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A História da Gnose

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A história da Gnose é mais antiga do que imaginamos, pois ela provém dos Mistérios que permearam todas as culturas de ouro, como na Caldéia, Pérsia, Mesopotâmia, Egito, Índia, China etc. Cada uma dessas civilizações utilizaram-se da Gnose adaptando-a a sua cultura com uma roupagem própria, simbologias, mitos, aforismos, adágios, etc., mas todas apresentavam sempre a mesma mensagem: de que somos “Deuses em potencial”, ou que “somos a imagem e semelhança de Deus” e devemos fazer consciência disso mediante trabalhos conscientes e voluntários.

Durante os dois primeiros séculos da era Cristã os gnósticos foram taxados de hereges e perseguidos pelo fanatismo. A primeira Cruzada foi formada para combater os gnósticos do sul da França, conhecidos como cátaros ou albigenses.

Valentin, Basílides, Saturnino de Antioquia, Clemente de Alexandria e tantos outros foram perseguidos por suas ideias gnósticas.

“Os gnósticos foram perseguidos como hereges pelo ignorante fanatismo clerical da época, perdendo assim a religião cristã a sua substância esotérica” (Helena P. Blavatski).

Os gnósticos foram perseguidos, reprimidos e mortos não por motivos filosóficos ou religiosos, mas sim por serem uma ameaça à igreja romana institucionalizada.

E eram uma ameaça pelas suas “ideias perigosas” segundo a igreja de Roma. Uma dessas ideias era que “Deus é transcendente e dispensa intermediários”. Se a igreja queria crescer em poder e força, como poderia deixar esta ideia se disseminar entre os devotos, que poderiam não mais buscar a igreja como a casa de Deus e salvação da alma?

Como diz o Mestre Huiracocha, em sua obra “A Igreja Gnóstica”, que os gnósticos não precisam de leis ou dogmas, e sim, de uma senda. E isso contraria as normas da seita católica quando afirma que o corpo de Cristo é formado pelos fiéis e a Igreja Católica espalhada mundo afora. Até o conceito de Criador é diferente entre as duas partes. A Igreja de Roma ainda adota o mesmo conceito dos judeus quando aceitam que Deus e a criatura são distintos entre si.

Neste caso, Deus está lá em algum ponto do universo, observando suas criaturas, condenando uns ao Inferno e oferecendo o Paraíso a outros, lançando raios de ira em nossas cabeças, vingativo, caprichoso e cheio de manhas como uma criança enfadonha. Já os gnósticos concebiam, e ainda são assim, que Deus, o Incriado, o não-formado, o Incognoscível, está escondido dentro de sua própria criação, e que só conseguiremos realizá-lo dentro nós quando erradicarmos de nossa psique os elementos indesejáveis que carregamos e que adormecem nossa Consciência. Assim como predicavam os antigos gnósticos, temos de realizar a Gnose dentro e fora de nós. Aí, sim, poderemos conhecer Deus, face a face, sem morrer.

A segunda ideia ou heresia dos gnósticos aos olhos da igreja da época era que “O que faz o Cristão é sua maturidade espiritual e não o batismo ou a confissão do credo”. Isto era um grande problema para a igreja, pois a maturidade espiritual implica em múltiplos retornos ou em linguagem vulgar “múltiplas encarnações”, e se uma pessoa teria mais chances para salvar sua alma, qual seria então a autoridade da igreja, então institui-se que todos temos somente uma vida, ou existência e se não nos submetermos as regras e aos sacramentos da igreja, perderemos nossa alma. Como um aldeão ou um comerciante poderia ter uma maturidade espiritual maior que um padre por exemplo? Isso era inadmissível para a igreja.

Outra ideia era que “a ignorância, e não o pecado, leva ao sofrimento”. A igreja lutou com todas suas forças para que o povo continuasse ignorante, inclusive não poderiam nem ler a bíblia e ficavam a mercê do que os padres pregavam, não poderiam ter suas próprias conclusões e sim tinham que engolir tudo pronto, tudo que os padres falavam era a pura verdade e ninguém poderia contestar. A igreja jogava toda a responsabilidade do sofrimento no pecado e mediante o medo de perder a alma angariavam mais e mais adeptos.

Os gnósticos diziam ainda que “A alma caída pode chegar a ser um Deus” e essa era a maior de todas as heresias segundo a igreja. Pois, para a igreja institucionalizada, ninguém pode ser deus, ninguém pode ser anjo, arcanjo etc., pois não existe um desenvolvimento espiritual e sim o arrependimento dos pecados. Para a igreja a divindade é uma coisa, é o criador; e os seres humanos são a criação, e a criatura nunca poderá ser o criador.

O homem simplesmente deve se arrepender de seus pecados e aceitar Jesus, assim terá sua alma salva.

E como último exemplo, temos que: “A mulher é divina e pode ser profetisa, mestra e sacerdotisa”.

A igreja destruiu todos os textos que fomentavam a adoração da feminilidade/maternidade de Deus. Era preciso trazer a multidão para dentro da Igreja e prendê-la psicologicamente aos dogmas, prometendo os céus aos convertidos e batizados e jogando aos infernos eternamente aqueles que escolhiam outras formas de adoração à Divindade que não fossem as impostas pela Igreja dominante.

Dentro desses dogmas eclesiásticos também estava claro que a mulher jamais participaria de qualquer ofício sacerdotal que fosse. Nesse caso, Tertuliano, o filósofo, ataca veementemente quando diz:

“Não é permitido a nenhuma mulher falar na igreja, nem é permitido que ensine, ou que batize, ou que ofereça a eucaristia, ou que pretenda para si uma parte de qualquer atribuição masculina – para não falar em qualquer função sacerdotal.”

Em outro texto, continua a indignação de Tertuliano:

“Essas mulheres hereges – como são atrevidas! Carecem de modéstia, e têm a ousadia de ensinar, de discutir, de exorcizar, de curar e, talvez, até de batizar.”

E era exatamente esta a participação das mulheres gnósticas em suas congregações (eclesiásticas); participavam em praticamente todos os ofícios do templo. Os bispos católicos odiavam e acusavam de heresia esses procedimentos femininos. Para a Igreja, o que justificava seu conceito era o fato de acreditarem que Deus era masculino e seu filho, Jesus, também.

Em 1977 o papa Paulo VI, também chamado de Bispo de Roma, declarou que uma mulher não pode ser padre “porque nosso Senhor era homem!” Diante de tal declaração, não são necessários longos comentários para se dizer que a Igreja Católica continua com suas arcaicas e preconceituosas ideias. Portanto, os textos gnósticos ainda desafiam esse preconceito da Igreja dominante.

Segundo a igreja de Roma, a mulher nunca poderia ser divina, pois Deus era homem e Jesus também. Mas os gnósticos sempre elevaram a mulher em seu divino papel de representar o aspecto feminino de Deus.

Mas para que a igreja triunfasse em seus propósito tinham que subjulgar a mulher; então suprimiram todos os cultos Marianos da época em adoração à Maria, mãe de Jesus, transformaram Maria Madalena em um prostituta e demonizaram as mulheres; proibindo-as de participarem que qualquer coisa relacionada a igreja.

Porém com a descoberta dos evangelhos apócrifos em Qumran (no Mar Morto – Palestina) e em Nag Hammadi (Alto Egito) a história está sendo redescoberta e a verdade sobre a cristandade primitiva, tal como era vivida nos tempos de Jesus, está vindo à tona.

As Escolas de Mistérios Maiores sempre existiram no mundo e são representantes da Grande Fraternidade Branca na Terra. Essas escolas cumprem a missão, até os dias de hoje, de formar, ou melhor, iniciar devidamente os Instrutores do mundo de acordo com seu raio de trabalho, para a realização do trabalho na Grande Obra do Pai.

Para não nos distanciarmos muito da questão da cristandade gnóstica, devemos citar apenas que desde muito antes da civilização Atlante estes ensinamentos gnósticos já vinham sendo ensinados e publicados pelas escolas mais antigas. Depois do afundamento da Atlântida, estes ensinamentos continuaram em outros grupos e civilizações, citamos os maias, os incas, os muiscas (da Bolívia), os egípcios etc. Todos eles herdaram seus conhecimentos dos atlantes.

O paganismo, por volta do século 1° a.C., estava em plena fase de decadência. Por exemplo, os sacerdotes e os deuses greco-romanos já não eram mais respeitados e venerados pela população e nem por seus governantes, os quais se divertiam com peças teatrais que desmoralizavam as divindades correntes. O mestre Samael afirma que naquela época os artistas satirizavam em comédias os divinos rituais, imitavam o deus Baco através de uma mulher embriagada ou o caricaturavam como um bêbado pançudo montado em um burro. A deusa Vênus era representada como uma adúltera que andava a procura de prazeres orgásticos.

Nem o deus Marte, o poderoso Deus da Guerra, era respeitado, zombavam dele e o ironizavam. Tal era a decadência do paganismo. Na Europa Ocidental ocorria o mesmo, com a decadência dos ritos druídicos e nórdicos, os quais usavam indiscriminadamente sacrifícios humanos e orgias. Vemos essa mesma decadência também na Pérsia e, enfim, em todos os cantos do Império Romano.

A Cristandade Antes de Jesus (os Essênios)

Jesus sabia que havia uma nova necessidade religiosa para a época, como afirma o mestre Samael, e na região da Palestina, onde veio afirmar sua missão, já existiam algumas Escolas de Mistérios atuantes, mesmo que timidamente. Dentre essas Escolas algumas tomam maior destaque, como os Essênios, os Batistas (Ordem a qual pertencia João), os Nazarenos etc.

Os textos apócrifos atestam a atividade de Jesus entre a casta dos Essênios, que levavam uma vida de restrições materiais. Tinham seus monastérios às margens do Mar Morto. Formavam uma comunidade humilde e esta era uma exigência fundamental para que o candidato fizesse parte da “grei”. Entre os vários procedimentos que deveriam ser praticados pela comunidade, estavam os votos de Pobreza, Castidade (castidade científica – aquela em que há o conúbio sexual entre esposo e esposa sem o derramamento da energia sexual –  muito diferente da abstêmica) e Silêncio, entre outros. No voto de pobreza era exigido que o neófito se despojasse de todos seus bens materiais compartilhando-os com a comunidade, pois, segundo as regras, tudo era de todos e não poderia haver o “meu” e o “teu”.

Quando o candidato queria entrar para a casta essênica lhe era exigido também viver decididamente o voto de silêncio. Para isso, ficava afastado pelos menos algumas centenas de metros da comunidade, apenas observando de longe seus costumes e ritos diários. Dizem os historiadores e pesquisadores dos pergaminhos de Qumran que os essênios viviam de sua própria produção de alimentos. Vestiam-se muito simplesmente com túnicas de linho de algodão brancas – por isso também eram conhecidos como “os anjos do deserto”.

Havia também entre os essênios a prática da cura pela imposição das mãos. Entre outras práticas rituais, era comum entre as comunidades de Qumran “Exercícios com a Energia do Sol”, a Eucaristia, a Santa Unção etc. Aqui não vamos nos aprofundar nestes detalhes, apenas fica a referência para que possamos compreender que os atos de Jesus no evangelho canônico não demonstram nada de novo, ou seja, as cerimônias, as festividades, os ritos Crísticos, a eucaristia etc., não constituem uma invenção dos cristãos para a nova religião que se iniciava. Tudo isso, na verdade, é tão antigo como o mundo. Todos os povos da Terra em seus princípios religiosos de uma maneira ou outra sempre praticaram esta gnose iniciática. Por isso dizemos que a Gnose é o Tronco primordial de onde nasceram os múltiplos “galhos” das religiões de todos os tempos.

Apesar do voto de castidade, não era proibido o casamento entre os adeptos da mesma comunidade. A dedução lógica é que, se o Mestre Jesus foi membro ativo dessa casta, então, a castidade a que se refere não significa ser o celibato repressor que exclui a mulher de sua vida sexual e sim a Castidade Científica, aquela que trabalha com as forças superiores da Magia Sexual, o Arcano AZF dos alquimistas medievais.

Segue abaixo trecho do documentário “A VERDADE” que fala sobre os Essênios:

As ruínas de Qumran revelaram que um grupo considerável de judeus vivia na comunidade. O conteúdo dos Manuscritos do Mar Morto mostra que os autores eram um grupo de sacerdotes que mantiveram uma vida estritamente comunitária dedicada a Deus.

A comunidade de Qumran via-se a si mesmos como os únicos e verdadeiros escolhidos de Israel, chamando-se de “Ordem dos Filhos da Luz”. Só eles seriam fiéis à Lei, as áreas dedicadas aos banhos rituais demonstravam a grande consideração que tinham às águas e que possuía o Segredo do Grande Arcano.

Eles se opunham radicalmente contra o “Sacerdote Cruel”, que pode se identificado como O Grande Usurpador do Templo de Deus: o Anticristo, personificado na legião de demônios que o Rabi da Galileia expulsou do corpo de Maria Madalena. Esta multiplicidade de agregados psicológicos que tornaram a Casa do Senhor um mercado, e que por meio de uma revolução psicológica devemos eliminar, para retornarmos à nossa outrora perdida condição divina, a qual perdemos por meio do pecado original.

A maioria dos estudiosos identificou a Irmandade Qumran como “Os Essênios”, “homens santos”, “piedosos” ou “curandeiros”.

Não há nenhuma referência a eles nem no Antigo, nem no Novo Testamento, mas existe por meio do historiador e cronista Flávio Josejo, Fílon, Plínio e muitos outros, coincidindo todos os elogios sobre sua Regra e o Espírito que as inspirou.

Plínio, o Velho, disse: Os essênios vivem na costa ocidental do Mar Morto. Eles são solitários e superiores ao resto da humanidade. A falta de dinheiro e as palmeiras são a sua única companhia. Renovam-se de contínua misericórdia, graças ao fluxo constante de refugiados que vêm a eles em grande número, homens cansados da existência a quem as vicissitudes da sorte levaram-nos a adotar uma vida assim. Esta aldeia tem sido perpetuada, inacreditavelmente, em um lugar onde ninguém nasce. Muito útil para aumentar esse número é o desgosto de outros homens pela vida.

Fílon, inspirado nos essênios, ilustrou a tese de seu tratado para provar que todo homem bom também é livre. Notas desta comunidade: Há 4.000 essênios vivendo em muitas aldeias da Judéia. Evitam cidades e preferem viver nas aldeias. Eles têm tudo em comum e um administrador faz as compras e lida com dinheiro. Cultivam a terra e se dedicam a ocupações pacíficas. São agricultores, pastores, vaqueiros, artesãos e artífices. Não têm necessidade de fazer instrumentos de guerra, ou de se dedicarem ao comércio. Entre eles não há escravos ou mestres, por estarem convencidos de que a fraternidade humana é a relação natural dos homens. Possuem o dom de prever o futuro, são extremamente limpos e sempre usam branco. Não dão importância ao tempo, nem o usam como desculpa para não trabalharem. Alegram-se das suas tarefas, como quem retorna de uma competição atlética. Os essênios uniram-se por causa de seu zelo pela virtude e pela paixão de seu amor à humanidade.

Josefo escreve: Eles são realmente uma irmandade que tem algo em comum com os pitagóricos. Relacionam prazer com o vício, exercitam-se em temperança e autodisciplina. Os essênios também renunciam à riqueza, comem apenas alimentos suficientes. Usam roupas e sapatos sem nenhum luxo. A maioria deles vive mais de 100 anos e leem os escritos dos antigos. Seu silêncio dá a impressão de um tremendo mistério. Eles argumentam que o corpo é coisa corruptível, mas a alma é imortal. O Espírito emana do mais puro éter, uma magia natural arrasta-o para baixo e prende-o na prisão do corpo; porém, uma vez libertado pela morte, alegra-se e é levado ao Alto. Triunfam sobre a dor graças a uma forme vontade. A guerra com os romanos tentou suas almas tantas quantas maneiras possíveis: esticados por cavalos, retorcidos, quebrados, queimados, sujeitos a todos os instrumentos de tortura para blasfemar contra o seu Carrasco, ou comer alimentos proibidos, não concordavam com tais afirmações e nenhuma vez adularam seus perseguidores, ou derramaram lágrimas. Sorriam em agonia e perdoavam os torturadores, exalavam sua Alma com alegria, porque eles confiavam que a receberiam novamente. Qualquer palavra deles tinha mais força que um juramento, não prejudicavam ninguém por autodeterminação, nem sob ordens; no caso de obtenção de autoridade, jamais abusavam dela; eram amantes da verdade; manterão suas mãos longe do assalto, e suas puras almas longe de toda a ganância pecaminosa; não esconderão nada aos membros da comunidade, nem contarão nenhum de seus segredos para estranhos, mesmo quando torturados até a morte; transmitirão as regras como foram recebidas e, cuidadosamente, preservarão os livros grupais.

Embora no “século primeiro” fossem bem conhecidos, a Irmandade dos Essênios permaneceu oculta ao conhecimento profano pelo hermetismo de seus ensinamentos, para a alta missão à qual lhes correspondeu cumprir: eles tomaram sob sua proteção as famílias de Maria e de José, que receberam treinamento essênio, como recebeu o mesmo Jesus e João Batista. Eles prepararam o terreno para que a semente do Grande Kabir Jesus caísse em solo fértil.

 

Havia também os Batistas, casta gnóstica a qual João Batista pertenceu; os Nazarenos (cuja etimologia vem da palavra “naza”, que significa “homem de nariz reto”); e também a palavra “nazareno” significa “representantes do culto da serpente”. A maioria das linhas gnósticas predica a sabedoria da serpente (Kundalini) e isto é o que diferencia a verdadeira gnose das falsas.

A Formação da Igreja Cristã Pós-Ressureição de Jesus

Na história que conhecemos baseada na bíblia mutilada e adulterada pelos clérigos católicos dos primeiros séculos da era cristã, Jesus ressuscitou, apareceu para os apóstolos e depois ascendeu aos céus para junto do Pai Celestial. Mas a verdade não contada e escondida é que Jesus após sua ressurreição continuou por 11 anos a instruir seus apóstolos e discípulos e todo esse ensinamento foi compilado em um livro chamado “PISTIS SOPHIA”.

 

Pistis Sophia simboliza a Palavra do Salvador do Mundo. Os gnósticos tem seu próprio livro sagrado; estamos falando da Pistis Sophia, cujo original foi escrito em copta, e que foi achada enterrada sob o solo egípcio.

O mais conhecido dos cinco manuscritos de “Pistis Sophia” está amarrado com outro texto gnóstico numa encadernação intitulada “Piste Sophiea Cotice”. Este Códice “Askew” foi adquirido pelo Museu Britânico em 1795 do Dr. Askew. Até a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi em 1945, o “Códice Askew” era um dos três códices que continham quase todos os escritos gnósticos que sobreviveram à eliminação dessa literatura pela igreja católica, sendo os outros dois: o “Códice Bruce” e o “Códice de Berlim”.

A PISTIS SOPHIA é um livro que foi escrito inicialmente em língua copta, como já comentamos, ou seja, num idioma sagrado. Algum tempo depois, foi traduzido para o grego e do grego fizeram-se traduções para o inglês, francês, alemão, etc. Na década de 70 o Mestre Samael fez a sua tradução para o espanhol com o seu correspondente comentário. A PISTIS SOPHIA é o sagrado livro dos gnósticos. Nela encontram-se da maneira mais pura e completamente fiel os ensinamentos que Jesus Cristo entregou a seus discípulos nos onze anos após sua ressurreição.

 

Após Jesus haver ressuscitado dos mortos, passou onze anos falando com seus discípulos, instruindo-os somente até as regiões do Primeiro Mandamento e do Primeiro Mistério… (Pistis Sophia Comentada – SAW).

 

Pistis Sophia contém todas as palavras do Adorável Salvador do Mundo. Foi escrita pelos apóstolos, que registraram ali todos os ensinamentos esotéricos cristãos que Jesus lhes passou no Monte das Oliveiras e em outros lugares santos.

Este livro havia sido guardado secretamente durante muitos séculos. O Adorável deixou um corpo de doutrina extraordinário e formidável.

Este deve ser nosso livro de cabeceira; trata-se do livro do Mestre, do Senhor, do Cristo, e nós temos que reverenciar esta obra.

Com isso não queremos subestimar ou diminuir a bíblia hebraica, que é extraordinária, porém sabemos também, toda mutilação, ocultação e adulteração que sofreu após o Concílio de Nicéia em 325 d.C; mas, os gnósticos tem seu livro específico e sagrado, a Bíblia Gnóstica, a Palavra do Cristo, a Pistis Sophia.

Após os 11 anos de instrução final do Cristo Jesus seus apóstolos se espalharam por todo o Oriente e também pelo Ocidente europeu. Levavam a Gnose do Cristo, a mensagem de redenção aos povos pagãos da Grécia, Ásia, Egito, Índia, etc…

Paulo e Pedro foram pregar na Grécia e em Roma; André foi chegou à Escócia; Tomé se dirigiu à Índia; Marcos ao Egito; Madalena chegou à França; Maria e José foram à Síria e Turquia; Santiago ficou em Jerusalém, etc…

Cada apóstolo viveu seu drama Crístico particular nas regiões a que foi determinado espalhando sua “boa-nova” (Evangelho). Foram perseguidos, humilhados, incompreendidos, presos, torturados e, na maioria dos casos, assassinados. Mas suas mensagens foram bem acolhidas por aqueles poucos fiéis, sedentos de sabedoria divina, e, assim, com o passar dos séculos, o Cristianismo gnóstico foi ganhando força e popularidade. Paralelamente a isto, também, entre os gnósticos foram crescendo gradualmente as correntes cristãs que, por um motivo ou outro, eram contrárias ao ensinamento original e já não concordavam entre si sobre a mesma Gnose. É aí que aparecem no cenário as primeiras divisões entre as seitas emergentes da época, já no decorrer do primeiro século.

Citamos aqui uns poucos exemplos para ilustrar melhor aquele período e percebermos a diferença radical entre as seitas cristãs (que viriam a ter o nome de Catolicismo) e os gnósticos:

 

OS SETIANOS

   O Setianos foram um grupo de antigos gnósticos, que datam sua existência antes do cristianismo. São assim chamados devido à sua veneração à Set, que teria sido o escolhido de Deus para a promessa de se organizar uma sociedade humana perfeita. Apesar de ter uma origem judaica, suas doutrinas tem uma forte influência do platonismo.

Enquanto muitos estudiosos britânicos e franceses sobre o setianismo tendem a caracterizá-lo como uma forma de especulação cristã heterodoxa, a maioria dos estudiosos alemães e americanos o caracterizam sua origem e essência como um fenômeno distintamente sincrético ao judaísmo. Embora muito se saiba sobre a visão heresiológica sobre os setianistas, sua forma e identidade ainda permanecem obscuras.

Os setianos rendiam culto à Sabedoria Divina representada pela Santa Trindade – Caim, a carne – Abel, o mediador – Set, o Deus-sabedoria – Set era considerado igual a Cristo. Os Setianos, segundo o Mestre Huiracocha, foram os primeiros Teósofos.

 

OFITAS

Nos primeiros anos do primeiro milénio d.c., as crenças dos Ofitas Gnósticos constituíam a norma. Ofitas (do grego ὄφιανοι > ὄφις = serpente) é um nome genérico para várias seitas gnósticas cristãs da Síria e do Egito que se desenvolveram por volta do ano 100 d.C. Estas seitas atribuíam grande importância à serpente mencionada no livro do Gênesis como tentadora de Adão e Eva, considerando-a como portadora do conhecimento do Bem e do Mal e portanto como símbolo da gnose.

Versados em ciência; foram herdeiros dos conhecimentos de Tomé e do Evangelho dos Egípcios; eram astrólogos e tinham , além da serpente, o cálice como seu símbolo. Profundos conhecedores da Alquimia.

VALENTINIANOS

Valentinianos: (São Valentim, morreu no ano 161 d.C.) foi expulso da Igreja por heresia; os Valentinianos mantinham contato constante com as congregações cristãs não-gnósticas da época, não eram bem-vistos pelos bispos da Igreja por “participarem das missas e homilias da Igreja e por trás interpretavam tudo diferentemente entre os seus”. Isto é o que afirmava Irineu, o bispo de Lyon em suas ferozes críticas aos gnósticos; Valentim foi um grande matemático e a Cabala era sua filosofia de vida; sustentava que Jesus era gnóstico; seus ensinamentos sobre transmutação sexual eram semelhantes aos demais Mestres e escolas gnósticos.

Valentino acreditava em um andrógino Ser Primal, cujo aspecto masculino se chamava Profundidade, e o feminino Silêncio, a partir do qual pares de outros seres emanavam. Quinze pares acabaram sendo formados, totalizando 30 – os Aeons descritos por Marcos, discípulo de Valentino.

O último Aeon, Sophia, sucumbiu a ignorância e foi separada de seu grupo, o que resultou na criação de todos os males. Ela foi dividida em duas: sua parte superior retornou ao seu grupo, enquanto sua parte inferior ficou presa neste mundo físico. O conceito Valentiniano da salvação estava no resgate de Sophia pelo seu Filho, ou Salvador, em quem todos os Aeons são integrados. Sophia havia criado sementes espirituais em sua imagem, mas elas também estavam na ignorância. Para despertar e amadurecer as sementes, a Sophia inferior e o Salvador influenciaram o Demiurgo (artesão, ou Criador), uma divindade também inferior, a criar o mundo material e os seres humanos. Este Demiurgo não é outro senão o Deus bíblico dos judeus.

BASILIDIANOS

Basilides (em grego: Βασιλείδης) foi um dos primeiros professores religiosos gnósticos em Alexandria, Egito, que ensinou entre 117-138 dC. A obra “Atos da disputa com Mani, o heresiarca” (Acta Archelai), capítulo 52, afirma que ele ensinou por um tempo entre os persas. Acredita-se que ele escreveu mais de duas dúzias de livros com comentários sobre os Evangelhos (todos perdidos) intitulados Exegetica, o que o torna um dos mais antigos comentaristas dos Evangelhos. Apenas fragmentos de suas obras foram preservados além daqueles nas obras de seus opositores.

Irineu chamou os seguidores de Basilides de Alexandria de dualistas e emanacionistas. Ou seja, eles viam a matéria e o espírito como forças hostis opostas, e acreditavam no mito gnóstico dos Aeons emanando em sucessão a partir de um “Pai” não gerado. Os cinco principais Aeons eram Nous (Mente), Logos (Palavra), Phronesis (Inteligência ou Prudência), Sophia (Sabedoria) e Dynamis (Poder). De Sophia e Dynamis emanaram 365 céus em ordem decrescente, coletivamente chamados Abrasax.

O Deus dos hebreus governou o céu mais baixo, e criou um mundo ilusório – o nosso. O verdadeiro Deus viu o sofrimento da humanidade neste reino ilusório e enviou Nous (ou Cristo) para trazer o conhecimento que iria libertá-los. Nous nasceu como Jesus, cujo nome secreto entre os Basilidianos era Kavlakav (ou Caulacau).

Como se pode perceber, os conceitos entre as seitas gnósticas da época eram diferentes ou se revestiam de formas diferentes, mas todos tinham, de uma forma ou de outra, ensinamentos Crísticos ou “cristãos”. O seguimento gnóstico que seguiu os ensinamentos de Jesus “O Cristo” foi o dos Essênios. Os gnósticos tiveram um inimigo declarado que os perseguiu até o desaparecimento de quase todas as comunidades gnósticas: Irineu, conhecido como Bispo de Lyon. Esse personagem, juntamente com Tertuliano, Policarpo, Justino, Inácio e Hipólito, são unânimes em declarar publicamente a “heresia” gnóstica.

Naquela época circulavam diversas Escrituras Sagradas provenientes das mais variadas regiões do Oriente. Muitos desses escritos, segundo historiadores contemporâneos, estavam saturados de elementos budistas, gregos, egípcios, hindus etc. Isto se devia a que a cidade de Alexandria, no Egito, era o centro da erudição filosófica. Ali se encontrava de tudo que se referia ao que havia de mais atualizado no mundo da época. Além de capital comercial, Alexandria recebia constantemente filósofos, místicos, membros de quase todas as religiões existentes em outros países, profetas (muitos deles, claro, puros charlatães), magos, visionários etc. Os sacerdotes judeus e também os cristãos faziam de tudo para evitar que os conceitos helenizados contaminassem seus templos dedicados ao Deus antropomórfico.

Entre os textos achados em Qumran destaca-se a obra do Filósofo Fumena ou O Livro Secreto dos Gnósticos Egípcios, como o nomearam os pesquisadores. Nesse livro, Jesus pede permissão ao seu Pai (Interno) para descer desde o Absoluto até este mundo físico, passando pelos Eons (medidas iniciáticas), e pede para levar o conhecimento revelador através da Gnose. Fica, então, estabelecida a palavra Gnose como representação do Ensinamento Divino, puro, imaculado, sem manchas. Outro texto bastante interessante é o Papiro Nu ou Confissões Negativas, constituído de 42 pontos ou confissões que o neófito declara diante de sua divindade interna, seu “Kaom interior”, seu juiz da consciência. Este é um trabalho psicológico idêntico ao que o mestre Samael Aun Weor ensina para compreendermos e aniquilarmos nossos defeitos psicológicos. Um pequeno exemplo desta confissão: “Hoje não roubei, não matei nenhum ser vivo, não maltratei meu servo, não falei palavras de ironia, não cobicei a mulher do próximo, não adulterei o peso da balança etc.” Eis o trabalho de revolução da consciência ensinado por Samael!

Também circulava entre as comunidades gnósticas as palavras de Jesus, após sua ressurreição, no Monte das Oliveiras, quando ainda passou 11 anos instruindo seus discípulos mais próximos, sobre a Gnose. Esses diálogos foram compilados em uma escritura sagrada chamada Pistis Sophia, a bíblia dos gnósticos. Primeiro foi escrita em copta e traduzida para o grego. Muito se tem especulado sobre seu verdadeiro significado, porém (apesar de algumas traduções modernas de boa qualidade), apenas o mestre Samael conseguiu desvelar sua mensagem. Isso só foi possível através de suas “viagens espirituais” dentro do Mundo do Cristo Cósmico. Nessa região Crística chegam apenas aqueles que encarnaram o Cristo em si mesmos.

ROMA PERSEGUE OS CRISTÃOS

O Império Romano tinha seus próprios deuses e não sentiam simpatia com a nova religião que crescia sob seus olhos. Genius era o nome dado ao deus criado pelos sacerdotes romanos de acordo com a vontade do imperador, que era tido como um deus entre os cidadãos romanos. Para atender às mais diversas situações do povo, para cada um dos deuses (Apolo, Afrodite, Cibele, Vesta, Vênus etc.) eram feitos festivais e adorações anuais, mensais, semanais etc. Percebe-se, aqui, a cópia das Igrejas Católica e Ortodoxa em suas festividades durante o ano com seus santos venerados pelos fiéis. Obviamente, o Império Romano não admitiria uma ofensa sequer contra suas crenças e seus deuses pagãos vinda de comunidades judaicas helenizadas.

Inúmeros livros bíblicos e gnósticos foram queimados para “adaptar” o ensinamento Crístico aos Donos do Poder

A princípio, as comunidades cristãs eram formadas por judeus convertidos que aceitaram Jesus como seu Messias (Enviado). Com o decorrer do tempo, vários povos foram sendo evangelizados pelos discípulos dos apóstolos e aí foram se agregando à nova religião elementos de várias nacionalidades, inclusive romana e grega, que compartilhavam os mesmos deuses em suas crenças. Um exemplo dessas adaptações é a data de 25 de dezembro, considerada até hoje como o dia em que Jesus nasceu na Terra Santa. Na verdade, ninguém sabe o dia correto em que Jesus nasceu. A absorção dessa data deveu-se ao fato de que os pagãos de muitos rincões do Império Romano (tanto no Ocidente quanto no Oriente) rendiam culto ao Deus do Sol e do Fogo nessa data, considerada como o início em que o Sol começa sua viagem de volta à Terra para que Ele, o Deus Sol, nos traga novamente a vida, e a vida em abundância.

Com o número crescente de adeptos à nova religião em Roma, o império decidiu que os cristãos representavam um perigo maior para seu poder sobre as massas. Sob essa visão de desconfiança, todo aquele que confessasse ser cristão era julgado e condenado à morte imediatamente. Irineu, o bispo de Roma, também conta que sofreu com as perseguições romanas. Assistiu a vários de seus “irmãos” cristãos serem queimados, torturados e mortos nas arenas.

Enquanto Roma perseguia cristãos, pois para o imperador parecia não haver distinção entre estes e os gnósticos (pois as duas linhas já estavam se separando cada vez com mais destaque), Irineu e seus sequazes perseguiam os gnósticos, num jogo de gato e rato. Irineu e Tertuliano fizeram duros ataques aos gnósticos julgando-os hereges. Afirmavam que a cada dia eles apareciam com um novo evangelho; achavam também um absurdo o fato de as mulheres oficiarem em seus rituais, e que só os homens deveriam fazê-los. Para Irineu e Tertuliano, um grande filósofo da época, os gnósticos hereges deveriam desaparecer da cristandade.

Outra coisa que incomodava a Igreja predominante em Roma era o fato de os gnósticos sempre manterem uma postura neutra perante as perseguições que os cristãos sofriam. Essa “indiferença” adotada pelos gnósticos fazia com que Irineu odiasse cada vez mais seus conceitos filosóficos de vida. Entre os vários aspectos do gnosticismo primitivo, algumas escrituras mostram como seus conceitos sobre Deus e o Cristo diferiam daqueles apresentados pela Igreja Católica de Roma.

Entre os anos 140 e 160, Teódoto, um grande mestre gnóstico, escreveu na Ásia Menor que: “O gnóstico é aquele que chegou a compreender quem éramos e quem nos tornamos; onde estávamos… para onde nos precipitamos; do que estamos sendo libertos; o que é o nascimento, e o que é o renascimento”.

Monoimus, outro mestre gnóstico, dizia: “Abandone a busca de Deus, a criação e outras questões similares. Busque-o tomando a si mesmo como o ponto de partida. Aprenda quem dentro de você assume tudo para si e diga: ‘Meus Deus, minha mente, meu pensamento, minha alma, meu corpo’. Descubra as origens da tristeza, da alegria, do amor, do ódio… Se investigar cuidadosamente essas questões, você o encontrará em si mesmo”.

Até antes da descoberta dos manuscritos do Mar Morto e de Nag Hammadi, entre outras descobertas passadas, só tínhamos informações sobre os gnósticos através dos violentos ataques escritos por seus opositores. O bispo Irineu, que era responsável pela igreja de Lyon, por volta do ano 180, escreveu cinco volumes intitulados “Destruição e Ruína Daquilo que Falsamente se Chama Conhecimento”, onde começa prometendo “apresentar as opiniões daqueles que hoje ensinam heresias… e mostrar como suas afirmações são absurdas e incompatíveis com a verdade… Faço isso para que… vocês possam instar todos os seus conhecidos a evitarem esse abismo de loucura e blasfêmia contra Cristo”.

Como diz o Mestre Huiracocha, em sua obra “A Igreja Gnóstica”, que os gnósticos não precisam de leis ou dogmas, e sim, de uma senda. E isso contraria as normas da seita católica quando afirma que o corpo de Cristo é formado pelos fiéis e a Igreja Católica espalhada mundo afora. Até o conceito de Criador é diferente entre as duas partes. A Igreja de Roma ainda adota o mesmo conceito dos judeus quando aceitam que Deus e a criatura são distintos entre si.

Neste caso, Deus está lá em algum ponto do universo, observando suas criaturas, condenando uns ao Inferno e oferecendo o Paraíso a outros, lançando raios de ira em nossas cabeças, vingativo, caprichoso e cheio de manhas como uma criança enfadonha. Já os gnósticos concebiam, e ainda são assim, que Deus, o Incriado, o não-formado, o Incognoscível, está escondido dentro de sua própria criação, e que só conseguiremos realizá-lo dentro nós quando erradicarmos de nossa psique os elementos indesejáveis que carregamos e que adormecem nossa Consciência. Assim como predicavam os antigos gnósticos, temos de realizar a Gnose dentro e fora de nós. Aí, sim, poderemos conhecer Deus, face a face, sem morrer.

O martírio: a indústria da salvação e a fé em Jesus Cristo

As matanças de cristãos, nas arenas de Roma, viraram um verdadeiro festival semanal de carnificina para o público romano e seus governantes que se divertiam com o sofrimento dos “acusados de se recusarem a cultuar o deus Genius do Império Romano”. Pertencer ao movimento cristão (seja ele católico seja gnóstico ortodoxo) era um perigo que todo fiel sabia. Elaine Pagels, em seu livro “Os Evangelhos Gnósticos”, cita a Tácito e Suetônio, o historiador da corte imperial, que partilhavam, ambos, de desprezo absoluto pelos cristãos, e que ao narrar a vida de Nero, Suetônio menciona as coisas boas que o imperador fez com a “punição imposta aos cristãos, uma classe de pessoas dadas a uma nova e maléfica superstição”. E ainda Tácito elaborou seus comentários sobre o incêndio de Roma:

Em primeiro lugar, prenderam-se os que confessavam ser cristãos; depois, pelas denúncias destes, uma multidão inumerável – não tanto por terem participado do incêndio, mas por seu ódio ao gênero humano. O suplício desses miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriram com peles de animais ferozes para ser devorados pelos cães (principalmente pelos ferozes mastins napolitanos), ou foram crucificados, os queimaram de noite para servirem como archotes e tochas ao público. Nero ofereceu seus jardins para esse espetáculo…

Para Irineu, Tertuliano e outros líderes da nova igreja, o martírio, apesar da violência imposta, serviu para uma propaganda generalizada em torno da salvação pela fé em Jesus Cristo. Para atingir o sonho de formar uma igreja padronizada em todo o mundo, Irineu e os seus não mediram esforços para fazer com que a doutrina cristã se espalhasse mundo afora através da morte dos fiéis. Encorajavam a todos os cristãos para que tivessem coragem suficiente para expor sua fé, mesmo nas barras dos tribunais romanos.

Justino, um filósofo que se converteu ao cristianismo entre os anos 150 e 155, encorajava e defendia, com cartas aos oficiais do império, que a matança dos cristãos e sua coragem de morrer confessando Cristo diante da morte certa era um incentivo àqueles que queriam conhecer esta nova doutrina de perto e saber o porquê de tantos morrerem em nome de Jesus. Exortava também que o martírio era a prova máxima para a redenção dos pecados e que desta maneira estariam, cada um, dentro das mesmas condições que Jesus passou para redimir o mundo. Com esses argumentos, Justino, Irineu, Tertuliano e outros bispos da igreja, encorajavam seus fiéis a serem martirizados por vontade própria.

Já os gnósticos mantinham sua neutralidade, mesmo sendo perseguidos e também sendo mortos. Acreditavam que o martírio físico não era o caminho para a salvação da alma. Esse martírio, como uma alegoria, tinha de ser dentro do indivíduo, para que se pudesse purificar seu espírito das vontades terrenas, do apego, do egoísmo etc. Logicamente muitos gnósticos foram mortos pelo poder de Roma, porém, segundo historiadores, os “cristãos” o foram em número muito maior.

Enfim, esta propaganda cristã serviu para recrutar em suas fileiras cada vez mais fiéis, que viam com bons olhos todo aquele sacrifício como algo “divino”, digno de admiração. (Então, por que não se afiliar e ganhar o céu?)

A institucionalização da Igreja Católica

Por volta do ano 200, a Igreja Católica começa a tomar forma e sua institucionalização foi reforçada pela iniciativa de Irineu em padronizar seus dogmas, rituais, cerimônias, festividades, missas, etc. A ideia era unir todas as igrejas num só estatuto em que se poderia levar a igreja a ser a dona da “verdadeira” doutrina de Cristo. Irineu promoveu várias viagens aos mais longínquos lugares para propor as diretrizes que seriam adotadas por todas as igrejas espalhadas pelo mundo.

Dentro dessas propostas estava a canonização dos evangelhos dos apóstolos. Pedro foi o primeiro pontífice da igreja, conforme acreditava-se na época. Portanto, a igreja seria um meio para se chegar a Deus, passando por seus representantes que eram os bispos, os padres e os diáconos.

Dever-se-ia, então, organizar legalmente a igreja, que seria Católica – universal – e, para que o povo ficasse sob as condições e vontades da Igreja, os evangelhos seriam escolhidos a dedo para que a heresia não predominasse dentro dos templos. Textos que exortavam a respeito da reencarnação foram deixados de lado por serem heréticos.

Outros textos que fomentavam a adoração da feminilidade/maternidade de Deus também foram rechaçados pelos bispos. Era preciso trazer a multidão para dentro da Igreja e prendê-la psicologicamente aos dogmas, prometendo os céus aos convertidos e batizados e jogando aos infernos eternamente aqueles que escolhiam outras formas de adoração à Divindade que não fossem as impostas pela Igreja dominante.

Dentro desses dogmas eclesiásticos também estava claro que a mulher jamais participaria de qualquer ofício sacerdotal que fosse. Nesse caso, Tertuliano, o filósofo, ataca veementemente quando diz:

“Não é permitido a nenhuma mulher falar na igreja, nem é permitido que ensine, ou que batize, ou que ofereça a eucaristia, ou que pretenda para si uma parte de qualquer atribuição masculina – para não falar em qualquer função sacerdotal.”

Em outro texto, continua a indignação de Tertuliano:

“Essas mulheres hereges – como são atrevidas! Carecem de modéstia, e têm a ousadia de ensinar, de discutir, de exorcizar, de curar e, talvez, até de batizar.”

E era exatamente esta a participação das mulheres gnósticas em suas congregações (eclesiásticas); participavam em praticamente todos os ofícios do templo. Os bispos católicos odiavam e acusavam de heresia esses procedimentos femininos. Para a Igreja, o que justificava seu conceito era o fato de acreditarem que Deus era masculino e seu filho, Jesus, também.

Em 1977 o papa Paulo VI, também chamado de Bispo de Roma, declarou que uma mulher não pode ser padre “porque nosso Senhor era homem!” Diante de tal declaração, não são necessários longos comentários para se dizer que a Igreja Católica continua com suas arcaicas e preconceituosas ideias. Portanto, os textos gnósticos ainda desafiam esse preconceito da Igreja dominante.

Irineu encoraja seus fiéis na fé repousada na autoridade absoluta: as escrituras canônicas, o credo, os rituais da Igreja e a hierarquia clerical. Esta medida ganha força com a conversão de Constantino, no século IV. O imperador Constantino decreta o Cristianismo como religião oficial de Roma. E assim, os católicos ganham força total para a expansão de sua doutrina que, de acordo com certos pesquisadores da teologia cristã, poderíamos chamar de “paulinismo”, porque a formação doutrinária e organização da Igreja começou basicamente com as viagens missionais do apóstolo Paulo a diversas regiões do Oriente e da Ásia Menor – Grécia, Galácia, Corinto, Éfeso etc. – e sabe-se hoje que seu ministério tem como origem a antiga Antioquia – que fica na Turquia.

O Gnosticismo, em seus primórdios, teve também suas correntes involutivas. Duas delas são bem conhecidas por historiadores, as quais são denominadas: Marcionismo, de Marcion, e Cerdonistas, de Cérdon. Essas duas correntes gnósticas trilharam pela linha oposta dos gnósticos levando a mensagem do evangelho totalmente distorcida dos originais. A Igreja Católica acusava todas comunidades gnósticas de heresia e prática de paganismo, bruxaria, etc., por se basearem nas práticas involutivas destas correntes involutivas do gnosticismo primitivo.

O Cristianismo, no decorrer dos séculos, sofreu diversas reformas internas e na doutrina. Os Concílios eram encontros de todos os sacerdotes e bispos de todo o Velho Continente onde se decidia o destino dos ensinamentos do Cristo Jesus e dos deixados pelos apóstolos. Muitos dos ensinamentos originais místicos – reencarnação, Deus-Mãe, trabalho de psicologia, os 7 corpos, iniciações, etc. – foram banidos para sempre dos preceitos da Igreja Católica. O Grande Concílio do ano 325 (Concílio de Nicéia) talvez tenha sido o mais importante da história do Cristianismo. Ali aconteceu definitivamente a ruptura dos gnósticos do seio da Igreja Católica (dominante) e também definiu-se um outro ramo da igreja: os Ortodoxos Gregos, que até hoje mantêm certas semelhanças com as práticas do catolicismo, porém não aceitam a autoridade dos papas.

Dessa separação drástica os gnósticos tiveram de se esconder das perseguições da Igreja Católica, que os condenava por heresia, taxando-os de criminosos por possuírem textos considerados apócrifos, ou seja, que não provam sua autenticidade. Muitos destes textos foram queimados pela Igreja em sua inquisição bárbara. Os textos que até hoje sobreviveram é porque alguns monges ou monjas o guardaram em locais de difícil acesso para que no futuro alguém pudesse resgatá-los e os Mistérios Crísticos pudessem novamente iluminar o caminho daqueles que se rebelam contra o mundo.

No Concílio de Nicéia, todos os Deuses, Titãs, Deusas, e Mensageiros de Deus foram rebatizados com os nomes de anjos, arcanjos, serafins, potestades, virtudes, tronos, etc.

O terrível Averno romano, símbolo dos infernos atômicos do homem e da natureza, foi rebatizado de Inferno.

O Olimpo, a Morada dos Deuses, se converte no Céu Cristão; os cultos Marianos das Deusas da época foram suprimidos e potencializados no culto a Maria (mãe de Jesus). Assim, formou-se a nova organização Clerical, com os mesmo atributos, cerimônias, mitras e liturgias do paganismo.

A forma religiosa do paganismo se degenerou e morreu, porém seus princípios continuaram no cristianismo.

O mundo esteve em trevas durante quase 2 mil anos porque prevaleceu sobre a mente do homem o egoísmo, a inveja, a violência, a ignorância, o orgulho da ciência materialista. O Sol havia se ocultado e era revelado apenas para alguns buscadores persistentes da verdadeira Igreja do Cristo. Graças aos Mestres da Santa Igreja Gnóstica dos mundos superiores, temos a oportunidade de ver o Cristo-Sol brilhar novamente para a nossa salvação.

O Cristo da Era Aquariana, Samael Aun Weor, nos entrega de forma totalmente desvelada os ensinamentos Crísticos que o Grande Cabir Jesus havia deixado aos seus apóstolos para que entregassem à humanidade.

Os sinceros seguidores do Cristo Cósmico têm o dever de manter estes ensinamentos em sua pureza original, sem manchas, máculas e fantasias, até que chegue o momento de guardá-los novamente dos olhares profanos. E aí, ao povo se dará o leite (as parábolas) e aos iniciados se dará o manjar (os Mistérios Crísticos).

Depois de quatorze séculos de silêncio, reaparece, ante o veredito solene da consciência pública, a Gnose de ontem, de hoje e de sempre. Agora, sabe-se que o gnosticismo como sistema filosófico, místico e científico, por sua vez, é o fiel e legítimo dono das grandes chaves do Hermetismo Transcendental, que permite ao sincero devoto alcançar o cume da Autorrealização íntima do Ser.

A Gnose regressou, qual Ave Fênix que ressuscita das próprias cinzas e abre suas asas, agora mais poderosas graças à experiência dos séculos.

A hora da verdade chegou, a humanidade se encontra no labirinto de Creta. O Minotauro (o ego animal) volta-se raivoso devorando os extraviados e equivocados sinceros; multiplica-se o sofrimento humano, a fome e a miséria são vistas por toda parte. Terremotos, furacões, inundações e vulcões arremetem com fúria crescente o homem da Terra e sua torre de Babel, construída pelo Anti-Cristo: a ciência materialista. O fim dos tempos chegou e os povos da Terra sofrem os embates terríveis do Leão da Grande Lei que foi desencadeado.

Ao final do século XIX e começo do século XX, personalidades reconhecidas como Mestres, entre as quais citaremos Helena Petrovna Blavatsky, Mário Roso de Luna, Charles Leadbeater, Krishnamurti, Rudolf Steiner, Sivananda, Francisco Propato, Arnold Krumm Heller, Gurdjieff e Pedro Ouspensky, ensinaram publicamente as primeiras palavras da Doutrina Secreta, porém, sem se deterem demasiadamente na análise de certos aspectos gnósticos que deveriam ser revelados a partir do ano de 1950.

O próprio Rudolf Steiner, um dos mais ilustres representantes do Gnosticismo no Século XX, declarou em 1912 que “eles, os iniciados de sua época, apenas haviam comunicado um ensinamento elementar, simples, incipiente”, advertindo que “logo mais tarde, seria entregue à humanidade uma doutrina esotérica de ordem superior, do tipo transcendental”.

Além dos autores citados (homens e mulheres que dentro de si mesmos estabeleceram os princípios gnósticos), muitas pessoas cultas têm se interessado por conhecer as raízes do Gnosticismo, tem se preocupado por saber se a Gnose é certamente, como dizem alguns, “um monumento de fantasias extravagantes, de mitos estranhos”, ou se, pelo contrário, como acertadamente assinalam outros, é “um conhecimento transcendental, infinitamente superior à razão, que junto à Sabedoria Primordial, original, é a fonte de todas as religiões do mundo”. Com base nesses interesses, a velha Europa pôde se inteirar, por meio de autores como Eugene de Faye, W. Bousset, Hans Hans, Jean Doresse e muitos outros, de que as doutrinas gnósticas “são algo mais do que heresias imanentes ao Cristianismo e que se os gnósticos são muito diversos, eles constituem uma atitude existencial com características próprias”.

“O Gnosticismo, indicam os pioneiros da Gnose no mundo contemporâneo, é um conjunto de ideias e sistemas científicos, filosóficos, artísticos e religiosos que tendem a reaparecer, incessantemente, em épocas de grandes crises políticas e sociais.”

Agora, então, não podemos negar que tão maravilhosas joias da literatura gnóstica, ou pré-gnóstica, cumpriram seu propósito, despertando a inquietude geral e propiciando a abertura de escolas teosóficas, yogas, do “quarto caminho”, fundamentadas nas limitadas informações teóricas e práticas que aos personagens antes citados era lhes dado a comunicar. Porém, a verdadeira revolução neste campo se produz com a publicação do livro “O matrimônio perfeito”, escrito pelo Mestre Samael Aun Weor, concretamente no ano de 1950, texto que “provocou um grande entusiasmo entre os estudantes das diversas escolas, religiões, ordens, seitas e sociedades esotéricas e cujo resultado foi a aparição do Movimento Gnóstico, que começou com alguns simpatizantes e tornou-se, posteriormente, completamente internacional.

As tradições esotéricas, como manifestações culturais, têm uma continuidade. “O Matrimônio Perfeito” e mais de 70 obras, elaboradas brilhantemente por Samael Aun Weor, tecem o fio da continuidade Gnóstica, tornando esses textos uma verdadeira mina de conhecimento oculto, sabedoria que não pode ser negligenciada por correntes avançadas, quer dizer, por aqueles grupos que buscam o conhecimento vívido, e não a simples crença ou teorização.

Samael Aun Weor é, antes de tudo, um continuador da obra empreendida por aquelas esclarecidas inteligências da Gnose dos princípios do Século XX. A ele lhe é tocado aclarar e simplificar; é-lhe tocado desvelar certos aspectos doutrinários que tão notáveis esoteristas omitiram, ou não chegaram a conhecer. Tal é o caso, por exemplo, dos Mistérios do Sexo, ou das técnicas adequadas para a dissolução do eu, o ego, os fatores psicológicos que engarrafam a consciência humana e a mantêm em estado de sono; ou da análise evolutiva e involutiva, assunto que foi tocado superficialmente naquele solo.

Os propósitos desta sabedoria, que hoje reaparece à margem dos dogmas, da falsa espiritualidade e das pseudo-escolas que desgraçadamente tem se convertido em aulas de negócio, estão expostos pelo Mestre Samael nos seguintes termos.

Samael Aun Weor é um autêntico Mestre Gnóstico da Revelação, é o Super Homem da síntese dos tempos modernos, que, como um verdadeiro Avatar e encarnação terrestre da Suprema compaixão de Deus, coloca as chaves da Autorrealização íntima do Ser ao alcance de quem quiser levá-la adiante.

Esta é a Gnose do século XXI, a mensagem Crística da Era de Aquário, a Gnose que o Grande Exército de Salvação Mundial difunde vitoriosamente sobre a face da Terra e que permite entrar por completo no “Sanctum Regnum” do conhecimento que transcende o vão intelectualismo subjetivo, e leva o homem às fontes do autêntico saber que alimenta as primeiras doutrinas criadas por aqueles que têm estado no mundo.

É a gnose do século XXI uma porta de entrada para a Iniciação, o “Sancta Sanctorum” do templo da ciência pura, de onde é possível conhecer os princípios que pregavam e praticaram os jinas solitários da Ásia Central, lohanes, Hierofantes Egípcios, Pitagóricos, antigos Rosacruzes, Maçons e lendários Alquimistas medievais.

Esta é a doutrina dos cavaleiros do Templo e sua busca ao Santo Graal. Esta é a pedra viva de Jacó, o lápiz electrix (Magnes) explicado dialeticamente.

Esta é a doutrina que ensinaram secretamente aos seus discípulos: Buda, Jesus de Nazaré, Hermes Trismegisto, Quetzalcóatl, Zoroastro, Cagliostro, Saint Germain, Kout-Houmi, Moria, Melquisedek.

“A Gnose é um ensinamento cósmico que busca restituir, dentro de cada um de nós, a capacidade de viver conscientemente e inteligentemente por meio do estudo, compreensão e experimentação da arte, da ciência, da filosofia e da mística transcendental”.

Toca agora ao homem da Terra, qual investigador criterioso, pesar com sua consciência aquela antiga sentença dos hierofantes gregos.

Advirto-te, quem quer que seja, oh tu, que desejas sondar os arcanos da natureza, que se não olhar dentro de ti mesmo aquilo que buscas, tampouco poderás encontrá-lo fora.

Se tu ignoras a excelência de tua própria casa, como pretendes encontrar outras excelências? Em ti há, oculto, o tesouro dos tesouros.

Oh, Homem! Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.

(Trecho do documentário “A Verdade”).

 

O mestre Samael deixou seu corpo terreno no ano de 1977. Mas está conosco em espírito. Portanto, temos de ser guardiães de seus ensinamentos gnósticos para nosso próprio bem e também o da humanidade. Podemos até nos sentir como nos primeiros tempos de Jesus, em que seus discípulos e estudantes velavam pelas palavras deixadas pelo Cristo Jesus e pelo avatar da Era de Peixes.

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