Experiências Místicas: O Que os Grandes Mestres da Humanidade têm a nos Ensinar?
Ao longo da história, homens e mulheres de diferentes culturas e tradições relataram experiências espirituais profundas que transformaram completamente suas vidas. Percorreram caminhos distintos, mas deixaram um ensinamento em comum: a verdadeira espiritualidade nasce de uma transformação radical interior e profunda.
Na visão gnóstica, a mística não se limita em crenças, dogmas ou teorias. Trata-se da busca pela experiência direta da realidade espiritual, alcançada através da investigação consciente das dimensões mais profundas do ser humano e do despertar das potencialidades latentes da alma.
As experiências místicas não são vistas como fantasia ou imaginação, mas como estados reais de percepção espiritual capazes de transformar profundamente o indivíduo. Ao estudarmos os grandes místicos da humanidade, percebemos que suas experiências não tinham como objetivo principal a obtenção de fenômenos extraordinários, mas a conquista da sabedoria, da compaixão, da coragem e da união com Deus.
Mas aqui surge o risco e também a necessidade de uma diferenciação: MISTICISMO é uma coisa e MÍSTICA é outra coisa, diferente.
Uma experiência misticóide (ligada ao misticismo, literalmente “oide=com forma de”) pode estar baseada em alucinações (provocadas pelo ego, pela fé cega e fanática e mesmo por “drogas sagradas”, por exemplo), ou mesmo ter origem no charlatanismo ou equívoco sincero (pessoas que de boa-fé, acreditam em fenômenos forjados). Como saber se há misticismo: somente com informação esotérica precisa (como ensinado na Gnose e nos livros milenares das tradições) ou com vivência própria, investigação individual e objetiva.
Já uma experiência mística é o que tratamos neste artigo, vivenciadas por pessoas que se prepararam para a revelação divina, se purificaram para isso, não agem com o ego (desejo, apego, ilusão, medo, ambição, fé cega), mas sim conectam-se (religare) com sua própria Divindade Interior para, com ela e através dela, beberem das límpidas e luminosas fontes da Divindade Exterior ou Cósmica.
Por confundirem essas duas palavras e fenômenos é que muitos charlatães proliferam pelo mundo, vendendo fenômenos de aparições, obsessores, contatos com os mortos, falsos santos, seres extraterrestres falsos etc.
Mas voltemos à nossa luminosa jornada Mística dos Grandes Seres…
Joana d’Arc ouviu uma voz que a conduziu a uma missão corajosa aos 16 anos, que mudaria a história da França. Você já ouviu a Voz do Divino para tomar uma grande decisão ?
Francisco de Assis abandonou riquezas e privilégios após ouvir o chamado do Cristo em São Damião. Você já abandonou algo material para optar pela luz do espírito da Paz ?
Clara de Assis viveu profundas experiências de contemplação e devoção ao Pai Interno. Você já ouviu a Voz de seu Sábio e Carinhoso Ancião Interior ?
Hildegard von Bingen recebeu a ordem de registrar suas visões e tornou-se uma das maiores sábias da Idade Média. Você já compartilhou com outros tuas gotas internas de amor recebido ?
Rumi converteu a dor da perda em amor universal e poesia espiritual. Você já se emocionou com o perfume do amor exalado numa bela poesia ?
Yeshe Tsogyal abandonou a vida de princesa para tornar-se uma das maiores mestras iluminadas do Tibete. Você já se desapegou de algo materialmente grande para construir o imensamente espiritual ?
No Oriente, Milarepa transformou uma vida marcada pela vingança em um caminho de iluminação e compaixão. A tradição tibetana relata que Milarepa manifestou diversos siddhis ou poderes espirituais, como levitação, projeção consciente, clarividência, domínio sobre os elementos da natureza e viagens aos mundos celestiais. Entretanto, esses fenômenos eram considerados apenas consequências secundárias do desenvolvimento interior. Para os grandes mestres do Tibete, o verdadeiro siddhi é o Samadhi — o estado de profunda absorção meditativa que conduz à Iluminação. Mais importante do que qualquer poder extraordinário foi o que na Gnose se chama de Despertar da Consciência com o desenvolvimento de Kundalini, que o levou a libertar-se do ódio, do apego e da ignorância. Você já parou alguns minutos para meditar no perdão e na compaixão, essas forças libertadoras de todos e de tudo ? Comece por quem você acredita que mais te magoou. Tudo ilusão…
Sob a ótica gnóstica, observa-se que os grandes místicos da humanidade manifestaram, em diferentes graus e segundo suas próprias tradições, os Três Fatores da Revolução da Consciência ensinados por Samael Aun Weor: a morte psicológica, o nascimento espiritual e o sacrifício pela humanidade. A análise de suas vidas sugere que os Três Fatores não constituem apenas um ensinamento teórico da Gnose, mas uma lei universal presente no caminho de realização dos grandes iniciados de todas as épocas.
Os três Fatores de Revolução da Consciência são verdadeiras senhas que abrem as portas dos céus interiores, através dos quais podemos adentrar os Céus Celestiais e Universais.
Além dos relatos históricos e espirituais desses grandes mestres, a Gnose oferece uma chave para compreender como surgem os estados místicos mais elevados.
Samael Aun Weor ensina que o desenvolvimento das faculdades espirituais exige paciência, perseverança, fé, castidade consciente (científica – não perder a energia criadora, sexual), caridade e profundo amor pela humanidade. Segundo ele, os verdadeiros poderes místicos não são dons concedidos arbitrariamente, mas frutos de um longo processo de transformação interior.
Em sua obra Magnus Opus, Samael afirma que é necessário educar, desenvolver e fortalecer os poderes da alma por meio da disciplina espiritual e do trabalho consciente sobre si mesmo. As virtudes do coração e a perseverança no caminho são apresentadas como condições indispensáveis para o despertar das faculdades superiores da consciência.
Segundo os ensinamentos gnósticos, a energia criadora, quando transmutada e sublimada, converte-se em força espiritual, inspiração, sabedoria e êxtase místico. Os Vedas chamam essa força divina de Kundalini. O que normalmente se manifesta como impulso biológico pode transformar-se em consciência desperta, amor universal e experiência direta do real.
Samael Aun Weor explica que o despertar espiritual costuma ser acompanhado por diferentes estados místicos, entre eles a alegria espiritual (Ananda), a hipersensibilidade psíquica (Kampan), os desdobramentos conscientes e experiências nos mundos superiores (Utthan), os intensos anelos divinais (Ghurni), os estados naturais de relaxamento meditativo (Murcha) e, finalmente, o sono consciente que conduz ao Shamadi ou êxtase espiritual (Nidra).
Apesar das diferenças culturais, religiosas e históricas, todos esses exemplos apontam para uma mesma realidade: o ser humano possui a capacidade de transcender suas limitações psicológicas e aproximar-se conscientemente de sua origem espiritual.
Da mesma forma as experiências místicas não pertencem apenas ao passado nem são privilégio de poucos escolhidos. Elas representam possibilidades reais para aqueles que se dedicam ao caminho da iluminação.
Os grandes mestres da humanidade demonstram, por meio de suas próprias vidas, que o caminho espiritual não consiste em fugir do mundo, mas em compreender a si mesmo, eliminar os defeitos psicológicos, desenvolver as virtudes da alma e viver de forma cada vez mais consciente. E tudo para uma só coisa: servir a humanidade, caridade universal, cooperação com o Plano Divino.
As experiências místicas continuam inspirando buscadores de todas as épocas porque revelam uma verdade universal: existe dentro de cada ser humano um potencial espiritual ainda desconhecido, uma centelha divina capaz de despertar para manifestar as partes de Seu Ser.
Dentro de nós há uma partícula de uma Joana d’Arc, um Francisco de Assis e uma Clara de Assis, uma Hildegard von Bingen, um Rumi, uma Yeshe Tsogyal e um Milarepa aguardando para nascer. Como Luzes Universais, todos esses seres têm suas chispas dentro de nós, por suas Virtudes Luminosas.
Mais importante do que admirar os grandes mestres é compreender a mensagem que suas vidas nos transmitem: a verdadeira transformação começa dentro de nós.
A pergunta que permanece constante é:
Para quê queres se tornar um iluminado ?
A resposta eterna de todos os Mestres:
Para iluminar o mundo !
(Alessandra Espineli é engenheira, executiva formada pela Academia Gnóstica Internacional e instrutora da Associação Gnóstica de Brasília).





