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15 mar 2018

TARÔ EGÍPCIO: A SABEDORIA DAS CORES NA ARTE MÁGICA DE THOT

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O Tarô era o mais sagrado livro para os antigos egípcios, por orientar uma vida produtiva e harmoniosa no plano material e indicar as leis divinas para uma plena realização espiritual. Esta verdadeira bíblia escrita milhares de anos antes do Antigo Testamento foi entregue à humanidade por Thot, divindade da Escrita e da Sabedoria, que posteriormente recebeu outros nomes como o Hermes Grego, o Mercúrio Romano, o Enoch Bíblico, o Anjo Metraton entre os Cabalistas etc.

O livro de Thot é ao mesmo tempo um Guia Iniciático e um Instrumento Oracular de Precisão, pois desvenda para um leitor preparado as circunstâncias invisíveis presentes numa situação, permitindo operar com as energias envolvidas, aplicando-as, evitando-as ou transformando-as.

Todos os Tarôs são originários da versão egípcia, que é composta de estelas (monólitos esculpidos). Portanto, o Livro Egípcio de 78 Arcanos que temos hoje é o mais completo de todos, exigindo maior preparação de quem o utiliza. E foi justamente esta necessidade de conhecimento profundo que levou ao surgimento de várias outras versões do Tarô, mais simples e, o pior, na maioria das vezes adulteradas.

Para quem conhece a riqueza e os mistérios do Livro de Thot (Tarô Egípcio) assoma-se estranho, para não dizer profano e até perigoso, algumas versões de tarôs como a de Marselha, Crowley, Papus, Cigano, dos Anjos, dos Florais etc.

Nas versões atuais que circulam no mercado, com objetivo de simplificar e “deixar mais bonitas e atuais” as lâminas do Tarô, foram suprimidos hieróglifos, pantaclos e letras hebraicas. Também foram alterados os personagens, modificadas suas roupas e instrumentos, adulteradas a posição física e a ação por eles executada – no original sempre relacionada a um mito egípcio com muitas lições psicológicas e espirituais. Foram ainda modificadas as proporções e cores das lâminas… Uma lástima e um crime à arte superior e à arcaica sabedoria egípcia. Cada um desses detalhes indica com precisão um arquétipo exato para que o leitor intuitivo possa depreender do Arcano quais as circunstâncias que envolvem o assunto consultado. Utilizar um tarô adulterado é como tentar ler um livro mal traduzido e no escuro, ou com a visão turva…  Perdem-se muitas palavras e é quase certo que se altere completamente a mensagem.

Atualmente, quando vemos descobertas arqueológicas de tumbas e templos egípcios, com suas esculturas e paredes em pedra nua ou palidamente pintadas, não imaginamos o quanto esplendorosa era a arte no antigo país do Rio Nilo.

As esculturas eram precisas, polidas e brilhantes; os palácios eram belíssimos e cheios de água, peixes e plantas; as roupas dos nobres e religiosos eram coloridas e ricamente ornadas; as joias irradiavam esplendor em cores e pedras preciosas; os perfumes eram naturais e mágicos – sem feromônios; a dança evocava os movimentos da natureza e dos astros e inspirava a busca da sabedoria e dos mistérios do amor. As estelas do Livro de Thot (Tarô) eram joias do gênio humano que refletiam a sabedoria divina. Toda a arte egípcia era dirigida para cultuar o Divino e para despertar veneração e emoções superiores nos humanos.

No Antigo Egito a arte era utilizada para invocar os Deuses do Cosmos para que eles se unissem às Divindades Internas do Ser Humano, como sintetizou magistralmente Samael Aun Weor, mestre gnóstico contemporâneo: ”…quando se perguntava sobre Mestres, (os antigos egípcios) simplesmente apontavam o céu porque todos os seres humanos viam os gênios estelares e podiam conversar diretamente com eles”.

Portanto, o Tarô, como Livro Sagrado e expressão da Arte Divina na Idade de Ouro do Egito, traz simbologia riquíssima e narra os Mitos Ancestrais da Criação, da Existência Humana, da Morte e da Ressurreição, passando pelas Leis Divinas e pelas Provas e Vitórias que cabem a cada um.

Uma lâmina de Tarô Egípcio nos brinda basicamente com três grandes Cátedras para a consciência:

  1. A) As três regiões do Baixo, Médio e Alto Egito (as partes baixa, média e alta do Arcano), representando nossa vida inconsciente, nossa vida em vigília e nossa vida espiritual. As proporções (tamanhos) de cada uma dessas regiões e como são suas fronteiras já trazem muitas lições e indicativos para equilibramos nossa existência.
  2. B) A ação empreendida pela figura central do Arcano, ou seja, quem é o personagem (um Deus, um ser humano, um ser mitológico) e o que ele está fazendo. Está solitário ? É mulher ou homem ? Colabora com alguém ? Luta contra outrem ? Sereno ? Armado ? Triste ? Indeciso ?
  3. C) Os objetos, símbolos, letras e personagens que povoam as regiões do Baixo, Médio e Alto Egito, indicando como agem as forças dentro de cada uma dessas esferas de nosso Ser.

Por isso, para uma leitura intuitiva e baseada no conhecimento profundo dos Arcanos egípcios, há que se observar as cores dessas regiões, os matizes e tons dos personagens, as tonalidades de objetos e símbolos.

Uma cor é a expressão visível da energia da onda eletromagnética que a compõe. As cores são campos energéticos, morfo-genéticos (pois geram novas formações), quânticos (pois fazem vibrar subpartículas atômicas). Cor é a expressão única de uma parte específica do espectro da Luz, literalmente “um raio de luz especial”, ou seja, ela é o desdobramento exato da Luz Divina ao difratar-se numa determinada faixa de vibração, cintilando no plano humano. Cores diferentes têm comprimentos de onda e frequências distintos, provocando por isso variadas reações fisiológicas, psicológicas e espirituais na pessoa iluminada pela cor.

Aqui cabe um sereno desabafo: o desconforto e até lamento que sentimos ao vermos tarôs, mesmo os ditos “egípcios” nas versões modernas adulteradas, com as cores completamente descaracterizadas… Parece que falta alguma coisa, dá a impressão que algo foi desfigurado, há uma sensação de perda, de empobrecimento… Imagine o leitor se a Mona Lisa de Da Vinci estivesse sorrindo desdentada; ou se a torre Eiffel fosse substituída por um grotesco prédio de concreto… ou ainda se uma Ária de Bach fosse tocada em ritmo funk… Aberrações !

As cores eram utilizadas no Antigo Egito com objetivos precisos em todas as expressões culturais e artísticas: nas roupas, nas joias, nas decorações de templos e palácios, nas bandeiras, nos escudos e armas de guerra, nos livros e nos rituais sagrados.

Mas vamos então à descrição das principais cores utilizadas na arte sagrada egípcia e no seu maior esplendor de sabedoria – as lâminas que constituem os Arcanos do Tarô Egípcio.

Vermelho ou Desher: denota vida, sexualidade e força, mas ao mesmo tempo perigo e solidão. Por estar associado às areias do deserto, o vermelho indica poder e necessidade de cuidado. Associado a Seth (irmão gêmeo e maligno traidor de Osíris), o vermelho está relacionado ao ego e aos desejos mundanos. Um objeto vermelho denota ser quente, ativo e poderoso, mas também perigoso. Era obtido a partir dos ocres das montanhas. Na ourivesaria egípcia Desher era emanado pelo cristal de Jaspe. Como exemplo, veja o vermelho-queimado da lâmina 15 do Tarô Egípcio.

Laranja é a cor do Sol poente, de Tum, da ida da Luz para seu cíclico descanso, do merecido recolhimento após intenso trabalho do Sol durante o dia. Denota a alegria e as areias do deserto nas horas menos quentes, com o astro-rei deitando-se no poente. Em um tom mais próximo do marrom escurecido, o laranja simboliza o baixo Egito, o delta do Nilo inundado com o fértil lodo trazido das montanhas altas. A cada cheia havia grande alegria entre os egípcios. Este lodo ia de tons alaranjados, passando pelo marrom até o negro (Kem, em egípcio antigo). A gema Cornalina denotava os poderes de Tum para os sábios egípcios. Para ilustrar, veja o laranja vivo na veste de leopardo no arcano 21 do Sagrado Livro de Thot.

Amarelo ou Keni é a cor da inteligência e do ouro, de Rá (o Sol em seu esplendor, principalmente ao meio-dia). Amarelo era a cor atribuída a Thot, deus da Sabedoria e do Conhecimento. Na alquimia (Al-Kem-Ia), ciência originada no Egito – chamado de País Ensolarado de Kem (lodo negro do Nilo) pelos antigos sábios, o objetivo principal é transformar os metais baratos e corruptíveis em ouro, metal reluzente, puro, eterno e incorruptível. Os egípcios ensinavam que Ouro é o Sol cristalizado, é a Carne de Rá dada à humanidade. Por isso o amarelo evoca o arquétipo da Auto-Transformação (transmutação) por meio da sabedoria. Pelo mesmo motivo máscaras, objetos e joias de nobres eram feitas em ouro. Para obterem o pigmento amarelo os egípcios utilizavam óxido de ferro hidratado (limonite). Para inspirar-se, observe o amarelo áureo na veste da divindade feminina da estela 19 dos Arcanos Egípcios.

Verde ou Wadj é a cor da saúde, da fertilidade e do crescimento, inspirada nos esmeraldinos vales do Delta do Nilo, vicejando após a dádiva das águas férteis das cheias de junho a setembro. Imagine-se num deserto, seco e escaldante, onde não há plantas… Por isso o verde, as plantas brotando, era sinal de riqueza, de equilíbrio e de sucesso. É a cor do novo começo, da renovação e da ressurreição. Eis o motivo porque Osíris, o Pai na Trindade Egípcia, é muito representado em verde e era costume se pintar os mortos nesta cor. No espectro luminoso o verde ocupa a posição central, entre o vermelho (força) e o azul (amor), denotando equilíbrio, harmonia e condições de crescimento. O Verde Claro (como a clorofila) representam jovialidade e energia; o verde escuro (esmeralda) representa maturidade e experiência. Os pigmentos verdes eram obtidos a partir de Malaquita do Sinai.  Para fixar esses conceitos, contemple o verde vivo das vestes na lâmina 11 do Livro de Sabedoria de Kem.

Azul ou Khesebedj é a cor do amor, da maternidade, da sabedoria e do céu, por isso está associada a Nut, a Mãe Espaço. Os antigos egípcios viam uma divindade masculina para a Terra (Keb) e outra feminina para o céu (Nut), que se amam para criar deuses, homens e toda a natureza.  “Azul é o bondoso véu de Nut nas noites estreladas, sob os quais nos abrigamos para o Sacerdócio do Amor” escreveu um poeta-sacerdote de Saís há 4 mil anos. Azul simboliza emoção, carinho, poder vital e serenidade. O azul também estava associado ao Rio Nilo, que para os egípcios era o Deus Hapi (Khesebedj Hapi, o Nilo Azul, termo usado até hoje). Para eles o Nilo foi gerado pelas lágrimas da Deusa Ísis ao constatar que seu marido Osíris estava morto, o qual foi depois por ela ressuscitado. Por isso o Azul também é atribuído às águas, à emoção e à Deusa Ísis, à feminilidade em geral. Ouça o que seu coração emite ao contemplar o azul-cobalto no vaso sob a mesa no Arcano 1, no Livro de Toth.

A essas horas o leitor já pode vislumbrar a importância e o poder das cores no Tarô e em nossas vidas…

Cor é Luz e Luz é Vida. A Vida é Divina e Deus se manifesta pela Luz.

Que tal utilizar Cromosofia Egípcia (Sabedoria das Cores) em suas roupas, paisagens de fotos, paredes, carros, objetos e escritos ?

 

Sérgio Linke é engenheiro e estudioso de Tarô há 40 anos.