A cura gnóstica da mulher através da relação com o pai: O valor simbólico e material da presença do pai biológico na vida de uma filha
Na Psicologia Gnóstica, o pai biológico não é apenas uma figura social ou familiar. Ele representa, para a filha, o primeiro contato com o princípio do Primeiro Logos, aquele que estrutura, sustenta e dá forma à vida no mundo concreto.
Simbolicamente, o pai é o arquétipo da Lei que protege, da força que orienta assim como da confiança que autoriza a filha a existir.
Quando essa presença é viva, ainda que imperfeita, ela cria na psicologia feminina uma base profunda de segurança ontológica: “eu posso estar no mundo”.
Essa autorização silenciosa é decisiva.
Enquanto a mãe a introduz no campo do afeto, do cuidado e da vida emocional, o pai cumpre a função simbólica de mediar a filha com o mundo externo: trabalho, realização, limites, responsabilidade e construção.
Por isso, a presença do pai não é apenas emocional como também é material.
É através do olhar do pai que muitas filhas podem se reconhecer, ainda crianças, como com fundamentos essenciais para sua vida adulta como: dignidade de respeito, capacidade de construir, merecimento de apoio, aptidão para ocupar espaço.
Quando esse olhar é de reconhecimento, mesmo em meio a falhas humanas, ele se transforma numa força interna permanente, que acompanha a mulher ao longo da vida como coragem, autonomia e capacidade de enfrentar adversidades.
Percebe-se contudo, que quando o pai está ausente, omisso ou quando sua presença é interrompida precocemente, não é apenas a figura humana que se perde. Perde-se também — ou fragiliza-se — o princípio estruturante no psiquismo da filha.
Isso pode gerar, ao longo da vida:
- dificuldade em sentir-se sustentada,
- medo inconsciente de perder apoio,
- tendência a buscar validação em figuras masculinas,
- sensação recorrente de estar “em prova” diante do amor.
Não se trata de culpa, mas de compreensão iniciática: o inconsciente busca restaurar o que foi quebrado simbolicamente.
O legado que permanece além da morte ou das falhas
Quando um filho/filha guarda uma visão consciente do pai, este jamais será reduzido aos seus erros.
O que verdadeiramente permanecerá será o legado essencial: a força transmitida, a inteligência herdada, a coragem de existir.
Mesmo quando o pai falha materialmente, deixa pendências ou imperfeições, a filha pode, através da voz da Consciência, separar o homem psicológico do princípio paterno que a formou. Essa independência é libertadora pois a filha já não depende mais de provas externas para existir. Ela carrega em si a estrutura que recebeu.
Assim, o caminho gnóstico não é o da negação nem da idealização, mas o da integração consciente. Curar a relação com o pai é, portanto:
- honrar o que foi recebido,
- reconhecer o que faltou,
- dissolver o ressentimento sem apagar a verdade e
- resgatar o arquétipo paterno como força interna.
Quando isso acontece, a mulher deixa de buscar sustentação fora e passa a emanar solidez por dentro. Ela não pede autorização para ser alguém. Ela simplesmente “É”.
Já a ausência ou o abandono do pai biológico, enquanto não compreendidos, pode gerar, na mulher, egos ligados ao medo de não ser digna, à necessidade de provar valor e ao temor do abandono. Na Gnose, a cura não ocorre pela substituição do pai ausente, mas pela separação entre o homem que falhou e o Arquétipo do Pai Interno, ou seu Real Ser.
Ao observar esses egos e fortalecer o reconhecimento e contato com o Pai Interno por meio da Consciência, a mulher deixa de buscar validação externa e passa a amar e vincular-se sem se anular. O abandono perde poder sobre o presente quando ela compreende que não precisa ser escolhida para existir, sentindo-se sustentada pelo próprio Ser.
Da mesma forma, a sexualidade feminina não se desenvolve apenas no plano físico ou afetivo; ela nasce também da base simbólica que o pai oferece. Quando a presença do pai é viva, mesmo que imperfeita, a filha internaliza confiança, dignidade e segurança para ocupar seu próprio corpo e seu espaço sexual sem culpa ou medo. Ela aprende a diferenciar amor, desejo e respeito, estabelecendo limites claros e sentindo-se merecedora de experiências saudáveis.
Quando o pai está ausente, omisso ou crítico, a sexualidade pode se condicionar ao medo de rejeição, à necessidade de prova ou à insegurança sobre merecimento. E a cura gnóstica neste caso também surge ao reconhecer o Pai Interno: a mulher passa a sustentar seu próprio corpo, desejo e prazer como extensão do Ser, sem depender da validação externa, transformando sua sexualidade em força Consciente e transformadora. Em um sentido mais transcendente, aprofundado nas aulas de Sexualidade Sagrada do Curso de Gnose, o sexo também pode assumir um espaço espiritual na vida da mulher, funcionando como ponte que a eleva ao contato com seu Real Ser.
Como verdade iniciática final, pode-se dizer que a filha que reconhece o valor simbólico e material do pai biológico não o aprisiona na memória, mas sim o transcende.
Ela compreende que o pai que estruturou o mundo dentro dela continua vivo na forma como ela constrói a própria vida. E esse é um dos maiores atos de Consciência que uma mulher pode realizar em sua jornada espiritual.
Por isso é tão importante que além do contato essencial com nossa Mãe Divina Particular, que nos aproximemos e apoiemos em nosso Real Ser: o poderoso, inominável e misericordioso Deus que habita em nós!
(Alessandra Espineli, filha e engenheira civil como seu pai Vicente (in memoriam), esposa de Sérgio, irmã e mãe, estudiosa dos mistérios do Eterno Masculino de Deus e dedicada a ajudar mulheres no Despertar da Consciência.)





