a como um meio de interação para fortalecer o ego. A personalidade, assim, se torna uma barreira a ser superada para que a essência genuína possa emergir. Ele propõe práticas como a auto-observação e a meditação como meios para dissolver o ego e permitir esse despertar.Annie Besant apresenta a personalidade como parte dos aspectos temporários do ser humano, coabitando com o corpo físico, astral e mente inferior. Para ela, esses elementos transitórios não expressam nossa verdadeira identidade, mas são necessários na jornada terrena. A essência do Ser transcende essa manifestação, pertencendo ao domínio das esferas eternas e divinas.Contrastando essa abordagem, a psicologia acadêmica moderna observa a personalidade como dividida entre o Id, Ego e Superego, todos interagindo dentro do contexto de uma única vida. Essa perspectiva não considera o conceito de reencarnação ou a existência de vidas passadas e futuras.A distinção entre personalidade, ego e essência na abordagem gnóstica apresenta uma jornada transformativa para aqueles que buscam autoconhecimento e evolução espiritual.Enquanto a psicologia tradicional nos limita a uma visão linear e única da vida, desta existência, a perspectiva espiritual gnóstica nos encoraja a ver além das manifestações temporárias e a focalizar nas virtudes eternas que habitam em nós.Weor e Besant nos levam a considerar a personalidade não como uma definição estática de quem somos, mas como uma ferramenta passageira que nos auxilia na vida terrena. Na gnose, é feita uma clara distinção entre os aspectos positivos da psique (virtudes) e os negativos (egos), propondo uma autotransformação que liberta a consciência das ilusões do ego.A prática da auto-observação, da transformação de impressões e a meditação são elementos essenciais para aqueles que desejam trilhar esse caminho. Dessa forma, a alquimia sexual (sexo espiritual amoroso e transmutatório entre esposo e esposa), combinada com a devoção aos princípios divinos e o serviço à humanidade, se torna a chave para a verdadeira transformação interna.A jornada de compreender e transcender a personalidade, conforme ensinada por Samael Aun Weor e Annie Besant, oferece um caminho profundo para a evolução espiritual.Superando a visão limitada de uma única existência, somos convidados pela Gnose a explorar as profundezas de nossa essência eterna e a abraçar as práticas que nos

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A Filosofia Grega e a Moderna Gnose – 7 Grandes Sábios

A FILOSOFIA GREGA E A MODERNA GNOSE – 7 GRANDES SÁBIOS A Filosofia Gnóstica:Na filosofia, a Gnose é compreendida como uma ciência que está além do pensamento meramente superficial, sendo considerada o conhecimento por excelência (revelação), originado da reflexão profunda e da intuição apurada.Na Filosofia Gnóstica, que caminha sempre junto da Ciência, da Arte e da Mística, podemos encontrar respostas fundamentais para explicar o propósito da existência e a busca sobre quem somos, de onde viemos e para onde iremos.Por meio do Gnosticismo é possível compreender que a filosofia não se ocupa apenas do senso crítico e racional, mas também e principalmente da análise do intelecto e do sentir do coração, objetivando a vivência dos conceitos e o verdadeiro despertar da consciência.A Gnose grega antiga partia da percepção espiritual e cósmica transcendente, oriunda de uma busca pessoal e iluminada. Tratava-se da ‘ciência da alma’, que decifrava a ordem do Todo ao identificar o homem como um microcosmo do universo. Essa sabedoria era vivenciada de forma integrada, unindo as esferas divina e terrena, o macro e o microcosmo.Para os pensadores da Antiga Grécia, a Gnose não era meramente teórica, mas um conhecimento superior e vivencial que se distinguia radicalmente dos saberes vulgares. Os diferentes níveis de conhecimento humano:Na Grécia se distinguiam vários tipos de “pensamento” ou de posicionamento pessoal: o mais superficial deles (“Doxa”) era a mera crença, sem estudos profundos ou comprovação, apenas se aceita por dogmas o que uma “autoridade” diz; num segundo nível temos a “Episteme”, que parte da análise meramente reflexiva, lógica, racional; num terceiro e mais elevado nível, alcançado por pouquíssimos, temos a “Gnosis”, que é o conhecimento vivenciado e recebido por revelação (conquista interior).Por isso que os gregos personificavam a Gnosis numa divindade, Sophia, a Deusa da Sabedoria e símbolo da Alma que anela por sua redenção, que busca sua autorrealização. Sophia virou, aliás, sinônimo de sabedoria, daí a origem da palavra filosofia, literalmente “amor à sabedoria”.Em uma linguagem atual podemos dizer que à Doxa se alinham as pessoas que seguem apenas textos rápidos e superficiais, irrefletidos, muitas vezes propagados por influenciadores, com interpretações religiosas tendenciosas, redes sociais manipuladoras e monetistas, estendendo-se até a cidadãos que se polarizam em uma ideologia, ignorando o diálogo e a liberdade de pensar do outro.Já em episteme temos os pensadores científicos, aqueles que seguem cegamente o que uma (muitas vezes rasa) análise lógica indica, ignorando muitas vezes a filosofia e a mística, a intuição.Entretanto, o piso mais elevado do edifício do conhecimento humano, a Gnosis (sabedoria conquistada, revelada e vivenciada), somente sobrevive em escolas iniciáticas que ensinam o verdadeiro trabalho profundo sobre si, como as instituições gnósticas que seguem a releitura moderna da Gnose Grega estruturada por Samael Aun Weor.Sobre este aspecto, Samael cita literalmente em seu livro Educação Fundamental: “Nas antigas escolas de mistérios da Grécia, Egito, Roma, Índia, Pérsia, México, Peru, Assíria, Caldeia etc., a psicologia sempre esteve ligada à Filosofia, à Arte objetiva Real, à Ciência e à Religião.”Por isso é possível constatarmos como a Gnose fundamentou e influenciou as ideias de renomados pensadores como Pitágoras, Heráclito, Platão, Empédocles, Aristóteles, Epicuro e Hipátia.Ao interpretar as ideias desses luminares do pensamento filosófico ocidental, torna-se possível verificar que a base fundamental de tais pensamentos é o conhecimento gnóstico, revelado, muito além da doxa e da episteme.Para uma maior ilustração do assunto, citaremos a seguir as principais ideias desses célebres personagens da filosofia grega, correlacionando suas teorias com o estudo e a vivência da Gnose moderna de Samael Aun Weor. A conexão entre o pitagorismo e a Gnose fundamenta-se no dualismo psicofísico (alma versus corpo), na imortalidade da alma e na numerologia sagrada como via para a harmonia cósmica. Essa convergência torna-se evidente na busca por um método de purificação místico-intelectual; assim como Pitágoras, a gnose valoriza a experiência direta dos fenômenos universais como ferramenta essencial para o despertar da consciência.Pitágoras também conectava a matemática e a música, como fazem os modernos gnósticos com o estudo da arquitetura sagrada e do poder de vibração dos mantras ou palavras de poder.  Para Heráclito Deus não tinha a aparência de um homem nem de outro animal qualquer. Em seu pensamento, Deus não era nem criador, nem onipotente. Para ele, Deus não é uma figura antropomórfica, mas a unidade suprema na diversidade, o “Logos” (razão universal) que governa a constante transformação do cosmos.Em Heráclito vemos modernamente, como com Jung, o conceito da divindade gnóstica de Abraxas, que concebe ao mesmo tempo Luz e Trevas, Bem e Mal, movimento e inércia, criação e absorção. Isso contrasta muito da visão limitada de um Deus Antropomorfizado (na figura humana), apenas bom e de um Diabo sempre mau. Todos fazem parte de um mesmo movimento de razão universal, sempre buscando o discernimento e a evolução do cosmos e do ser humano. Platão, grande filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, defendia a existência de dois mundos distintos: O mundo invisível (material, imperfeito e percebido pelos sentidos) e o mundo das ideias (eterno, imaterial e perfeito). Para Platão a verdadeira realidade e o conhecimento seguro residem no mundo das ideias, acessível apenas pela razão, enquanto o mundo sensível é apenas uma cópia imperfeita. Platão buscava transmitir uma profunda fé na razão e na verdade.Além do mundo das ideias podemos citar o mito da caverna que ilustra a jornada do conhecimento onde a maioria da humanidade vive na ignorância, confundindo as aparências (as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna) com a realidade (o mundo real e externo à caverna), enquanto quem desperta sai da caverna e contempla a luz da verdade. Ilustração clássica onde os prisioneiros (humanos) veem sombras (coisas físicas) na parede, acreditando ser a única realidade, sem enxergar as formas verdadeiras no mundo exterior.Na visão de Platão, as almas pertencem ao Mundo Inteligível ou Mundo das Ideias (real, imutável, eterno, etc.). As ideias têm uma realidade objetiva, substancial, são o modelo ideal (arquétipos) de todas as coisas que existem no Mundo Sensível, com base nas quais as coisas foram criadas ou tendem a

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Título

O que é GNOSE?

A Associação Gnóstica de Brasília – AGB é uma instituição civil sem fins lucrativos, que objetiva divulgar a gnose moderna reestruturada por Samael Aun Weor, filósofo, antropólogo e cientista colombiano radicado no México, com mais de 80 livros editados em 70 países. 

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