A Páscoa das Mulheres: O Eterno Feminino de Deus na Ressurreição

MISTÉRIOS DA SEMANA SANTA

Nos dias que antecedem a Semana Santa e a Páscoa, nossa Consciência é inspirada a refletir sobre a vida e a Via Crúcis do Mestre Jeshuá Ben Pandirá (Jesus), que cumpriu, em carne e osso, passando por dolorosas provas, sua Grande Obra Divinal e Cósmica por amor à humanidade. O Divino Salvador encarnou neste mundo para que seguíssemos seu exemplo nos mostrando a Senda que conduz à Via da Perfeição. Todos podem também percorrê-la por si mesmos, assim como Ele mesmo disse “Se alguém quiser vir atrás de mim, negue-se a si mesmo, pegue sua cruz e me siga”.

O ETERNO FEMININO DE DEUS NA VIDA DE JESUS

Entretanto, muitas vezes algumas interpretações dos Evangelhos e escrituras religiosas insistem em enfatizar o aspecto imperfeito do feminino, imputando a mulheres sérias e honestas acusações de prostitutas, ladras ou outras. Tais julgamentos têm causa no adormecimento de nossa Consciência, visto que ninguém é puro ou santo o bastante para julgar o outro, independentemente de sexo, raça ou religião.

Com um pouco de Consciência desperta, é possível reconhecer-se que toda mulher traz em si a representação do Eterno Feminino. Assim, as próprias mulheres devem reconhecer sua Santa Predestinação de gerar filhos de sabedoria (usando sabiamente a sexualidade sagrada), de regenerar e transformar o homem (apoiando-o em seu caminho iniciático) e de educar a humanidade com sua força exemplar.

Na vida de Jesus, foi notável e essencial a participação das chamadas mulheres sagradas, tanto nos eventos públicos do Salvador, quando ele realizou prodígios e demonstrou que era um Ser Divino, quanto em sua vida oculta e não descrita nos Evangelhos, que compreende o período em que passou com os iniciados da época trabalhando sobre Si Mesmo nos Três Fatores de Revolução da Consciência (Morrer nos defeitos, Nascer pela Sexualidade Sagrada e Servir a Humanidade). Diga-se que não há uma só passagem na história do Salvador em que se leiam relatos de violência ou agressividade partindo de mulheres.

As personagens citadas nos 4 Evangelhos mais conhecidas são mães com filhos doentes ou moribundos, esposas, filhas, irmãs, mulheres que se curam ao tocarem no Salvador. Na Via Crúcis, dividida através das 14 estações, verifica-se continuamente a presença das mulheres como representação do amor, da compaixão e do zelo para com Jesus.

A Cruz, como símbolo cosmogônico, representa o Microcosmo e o Macrocosmo, o infinitamente pequeno e o infinitamente grande em todas as criações Divinas. O homem Jesus carregando a cruz pelas ruas de Jerusalém vai se encontrando com as Santas Mulheres: Maria mãe, Maria Madalena, Maria de Bethania e sua irmã Marta, juntamente com a mãe dos apóstolos João e Tiago, chamada Maria Salomé, acompanhados ainda por Maria de Cleofas, a tia de Jesus, Verônica de Eleazer e Cláudia esposa de Pilatos. Oito Grandes Mulheres que acompanharam e apoiaram Jesus em suas provações e vitórias. Maria Mãe, Maria Madalena, Marta e Salomé são também discípulas citadas e atuantes em Pistis Sophia, o livro sagrado dos gnósticos.

As mulheres que seguiam Jesus eram referidas pela palavra grega “diakonein” que significa “servir”, “ministrar”, “ensinar”. O Mestre Jesus conversava diretamente com as mulheres, também respondendo às suas perguntas e inquietudes, doutrinando-as nos conhecimentos sagrados e deixando que o tocassem mulheres consideradas impuras pelos judeus.

CLÁUDIA – ESPOSA DE PILATOS

Na primeira estação, por exemplo, quando Jesus estava sendo julgado por Pilatos no Pretório, Cláudia, esposa de Pilatos, que pertencia ao seleto grupo de 72 discípulos de Jesus, age em defesa do Grande Mestre dizendo “Não te envolvas com esse justo, pois durante a noite sofri muito por sua causa”, pedindo ao marido que ajudasse ao Nazareno. Com isso, ela representa a chance de tomada de Consciência antes do sacrifício do Cristo. Muitas vezes, nossa Mãe Divina nos orienta em sonhos e em mensagens para a Consciência, mas não sabemos interpretá-los. Assim o fez Pôncio Pilatos, representando a mente do homem que, mesmo com os melhores conceitos e propósitos, não é capaz de compreender o Cristo. E é assim que a mente acaba vencida pelo Ego, infelizmente, lavando as mãos. Cláudia representa também a virtude da responsabilidade, pois não se calou quando viu as injustiças que eram armadas contra o Cristo, clamando por Justiça em defesa de seu Mestre.

VERÔNICA – A VONTADE-CRISTO

Verônica, outra personagem feminina na Via Crúcis, grande discípula do Rabi da Galiléia, aparece na sexta estação da cruz: acompanhando o martírio do Mestre ao Calvário. Vai comovida até ele e enxuga o suor e sangue do Salvador com seu véu. Naquele ato de Amor Universal e profunda entrega à humanidade do Cristo Jesus, seus átomos solares de altíssima voltagem impregnaram o pano deixando nele marcada a face de Jesus e acumulando poderes de cura. Essa passagem representa um altíssimo grau de iniciação, a 5ª Iniciação Venusta, a Cristificação da Alma Humana, o Corpo da Vontade Consciente. O Divino rosto do Cristo com a coroa de espinhos é o símbolo do sacrifício total à humanidade doente que somente ocorre com a Vontade-Cristo. Nas palavras de Samael Aun Weor, “No mundo da Vontade, todos os iniciados carregam sua Cruz”.

PROCISSÃO DE COMPASSIVAS

Seguindo a Via-crúcis, os evangelhos narram que “seguia-O a grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos, e O lamentavam. Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos. Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!”. A multidão de mulheres nessa passagem nos remete à virtude da compaixão, mostrando que a natureza feminina na sua origem divina se horroriza com a injustiça, a violência, a traição. A Grande Mãe do Mundo é a representação de todas as mães de cada criatura. A multidão de mulheres representa a própria Grande Mãe sofrendo por seu Filho. Mas o Mestre as alerta que estava em sacrifício por seus próprios filhos.

MARIA – MÃE DO FILHO DE DEUS

Toca-nos profundamente o coração o momento em que Jesus, a caminho do Gólgota, encontra Sua Mãe. Mulher singela de pequena estatura, corpo magro, rosto pequeno e ovalado, olhos ciganos, vestida com túnica velha de cor marrom e sandálias de couro. Como o Mestre Cristificado Samael Aun Weor a descreve em seu livro A Virgem do Carmo, “não é Maria aquela estátua púrpura de diamantes que hoje adorna a catedral de Notre-Dame de Paris; não é Maria aquela estátua cujos dedos de arminho, engastados em puro ouro, alegra as procissões da casa paroquial; não é Maria aquela verdade inesquecível que, desde meninos, contemplamos sobre os suntuosos altares das nossas igrejas do povo, cujos sinos metálicos alegram os mercados de nossas paróquias.” Maria era na realidade uma pródiga humilde, uma singela mulher de carne e osso. Desde muito menina, Maria fez voto de castidade no templo de Jerusalém. Seu coração só amava a Deus. E assim Serviu, sendo a mãe do Salvador, sempre o apoiando, o ajudando em seu caminho e sofrendo passo a passo a via dolorosa do filho, apoiando ainda os 12 apóstolos. Nossa Senhora das Dores, com as adagas no coração, bem representa a via dolorosa da mãe do Salvador Salvandus. É sublime a sabedoria que pode advir da meditação nas sete dores de Maria. Como é bela a imagem da virgem grávida do menino Salvador… O que dizer da imagem retratada e pintada por artistas de Maria com sua prima Isabel, ambas grávidas de dois grandes mestres da Loja Branca: Jesus de Nazaré e João Batista!

MARIA MADALENA – ESPOSA CONSORTE DO CRISTO

Maria Madalena, discípula, esposa e companheira de Jesus, teve sua imagem transformada através dos anos como mulher pecadora, velando o verdadeiro significado de sua presença na vida e Obra do Grande Mestre, sendo até adulterado o significado de seu papel para um segundo plano em algumas tradições cristãs. No profundo conhecimento esotérico, Maria Madalena traz a mensagem de que a purificação e libertação da alma caída do Pleroma, nossa Pistis Sophia, é possível através do amor. Maria Madalena não é “nascida Virgem” mas sim “se torna Virgem”. O Cristo pode nascer de toda alma que se purifique e que se torne Virgem. Sob esse aspecto Maria Madalena é a Mãe do Cristo, Irmã do Cristo e a Noiva do Cristo. Um belíssimo paralelo com a Ísis egípcia, que era mãe-irmã-esposa-filha de Osíris. Maria de Magdala é aquela que o Mestre “ama diferente”. Em Pistis Sophia é evidente a adoração e resignação de Maria Madalena ao Cristo Jesus. Sempre interessada, curiosa, respeitosa e profundamente conhecedora dos Grandes Mistérios. Um exemplo de sua Consciência no processo da Paixão de Cristo está nos 4 evangelhos. Quando Jesus ressurrecto aparece a Maria Madalena, ela exclama “Rabbuni!!! “, de forma solene reconhecendo que ali não era Jeshuá Ben Pandirá com quem ela falava, mas sim com a própria encarnação do Filho de Deus.

O JESHUÁ E A MAGDALA INTERIORES

O homem necessita de uma Maria Madalena para trabalhar na Nona Esfera (o Sexo Sagrado) e conseguir a ressurreição. De forma análoga, a mulher precisa amar profundamente um bendito homem que a leve também à Cristificação (Virginização). É por isso que em Pistis Sophia o Mestre Jesus diz a Madalena: ”Maria, bendita és, a quem aperfeiçoei em todos os mistérios do alto, fala abertamente porque teu coração é elevado ao reino dos céus mais que todos os teus semelhantes” e posteriormente Ele diz “Bem dito Maria, porque tu és bendita entre todas as mulheres da Terra e porque serás a plenitude de todas as plenitudes e a perfeição de todas as perfeições”.

E ao desvelar esses misteriosos e sagrados véus, Samael Aun Weor complementa.: “Na catedral da Alma, há mais alegria por um pecador que se arrepende que por mil justos que não necessitam de arrependimento.”

Portanto, queridas irmãs de corpo feminino, tomemos consciência que os Mistérios da Semana Santa vibram no coração da Mãe Espaço (a Galáxia), para a Ressurreição de todos os Sois; cintilam no coração de todas as Deusas (como Maria Mãe, Maria Madalena, Ísis, Astarté), para a Ressurreição de seus Filhos Salvadores; e luminescem amorosamente também no coração de cada mulher de Boa Vontade, para – com nossos esposos-oficiantes-do-amor, conquistarmos a Ressurreição do Cristo Íntimo que jaz no sepulcro de nossas almas.

Benditas sejam as Santas Mulheres que Ressuscitam seus Santos Homens!

 

Alessandra Espineli Sant’Anna é engenheira e instrutora da AGB

Karma Não, Amorosa Justiça: Um Caminho Gnóstico para a Libertação da Roda De Samsara

KARMA NÃO, AMOROSA JUSTIÇA:UM CAMINHO GNÓSTICO PARA A LIBERTAÇÃO DA RODA DE SAMSARA A busca pela compreensão das leis cósmicas é um dos aspectos mais profundos da jornada espiritual humana. No cerne desses ensinamentos está a Lei do Karma-Darma, um conceito que oferece uma perspectiva transformadora sobre o ciclo de nascimentos e renascimentos, conhecido como a Roda de Samsara. Este texto busca explorar como o entendimento e aplicação dessas leis, aliados ao uso consciente do livre-arbítrio, podem conduzir à libertação e ao equilíbrio espiritual. O Karma, derivado do sânscrito, refere-se a uma lei universal de causa e efeito. Cada ação gera uma reação – como já dizia o famoso físico Isaac Newton – e os efeitos de nossas ações se refletem em nossa vida presente e futura. Em contrapartida, o Darma representa os méritos ou créditos espirituais acumulados por meio de boas ações e do cumprimento de um propósito alinhado com as leis cósmicas. Na visão gnóstica apresentada por Samael Aun Weor, o Karma não é uma sentença irrevogável, mas um mecanismo de aprendizado e ajuste. Compreender o Karma como um processo negociável e dinâmico desafia a percepção comum de um destino imutável, apresentando-o como uma oportunidade de retificação e crescimento pessoal e espiritual. O uso consciente do livre-arbítrio é indispensável ao se trabalhar com as leis do Karma e Darma. A prática do livre-arbítrio permite que cada indivíduo escolha seus caminhos de ação e resposta, promovendo uma responsabilidade ativa pelas consequências de suas escolhas. Esta abordagem destaca a importância de cultivar uma consciência desperta, onde o arrependimento sincero e a eliminação de traços desarmônicos, como o ego (defeitos psicológicos como os desejos, os medos, os apegos, orgulho, ira etc), tornam-se passos cruciais para a transcendência dos ciclos cármicos. A Roda de Samsara, conforme descrita nas tradições orientais, representa o ciclo contínuo de nascimento, morte e renascimento. Estar preso a este ciclo simboliza uma consciência refém de desejos e apegos mundanos. No entanto, aqueles que compreendem e praticam as leis do Karma-Darma com sabedoria não permanecem mais enredados nessas amarras. A libertação da Roda de Samsara não está simplesmente ligada à devoção religiosa ou à crença em figuras espirituais como Jesus ou Buda para a anulação das dívidas kármicas, através da famosa, cômoda e enganosa remissão dos pecados sem ação profunda e consciente do pecador. Em vez disso, requer-se um trabalho interior profundo, englobando arrependimento genuíno, aprendizado contínuo e transformação dos elementos internos que perpetuam o sofrimento. Essencialmente, é preciso reparar ativamente qualquer dano causado, tanto a outras pessoas quanto à natureza, de forma consciente e respeitosa. Samael Aun Weor apresenta a ideia de que o Karma é negociável, permitindo modificações e ajustes antes que os efeitos negativos se manifestem plenamente. É como uma dívida no banco: você toma consciência dela, a negocia, paga e evita que o oficial de justiça venha cobrá-la em alguns meses… Este conceito é destacado no livro “Além da Morte”, onde o autor explica que o karma pode ser alterado através de ações positivas e do serviço à humanidade. A moeda nessas negociações é o Darma – os créditos espirituais gerados por boas ações exemplares. O único tipo de karma que não é negociável é o “karma duro”, que se refere a dívidas extremamente severas, como seria o caso de ações com impactos universais – grandes fascínoras da humanidade. Na visão gnóstica, a Justiça Divina é flexível, capaz de reconhecer sinceras transformações interiores e atitudes de reconciliação. Ao contrário de um julgamento inflexível, os Tribunais Superiores da Lei Cósmica avaliam as intenções e esforços autênticos em realizar mudanças pessoais e coletivas. Aliás, este conceito converge completamente com as tradições cabalísticas antigas, como no Zohar, onde a coluna do templo da harmonia universal tem duas colunas de entrada, uma de Justiça (severidade, cobrança aos que erraram), e outra de Misericórdia (amor, flexibilidade, negociação, ação consciente aos que se arrependeram e repararam os danos). Concluímos, portanto, afirmando que a jornada para a libertação da Roda de Samsara é, em essência, um trabalho de transformação individual e espiritual. Ela requer que deixemos de lado o egoísmo, pratiquemos o perdão e façamos o bem, tanto para nós mesmos quanto para os outros. Compreender e aplicar a Lei do Karma-Darma nos convida a uma vida de consciência mais desperta, na qual cada um de nós tem o poder de escrever seu destino com mãos compassivas e justas. Transformar-se é, acima de tudo, um ato de amor e coragem, que nos desafia a ir além dos nossos limites e caminhar rumo a um entendimento mais profundo e libertador do nosso ser. Por isso sintetiza um antigo ritual de Sabedoria Gnóstica, referindo à Lei Divina:“Amor é Lei, porém Amor Consciente”. Andressa Paula Angonese é empresária e instrutora gnóstica em Erechim-RS

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Onirologia e Projeção Astral à Luz da Gnose: Ferramentas Práticas de Autotransformação

ONIROLOGIA E PROJEÇÃO ASTRAL À LUZ DA GNOSE:FERRAMENTAS PRÁTICAS DE AUTOTRANSFORMAÇÃO Contemporaneamente, enquanto a neurociência e a medicina do sono se debruçam sobre os mecanismos fisiológicos e as fases bioelétricas do cérebro — como o ciclo REM —, e a psicanálise de Freud e Jung busca decifrar as linguagens do inconsciente através de desejos reprimidos ou compensações simbólicas, a sabedoria gnóstica de Samael Aun Weor surge para ampliar significativamente estes horizontes.   Samael, como filósofo reestruturador da Gnose moderna em seus mais de 80 livros, baseado nas antigas tradições de sabedoria (gnosis) de vários povos, relatadas em livros sagrados, nos relembra que o sono e os sonhos podem ser importantes eventos psíquicos e espirituais, tal como atestam tantas aparições sacralizadas, ordens divinas, orientações do alto, visões, êxtases, viagens pelos céus, monges que voam, místicos que desaparecem e aparecem em outros lugares, sonhos proféticos e tantos outros. Sob a óptica da Gnose moderna, o sonho assume um estágio de uma autêntica experiência mística e de uma realidade objetiva da alma nas dimensões sutis da natureza. Liderada pelas diretrizes contemporâneas de Samael Aun Weor, a Onirologia Gnóstica defende que o conteúdo processado durante o sono provém dos Centros Biopsicofisiológicos do ser humano constituindo uma valiosa ferramenta para o trabalho de autoconhecimento e de transformação interior. Todavia, num cenário social marcado por crescentes distúrbios psíquicos e degradação da qualidade de vida, o ser humano perdeu a capacidade de se recordar e de interpretar estas vivências de forma lúcida. Enquanto algumas correntes científicas definem os sonhos como meros subprodutos de reações bioquímicas e impulsos elétricos — reflexos de nossas memórias e vivências diárias —, outras os interpretam como manifestações psicológicas profundas, moldadas por nossos desejos, repressões e pela estrutura da nossa personalidade. A Gnose, contudo, amplia esse horizonte: embora reconheça essas perspectivas, ela propõe que o sonho pode ser também uma experiência mística. Nela, a consciência desperta e explora livremente as dimensões sutis da natureza.    Para a Gnose, os sonhos servem a diferentes propósitos: podem ser um processo de digestão da psique pelo Ego, ressonâncias do estado presente (desejos e fantasias) ou, ainda, o reflexo de inquietações sobre o futuro.  A Gnose nos ensina técnicas assertivas e profundas que nos permitem avançar no estudo dos sonhos, constatando que eles são ferramentas reais que podemos utilizar para o trabalho de transformação interior. Por isso que nas escolas de gnose são ensinadas as precisas e antiquíssimas técnicas da Yoga Tibetana do Sono, com seus 9 passos, para nos permitir lembrar dos sonhos, fazê-los conscientes e positivos, entender sua simbologia e relacioná-los com nossa vida. Na perspectiva gnóstica, compreendemos que os sonhos podem se manifestar de três formas: como realidade objetiva, na qual o sonhador de fato vivencia situações nos planos sutis; como mera fantasia, assemelhando-se a uma alucinação projetada pela própria mente; ou como uma mistura de ambos. Esta última categoria é, inclusive, a mais frequente, onde a percepção alterna entre a vivência real nos planos superiores e as projeções da fantasia individual. Como extensão da prática do Sonho Consciente e da Yoga dos Sonhos, temos a projeção astral que é o desdobramento natural dos corpos sutis em relação ao corpo físico durante o sono. Esse fenômeno ocorre todas as vezes que dormimos com todas as pessoas: quando acontece de forma inconsciente, manifesta-se como sonhos; quando realizado com lucidez e técnica, caracteriza o desdobramento astral consciente. Ao dormirmos, os corpos sutis e seus valores psíquicos (alma e ego) se projetam para as dimensões sutis, possibilitando que o corpo etérico restaure a biologia física. Viajar involuntariamente pelo plano astral é um processo natural e seguro, feito por todos nós, todas as noites, enquanto dormimos. O que as religiões descrevem como “revelações” ou “viagens ao céu e inferno” são, na verdade, experiências nessa dimensão. A diferença para quem deseja fazer isso de forma consciente está no treino. Da mesma forma que o condicionamento físico é vital para um esportista, o desdobramento requer técnica e persistência. É uma habilidade acessível a todos, variando apenas o tempo de maturidade de cada praticante. O Mestre Samael Aun Weor diz que a projeção astral consciente é fundamental para acessar e investigar as verdades sobre o mundo invisível. Ao vivenciar o mundo sutil e seus mistérios, o praticante deixa de ser um repetidor de palavras alheias para se tornar uma testemunha real da realidade espiritual, protegendo-se contra informações manipuladas ou puramente teóricas, muitas vezes apenas com interesses financeiros. Para quem busca se conhecer de verdade, a projeção astral é a chave. Ela substitui os dogmas pela descoberta por experiência direta, permitindo que cada um se torne um investigador de si mesmo ao acessar, de forma consciente, as realidades do mundo espiritual. Para dominar a projeção astral, basta o conhecimento da técnica aliado à prática constante. O processo é totalmente seguro, visto que o vivenciamos de forma inconsciente todas as noites ao dormir. Assim, qualquer indivíduo dedicado e com estabilidade física e psicológica pode alcançar a saída consciente e voluntária do corpo astral. Os únicos empecilhos são os medos de começar a praticar e alguns entraves energéticos como chacras bloqueados, por exemplo. A prática da projeção astral oferece muitos benefícios que vão além da experiência física cotidiana. Ao projetar a consciência, torna-se possível explorar os planos invisíveis da natureza, onde as leis da física tradicional — como a gravidade e o espaço-tempo — não se aplicam da mesma forma. Essa jornada pela quinta dimensão permite um mergulho no autoconhecimento, possibilitando a observação clara de virtudes e defeitos psicológicos manifestados energeticamente, além do acesso a registros de vidas passadas para a compreensão de carmas e darmas. Mais do que uma exploração passiva, a projeção funciona como uma ferramenta de evolução intelectual, de equilíbrio emocional e de crescimento espiritual: é possível frequentar escolas em planos sutis e aproveitar as horas de sono para uma superaprendizagem ou treinamentos específicos. Por fim, a consciência durante o desdobramento reflete-se diretamente na saúde física, melhorando a qualidade do descanso ao reduzir pesadelos e reações abruptas, proporcionando um sono mais equilibrado

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Experiências Místicas: O Que os Grandes Mestres da Humanidade têm a nos Ensinar?

Experiências Místicas: O Que os Grandes Mestres da Humanidade têm a nos Ensinar? Ao longo da história, homens e mulheres de diferentes culturas e tradições relataram experiências espirituais profundas que transformaram completamente suas vidas. Percorreram caminhos distintos, mas deixaram um ensinamento em comum: a verdadeira espiritualidade nasce de uma transformação radical interior e profunda. Na visão gnóstica, a mística não se limita em crenças, dogmas ou teorias. Trata-se da busca pela experiência direta da realidade espiritual, alcançada através da investigação consciente das dimensões mais profundas do ser humano e do despertar das potencialidades latentes da alma. As experiências místicas não são vistas como fantasia ou imaginação, mas como estados reais de percepção espiritual capazes de transformar profundamente o indivíduo. Ao estudarmos os grandes místicos da humanidade, percebemos que suas experiências não tinham como objetivo principal a obtenção de fenômenos extraordinários, mas a conquista da sabedoria, da compaixão, da coragem e da união com Deus. Mas aqui surge o risco e também a necessidade de uma diferenciação: MISTICISMO é uma coisa e MÍSTICA é outra coisa, diferente. Uma experiência misticóide (ligada ao misticismo, literalmente “oide=com forma de”) pode estar baseada em alucinações (provocadas pelo ego, pela fé cega e fanática e mesmo por “drogas sagradas”, por exemplo), ou mesmo ter origem no charlatanismo ou equívoco sincero (pessoas que de boa-fé, acreditam em fenômenos forjados). Como saber se há misticismo: somente com informação esotérica precisa (como ensinado na Gnose e nos livros milenares das tradições) ou com vivência própria, investigação individual e objetiva. Já uma experiência mística é o que tratamos neste artigo, vivenciadas por pessoas que se prepararam para a revelação divina, se purificaram para isso, não agem com o ego (desejo, apego, ilusão, medo, ambição, fé cega), mas sim conectam-se (religare) com sua própria Divindade Interior para, com ela e através dela, beberem das límpidas e luminosas fontes da Divindade Exterior ou Cósmica. Por confundirem essas duas palavras e fenômenos é que muitos charlatães proliferam pelo mundo, vendendo fenômenos de aparições, obsessores, contatos com os mortos, falsos santos, seres extraterrestres falsos etc. Mas voltemos à nossa luminosa jornada Mística dos Grandes Seres… Joana d’Arc ouviu uma voz que a conduziu a uma missão corajosa aos 16 anos, que mudaria a história da França. Você já ouviu a Voz do Divino para tomar uma grande decisão ? Francisco de Assis abandonou riquezas e privilégios após ouvir o chamado do Cristo em São Damião. Você já abandonou algo material para optar pela luz do espírito da Paz ? Clara de Assis viveu profundas experiências de contemplação e devoção ao Pai Interno. Você já ouviu a Voz de seu Sábio e Carinhoso Ancião Interior ? Hildegard von Bingen recebeu a ordem de registrar suas visões e tornou-se uma das maiores sábias da Idade Média. Você já compartilhou com outros tuas gotas internas de amor recebido ? Rumi converteu a dor da perda em amor universal e poesia espiritual. Você já se emocionou com o perfume do amor exalado numa bela poesia ? Yeshe Tsogyal abandonou a vida de princesa para tornar-se uma das maiores mestras iluminadas do Tibete. Você já se desapegou de algo materialmente grande para construir o imensamente espiritual ? No Oriente, Milarepa transformou uma vida marcada pela vingança em um caminho de iluminação e compaixão. A tradição tibetana relata que Milarepa manifestou diversos siddhis ou poderes espirituais, como levitação, projeção consciente, clarividência, domínio sobre os elementos da natureza e viagens aos mundos celestiais. Entretanto, esses fenômenos eram considerados apenas consequências secundárias do desenvolvimento interior. Para os grandes mestres do Tibete, o verdadeiro siddhi é o Samadhi — o estado de profunda absorção meditativa que conduz à Iluminação. Mais importante do que qualquer poder extraordinário foi o que na Gnose se chama de Despertar da Consciência com o desenvolvimento de Kundalini, que o levou a libertar-se do ódio, do apego e da ignorância. Você já parou alguns minutos para meditar no perdão e na compaixão, essas forças libertadoras de todos e de tudo ? Comece por quem você acredita que mais te magoou. Tudo ilusão… Sob a ótica gnóstica, observa-se que os grandes místicos da humanidade manifestaram, em diferentes graus e segundo suas próprias tradições, os Três Fatores da Revolução da Consciência ensinados por Samael Aun Weor: a morte psicológica, o nascimento espiritual e o sacrifício pela humanidade. A análise de suas vidas sugere que os Três Fatores não constituem apenas um ensinamento teórico da Gnose, mas uma lei universal presente no caminho de realização dos grandes iniciados de todas as épocas. Os três Fatores de Revolução da Consciência são verdadeiras senhas que abrem as portas dos céus interiores, através dos quais podemos adentrar os Céus Celestiais e Universais. Além dos relatos históricos e espirituais desses grandes mestres, a Gnose oferece uma chave para compreender como surgem os estados místicos mais elevados. Samael Aun Weor ensina que o desenvolvimento das faculdades espirituais exige paciência, perseverança, fé, castidade consciente (científica – não perder a energia criadora, sexual), caridade e profundo amor pela humanidade. Segundo ele, os verdadeiros poderes místicos não são dons concedidos arbitrariamente, mas frutos de um longo processo de transformação interior. Em sua obra Magnus Opus, Samael afirma que é necessário educar, desenvolver e fortalecer os poderes da alma por meio da disciplina espiritual e do trabalho consciente sobre si mesmo. As virtudes do coração e a perseverança no caminho são apresentadas como condições indispensáveis para o despertar das faculdades superiores da consciência. Segundo os ensinamentos gnósticos, a energia criadora, quando transmutada e sublimada, converte-se em força espiritual, inspiração, sabedoria e êxtase místico. Os Vedas chamam essa força divina de Kundalini. O que normalmente se manifesta como impulso biológico pode transformar-se em consciência desperta, amor universal e experiência direta do real. Samael Aun Weor explica que o despertar espiritual costuma ser acompanhado por diferentes estados místicos, entre eles a alegria espiritual (Ananda), a hipersensibilidade psíquica (Kampan), os desdobramentos conscientes e experiências nos mundos superiores (Utthan), os intensos anelos divinais (Ghurni), os estados naturais de relaxamento meditativo (Murcha) e, finalmente,

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Tiradentes como arquétipo da Liberdade Psicológica: Consciência e Paz, “ainda que tardias”

O dia 21 de abril não é apenas uma recordação histórica, mas um chamado à Consciência. Neste dia, recordamos a morte de Tiradentes, executado em 1792 por sua participação na Inconfidência Mineira; um movimento que, externamente, buscava a libertação da capitania de Minas Gerais do domínio português, mas que, em um nível mais profundo, pode nos refletir à luta pela liberdade. No contexto do nosso caminhar espiritual, sua trajetória também nos inspira a refletir sobre outra forma de libertação. Assim como existem lutas contra formas externas de opressão (políticas, sociais e econômicas), há também uma dimensão interior, muitas vezes silenciosa, na qual o ser humano é chamado a libertar-se de si mesmo, através do autoconhecimento e da superação dos condicionamentos e limitações da própria psique. A paz não se constrói apenas fora; pois enquanto o ser humano não compreender e transformar aquilo que gera o conflito em seu interior, continuará projetando desarmonia no mundo. A Inconfidência Mineira foi organizada por integrantes da elite da época; comerciantes, militares, religiosos, escritores e médicos; configurando não apenas um descontentamento econômico, mas também a circulação de ideias que já apontavam para uma ruptura com o modelo vigente. Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, de acordo com as pesquisas mais recentes, não teria sido o homem simples e pobre que muitas vezes se retrata. Vinha de uma família com posses, teve vários irmãos e enfrentou, ainda jovem, a perda dos pais, o que o levou a construir sua própria trajetória. Transitava entre diferentes funções e saberes; foi tropeiro, militar e também conhecedor de práticas de cura, incluindo a habilidade mais conhecida de cuidar dos dentes. Ao longo do Caminho Novo, estrada que ligava o Rio de Janeiro às regiões mineradoras, tornou-se conhecido tanto por sua atuação quanto por seus conhecimentos medicinais, utilizando ervas e tratamentos práticos para aliviar o sofrimento das pessoas. Assim, não era apenas um homem de ideias, mas um homem de ação e de serviço. Embora Tiradentes não tenha sido o único envolvido na Inconfidência, e diversos participantes tenham sido inicialmente condenados à morte, apenas ele teve sua pena efetivamente executada. Assumiu sua participação, não recuou e permaneceu firme até o fim. Foi enforcado, esquartejado e exposto como exemplo. Durante muito tempo, foi considerado traidor, em face do ponto de vista dos colonizadores portugueses; sua memória foi marcada por essa visão. Com o passar dos anos, especialmente após a Proclamação da República, sua imagem foi ressignificada e elevada à condição de mártir. Sua trajetória passou a refletir um arquétipo profundo; o do sacrifício consciente; um homem traído, abandonado em sua causa no plano material, submetido à morte pública, e que não nega aquilo em que acredita. Como Sócrates, Jesus e Giordano Bruno, Tiradentes não abjurou (desistiu, negou) de suas ideias. Não se trata de igualar Tiradentes a Jesus, como motivou a história depois através de obras e livros, mas de reconhecer que o princípio do sacrifício se manifesta em diferentes momentos da história. O Cristo, na visão gnóstica, é um princípio universal que se expressa sempre que alguém permanece fiel à verdade, mesmo diante da dor e da perda. E o Cristo, em todas as culturas em que essa força cósmica redentora se manifestou, também é sempre exemplo de serviço, de sacrifício, de entrega pelo bem comum. Na maioria das vezes é taxado de revolucionário e sacrificado pelos fanáticos ignorantes da época. É nesse ponto que a reflexão pode ser transcendida à luz da Gnose. Samael Aun Weor, profundo conhecedor da história das civilizações desse nosso mundo, afirmou “O problema do mundo é o problema do indivíduo. Se o indivíduo não tem paz em seu interior, a sociedade, o mundo, viverá inevitavelmente em guerra.” Também afirmou: “Enquanto existir dentro de cada indivíduo o ódio, a cobiça, a inveja, os ciúmes, a ira, o orgulho etc., haverá guerras inevitavelmente.” O ego é nosso opressor, que nos explora e ainda cobra impostos (rouba energias) de forma injusta. Por isso devemos ser rebeldes e nos insurgirmos contra esta tirania exangue, para buscar liberdade e paz, (“ainda que tardiamente” como até hoje ressoa na bandeira do estado de Minas Gerais) rompendo com os grilhões… custe o que custar. O ego é quem nos rouba o ouro da consciência (a leva para longe, aliena) e ainda nos cobra o quinto com violência… Sem acusar povos ou períodos históricos específicos, podemos perceber que dinâmicas de dominação, exploração, controle e violência se repetem ao longo da história da humanidade, em diferentes formas e contextos. No campo da psicologia gnóstica, esse mesmo padrão pode ser observado no interior do próprio ser humano. Essa leitura não substitui a história, mas a amplia. A luta pela liberdade, portanto, não se limita ao campo externo. Ela também se manifesta como um processo interior, no qual o ser humano é chamado a reconhecer suas próprias limitações e a trabalhar sobre elas. Assim, Tiradentes não nasceu herói. Foi acusado de traidor, preso como rebelde, condenado como criminoso, executado como exemplo e silenciado como ameaça. Somente depois foi elevado à condição de símbolo. E isso revela algo essencial; a história externa pode mudar, pode ser reinterpretada, mas o significado interior permanece para aqueles que buscam compreender através da Consciência, e não do Ego. Com este texto, além da homenagem àqueles que lutam pela liberdade da humanidade, a verdadeira questão proposta não está apenas no passado, mas no nosso presente; não apenas na vida de personagens históricos, mas em nossa própria vida. O que estamos construindo dentro de nós? O homem comum ergue templos de pedra; os homens e mulheres despertos para o Divino constroem o templo interior. E essa construção exige consciência, disciplina e sacrifício; o sacrifício do ego, das ilusões e de tudo aquilo que nos mantém adormecidos. Tiradentes, dentro de sua realidade, viveu algo desse princípio. Por isso, mais do que um personagem histórico, tornou-se símbolo. Por isso é uma das figuras mais representadas em nosso país; em estátuas, pinturas, livros, moedas, cédulas, poemas e músicas. Por fim, todo símbolo verdadeiro permanece vivo

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As Profundidades do Ser: explorando a Personalidade, o Ego e a Consciência Espiritual – as visões da Gnose e da Psicologia Acadêmica

As Profundidades do Ser: explorando a Personalidade, o Ego e a Consciência Espiritual – as visões da Gnose e da Psicologia Acadêmica A interação entre personalidade, ego e consciência forma um dos aspectos mais complexos e profundos do caminho psicológico e também espiritual.É importante compreendermos que em termos de psicologia, os estudos gnósticos e acadêmicos oficiais não são opostos, mas sim complementares.Por possuírem conceitos diferentes e com objetivos distintos nas duas psicologias (acadêmica e gnóstica), Personalidade-Ego-Consciência devem ser bem compreendidos para que possamos bem trabalhar com eles.A psicologia acadêmica oficial, em suas várias vertentes, normalmente trabalha com a orientação e a terapia que busca o bem-estar das pessoas, objetivando uma vida tranquila, produtiva e saudável.  Para isso usa técnicas como o estudo do comportamento, o diagnóstico e tratamento de doenças e distúrbios, e o acompanhamento psicológico.Por isso, em termos gerais, podemos dizer que a psicologia acadêmica moderna não tem como foco o desenvolvimento espiritual, o despertar da consciência ou “Nous”, como diziam os antigos filósofos gregos quando exaltavam a necessidade da busca da virtude além deste mundo sensorial horizontal e social.Em outra linha, mais ampla, a psicologia gnóstica é voltada para o desenvolvimento integral do ser humano, partindo da parte espiritual para a mais densa. E para isso na gnose são utilizadas técnicas mais profundas e, digamos, trabalhosas, como a meditação, técnicas psicológicas ativas como a auto-observação e a transformação de impressões, a alquimia sexual, o estudo das vidas passadas e a devoção.A Gnose tem sua busca psicológica na via vertical, na vida espiritual, sem, obviamente, esquecer do necessário bem-estar e saúde neste mundo psíquico horizontal mais palpável em que todos vivemos.Por isso que o mestre gnóstico contemporâneo Samael Aun Weor assevera em seu maravilhoso livro “Tratado de Psicologia Revolucionária”:“Encontramo-nos pois, de instante em instante, diante de dois caminhos: o Horizontal e o Vertical.É visível que o Horizontal é muito concorrido, por ele andam “Vicente e toda a gente”, “Dom Raimundo e todo mundo”…É evidente que o vertical é diferente; é o caminho dos rebeldes inteligentes, dos revolucionários. (…)Quando alguém recorda de si mesmo, quando trabalha sobre si mesmo, quando não se identifica com todos os problemas e penas da vida, de fato vai pelo caminho vertical.O Trabalho sobre si mesmo é a característica fundamental do caminho vertical. Ninguém poderia pisar o Caminho da Grande Rebelião (contra si mesmo), se jamais trabalhasse sobre si mesmo. O Trabalho ao qual estamos nos referindo é de tipo psicológico; trata-se de certa transformação do momento presente que nos encontramos.Necessitamos aprender a viver de instante em instante.” Ao compreender conceitos psicológicos como personalidade, ego e   consciência através de uma perspectiva gnóstica, somos encorajados a ultrapassar as limitações tradicionais e explorar a imortalidade da essência verdadeira.A conquista desse entendimento permite não só um impacto pessoal duradouro, mas também a capacidade de promover mudanças significativas no mundo.Passemos então à análise gnóstica desses três importantes conceitos da psicologia. A Personalidade A personalidade é muitas vezes vista como uma expressão única e imutável de quem somos.No entanto, aprofundando-se nas abordagens espirituais de Samael Aun Weor e Annie Besant, percebemos a personalidade como uma máscara temporária, desprovida da permanente essência da alma. Este conceito revela camadas de complexidade sobre nossa identidade e o que realmente nos compõe, oferecendo uma nova perspectiva para a transformação pessoal.Para o mestre gnóstico Samael Aun Weor, a personalidade é uma estrutura transitória, criada e fortalecida nos primeiros anos de vida. Após a morte, diz ele, essa personalidade se desintegra, revelando sua natureza efêmera. A teósofa Annie Besant complementa essa visão ao descrever a personalidade como uma “roupagem mortal”, uma expressão passageira que não reflete a eternidade do Ser. Essencialmente, tanto Weor quanto Besant veem a personalidade como algo horizontal, desta vida, distinta da psicologia acadêmica, algo para ser transcendido no caminho espiritual.Weor argumenta que nossos múltiplos “Eus” (defeitos psicológicos) se manifestam através da personalidade, utilizando-a como um meio de interação para fortalecer o ego. A personalidade, assim, se torna uma barreira a ser superada para que a essência genuína possa emergir. Ele propõe práticas como a auto-observação e a meditação como meios para dissolver o ego e permitir esse despertar.Annie Besant apresenta a personalidade como parte dos aspectos temporários do ser humano, coabitando com o corpo físico, astral e mente inferior. Para ela, esses elementos transitórios não expressam nossa verdadeira identidade, mas são necessários na jornada terrena. A essência do Ser transcende essa manifestação, pertencendo ao domínio das esferas eternas e divinas.Contrastando essa abordagem, a psicologia acadêmica moderna observa a personalidade como dividida entre o Id, Ego e Superego, todos interagindo dentro do contexto de uma única vida. Essa perspectiva não considera o conceito de reencarnação ou a existência de vidas passadas e futuras.A distinção entre personalidade, ego e essência na abordagem gnóstica apresenta uma jornada transformativa para aqueles que buscam autoconhecimento e evolução espiritual.Enquanto a psicologia tradicional nos limita a uma visão linear e única da vida, desta existência, a perspectiva espiritual gnóstica nos encoraja a ver além das manifestações temporárias e a focalizar nas virtudes eternas que habitam em nós.Weor e Besant nos levam a considerar a personalidade não como uma definição estática de quem somos, mas como uma ferramenta passageira que nos auxilia na vida terrena. Na gnose, é feita uma clara distinção entre os aspectos positivos da psique (virtudes) e os negativos (egos), propondo uma autotransformação que liberta a consciência das ilusões do ego.A prática da auto-observação, da transformação de impressões e a meditação são elementos essenciais para aqueles que desejam trilhar esse caminho. Dessa forma, a alquimia sexual (sexo espiritual amoroso e transmutatório entre esposo e esposa), combinada com a devoção aos princípios divinos e o serviço à humanidade, se torna a chave para a verdadeira transformação interna.A jornada de compreender e transcender a personalidade, conforme ensinada por Samael Aun Weor e Annie Besant, oferece um caminho profundo para a evolução espiritual.Superando a visão limitada de uma única existência, somos convidados pela Gnose a explorar as profundezas de nossa essência eterna e a abraçar as práticas que nos

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A Filosofia Grega e a Moderna Gnose – 7 Grandes Sábios

A FILOSOFIA GREGA E A MODERNA GNOSE – 7 GRANDES SÁBIOS A Filosofia Gnóstica:Na filosofia, a Gnose é compreendida como uma ciência que está além do pensamento meramente superficial, sendo considerada o conhecimento por excelência (revelação), originado da reflexão profunda e da intuição apurada.Na Filosofia Gnóstica, que caminha sempre junto da Ciência, da Arte e da Mística, podemos encontrar respostas fundamentais para explicar o propósito da existência e a busca sobre quem somos, de onde viemos e para onde iremos.Por meio do Gnosticismo é possível compreender que a filosofia não se ocupa apenas do senso crítico e racional, mas também e principalmente da análise do intelecto e do sentir do coração, objetivando a vivência dos conceitos e o verdadeiro despertar da consciência.A Gnose grega antiga partia da percepção espiritual e cósmica transcendente, oriunda de uma busca pessoal e iluminada. Tratava-se da ‘ciência da alma’, que decifrava a ordem do Todo ao identificar o homem como um microcosmo do universo. Essa sabedoria era vivenciada de forma integrada, unindo as esferas divina e terrena, o macro e o microcosmo.Para os pensadores da Antiga Grécia, a Gnose não era meramente teórica, mas um conhecimento superior e vivencial que se distinguia radicalmente dos saberes vulgares. Os diferentes níveis de conhecimento humano:Na Grécia se distinguiam vários tipos de “pensamento” ou de posicionamento pessoal: o mais superficial deles (“Doxa”) era a mera crença, sem estudos profundos ou comprovação, apenas se aceita por dogmas o que uma “autoridade” diz; num segundo nível temos a “Episteme”, que parte da análise meramente reflexiva, lógica, racional; num terceiro e mais elevado nível, alcançado por pouquíssimos, temos a “Gnosis”, que é o conhecimento vivenciado e recebido por revelação (conquista interior).Por isso que os gregos personificavam a Gnosis numa divindade, Sophia, a Deusa da Sabedoria e símbolo da Alma que anela por sua redenção, que busca sua autorrealização. Sophia virou, aliás, sinônimo de sabedoria, daí a origem da palavra filosofia, literalmente “amor à sabedoria”.Em uma linguagem atual podemos dizer que à Doxa se alinham as pessoas que seguem apenas textos rápidos e superficiais, irrefletidos, muitas vezes propagados por influenciadores, com interpretações religiosas tendenciosas, redes sociais manipuladoras e monetistas, estendendo-se até a cidadãos que se polarizam em uma ideologia, ignorando o diálogo e a liberdade de pensar do outro.Já em episteme temos os pensadores científicos, aqueles que seguem cegamente o que uma (muitas vezes rasa) análise lógica indica, ignorando muitas vezes a filosofia e a mística, a intuição.Entretanto, o piso mais elevado do edifício do conhecimento humano, a Gnosis (sabedoria conquistada, revelada e vivenciada), somente sobrevive em escolas iniciáticas que ensinam o verdadeiro trabalho profundo sobre si, como as instituições gnósticas que seguem a releitura moderna da Gnose Grega estruturada por Samael Aun Weor.Sobre este aspecto, Samael cita literalmente em seu livro Educação Fundamental: “Nas antigas escolas de mistérios da Grécia, Egito, Roma, Índia, Pérsia, México, Peru, Assíria, Caldeia etc., a psicologia sempre esteve ligada à Filosofia, à Arte objetiva Real, à Ciência e à Religião.”Por isso é possível constatarmos como a Gnose fundamentou e influenciou as ideias de renomados pensadores como Pitágoras, Heráclito, Platão, Empédocles, Aristóteles, Epicuro e Hipátia.Ao interpretar as ideias desses luminares do pensamento filosófico ocidental, torna-se possível verificar que a base fundamental de tais pensamentos é o conhecimento gnóstico, revelado, muito além da doxa e da episteme.Para uma maior ilustração do assunto, citaremos a seguir as principais ideias desses célebres personagens da filosofia grega, correlacionando suas teorias com o estudo e a vivência da Gnose moderna de Samael Aun Weor. A conexão entre o pitagorismo e a Gnose fundamenta-se no dualismo psicofísico (alma versus corpo), na imortalidade da alma e na numerologia sagrada como via para a harmonia cósmica. Essa convergência torna-se evidente na busca por um método de purificação místico-intelectual; assim como Pitágoras, a gnose valoriza a experiência direta dos fenômenos universais como ferramenta essencial para o despertar da consciência.Pitágoras também conectava a matemática e a música, como fazem os modernos gnósticos com o estudo da arquitetura sagrada e do poder de vibração dos mantras ou palavras de poder.  Para Heráclito Deus não tinha a aparência de um homem nem de outro animal qualquer. Em seu pensamento, Deus não era nem criador, nem onipotente. Para ele, Deus não é uma figura antropomórfica, mas a unidade suprema na diversidade, o “Logos” (razão universal) que governa a constante transformação do cosmos.Em Heráclito vemos modernamente, como com Jung, o conceito da divindade gnóstica de Abraxas, que concebe ao mesmo tempo Luz e Trevas, Bem e Mal, movimento e inércia, criação e absorção. Isso contrasta muito da visão limitada de um Deus Antropomorfizado (na figura humana), apenas bom e de um Diabo sempre mau. Todos fazem parte de um mesmo movimento de razão universal, sempre buscando o discernimento e a evolução do cosmos e do ser humano. Platão, grande filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, defendia a existência de dois mundos distintos: O mundo invisível (material, imperfeito e percebido pelos sentidos) e o mundo das ideias (eterno, imaterial e perfeito). Para Platão a verdadeira realidade e o conhecimento seguro residem no mundo das ideias, acessível apenas pela razão, enquanto o mundo sensível é apenas uma cópia imperfeita. Platão buscava transmitir uma profunda fé na razão e na verdade.Além do mundo das ideias podemos citar o mito da caverna que ilustra a jornada do conhecimento onde a maioria da humanidade vive na ignorância, confundindo as aparências (as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna) com a realidade (o mundo real e externo à caverna), enquanto quem desperta sai da caverna e contempla a luz da verdade. Ilustração clássica onde os prisioneiros (humanos) veem sombras (coisas físicas) na parede, acreditando ser a única realidade, sem enxergar as formas verdadeiras no mundo exterior.Na visão de Platão, as almas pertencem ao Mundo Inteligível ou Mundo das Ideias (real, imutável, eterno, etc.). As ideias têm uma realidade objetiva, substancial, são o modelo ideal (arquétipos) de todas as coisas que existem no Mundo Sensível, com base nas quais as coisas foram criadas ou tendem a

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Título

O que é GNOSE?

A Associação Gnóstica de Brasília – AGB é uma instituição civil sem fins lucrativos, que objetiva divulgar a gnose moderna reestruturada por Samael Aun Weor, filósofo, antropólogo e cientista colombiano radicado no México, com mais de 80 livros editados em 70 países. 

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