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4 maio 2019

A pedra e sua simbologia sagrada

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A pedra e sua simbologia sagrada

 

O Grande Arcano, o Grande Mistério dos Alquimistas, já havia sido tema de diversos livros e, em incontáveis citações, jamais havia sido publicamente revelado, tendo sido conhecido apenas em restritos círculos herméticos, por pessoas devidamente preparadas; quando, finalmente, em 1950, Samael Aun Weor, grande Mestre Gnóstico do séc. XX, cumpre sua missão de o revelar mediante a publicação de sua primeira obra, O Matrimônio Perfeito, inicia-se a partir deste momento o movimento gnóstico moderno, a gnose Samaeliana. O Matrimônio Perfeito nos ensina a Magia Sexual, revelando o grande arcano, que é o meio pelo qual se pode realizar a Grande Obra.  Em alquimia, finalizar a Grande Obra é chegar a ter sua pedra filosofal, já em termos bíblicos isso equivale a entrar no Reino dos Céus.

Nas escrituras sagradas das grandes religiões, como na alquimia medieval, havia algo oculto de modo que olhando não se enxergasse e ouvindo não se escutasse ou entendesse. Dentro dessa rica simbologia destacamos o sêmen – que em linguagem esotérica gnóstica significa a energia sexual masculina e feminina – representado como água, óleo ou vinho; e o sexo representado como fogo, cruz ou pedra. Aqui abordaremos brevemente sobre sete símbolos da pedra.

No antigo testamento o povo se revolta contra Moisés por tê-los tirado do Egito e trazido ao deserto, onde eram castigados pela sede e pela fome. Ao ferir a pedra com sua vara, Moisés faz jorrar água da pedra, da qual beberam os homens e os animais. Aqui temos o símbolo de fonte, com a água simbolizando a energia sexual.

O mito de São Pedro Apóstolo decidir quem entra ou não no céu, vem do evangelho de Mateus, onde logo após a multiplicação de pães e peixes, alimentando os 4.000 fiéis, Jesus Cristo nomeia Simão como Pedro (pedra), sobre a qual será edificada sua igreja, e a ele é prometido as chaves do Reino dos Céus. O símbolo das chaves, revela que é por meio do sexo que se pode entrar no Reino dos Céus. Diferente da atual norma para a carreira eclesiástica da Igreja de Roma, Pedro foi casado. Na cabala, Yesod, o corpo vital que sustenta a todos os outros corpos, é referido como pedra cúbica, e a partir dele jorra o ch’i do Taoísmo, a mesma água viva do Cristianismo e que no Hinduísmo é conhecido como soma.

Em alquimia, a pedra filosofal é objetivo central dos alquimistas. A lenda diz que a pedra filosofal poderia transmutar metal em ouro, e também teria o poder da medicina universal. O simbolismo da criação do ouro nos lembra da morte mística, a transformação interna do defeito psicológico em virtude. Já o simbolismo da medicina universal aparece em diversas religiões e culturas, como símbolo da imortalidade. A imortalidade, dentro da gnose samaeliana, é conseguida por meio da Magia Sexual, com a criação de corpos sutis para manifestação de nosso Real Ser.

No judaísmo e cristianismo esses corpos são citados como vestes ou templos. Assim ocorre nas obras fundamentais da Cabala. Também no evangelho de Mateus ao falar a respeito das vestes de um convidado de determinado rei. Outra maneira de se referir a corpo(s) vemos na Primeira epístola aos coríntios, cap. 3, 16: Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O símbolo de alicerce para o trabalho espiritual já foi citado acima na passagem em que Simão torna-se Pedro. Ela é a fundação para uma construção, a Grande Obra, que é criar os corpos sutis, ao mesmo tempo que morremos em nós mesmos (psicologicamente) e servimos à humanidade. No evangelho de Mateus, Jesus diz a respeito de quem ouve suas palavras e as segue, que edifica sobre a rocha, e quem não as segue, que é como edificar sobre a areia.

A pedra cúbica é especial na fundação de uma construção, pois pode ser usada como pedra angular, no encontro entre duas paredes, ela é o símbolo do Cristo, e também do altar. Os muçulmanos realizam suas orações cinco vezes ao dia voltados para Meca, mais precisamente para a Caaba, que contém a pedra negra, que seria o altar de Abraão, simbolizando sua aliança com Deus, herdado por Ismael, que deu origem a todo povo árabe. Esse objeto sempre foi cultuado, mesmo antes do estabelecimento do Islamismo.

Estabelecidas entre os séculos XII e XV, mas remontando a meados do primeiro milênio, a mitologia do lendário Rei Artur é portadora dos mesmos ensinamentos emanados pelas fontes mitológicas clássicas.  A pedra, símbolo feminino (como o santo Graal), e a espada (masculino, como a lança), representam o sexo. Na lenda da espada na pedra, temos o símbolo da santidade (ou da realeza).

A pedra também é um símbolo onírico interessante, que pode ter diversos significados. Uma pedra natural, de formato irregular, em geral é um símbolo negativo, de dificuldade. A natureza não leva ninguém à libertação. Já o sonho com uma pedra cúbica, ou talhando uma pedra, em geral é positivo, como é o sonho com construção. Faz parte da evolução espiritual a interpretação onírica dos sonhos, que trazido à memória ou não, entendidos ou não, diariamente todos recebemos da divindade. Para a interpretação correta de cada símbolo, que varia de pessoa para pessoa, devemos ter paciência para paulatinamente construirmos nosso próprio vocabulário onírico.

Que sua pedra interna lhe sirva de ponto de apoio para a realização dos maiores feitos. Como disse Arquimedes: Dê-me um ponto de apoio e moverei o mundo.

 

Luiz Portella, Físico e instrutor da AGB