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21 maio 2018

I Ching: Sabedoria Milenar Chinesa

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I Ching: Sabedoria Milenar Chinesa


Enquanto na civilização ocidental as culturas Maia, Mesopotâmica e Egípcia floresciam, na China o gênio humano dava belíssimos frutos, inspirado no divino e na natureza.

Conceitos de transformação e transmutação, de dualidade complementar Yang e Yin, de permanência na impermanência moldaram o conhecimento chinês desde a remota antiguidade, possibilitando o surgimento do Taoísmo e do Confucionismo, que têm como obra fundamental o I Ching.

Há mais de três mil anos o grande sábio Fu Hsi, nas terras pantanosas do vale do rio Amarelo, lançou as bases da grandiosa civilização chinesa e para orientá-la legou uma obra denominada somente “I”, isto é, “Mudança” ou “Mutação”, criando uma cosmologia e a representação dos fenômenos naturais (interiores e exteriores) por meio de trigramas e hexagramas, cada um com um nome em caracteres chineses arcaicos.

O mestre gnóstico contemporâneo Samael Aun Weor relata em suas obras que Fu Hsi é um verdadeiro cristo chinês, concebido pela imaculada Hoa-Se às margens de um rio. Samael também ensina, em seu livro Logos, Mantras e Teurgia, que a linguagem de ouro, o idioma universal e a gramática cósmica perfeita se encontram nos caracteres chineses.

Por volta de 1150 a.C., o rei Wen e seu filho, o duque de Chou, escreveram textos sobre os hexagramas possibilitando a compreensão e utilização do “I” por um número maior de pessoas. Wen escreveu os Julgamentos e Chou os comentários sobre as linhas.

Confúcio, que viveu de 551 a 479 a.C., acrescentou explicações fundamentais, chamadas de as Dez Asas, para a compreensão desse livro de sabedoria. Confúcio afirmou que quanto mais vivesse mais se dedicaria ao estudo do I Ching, o Livro das Mutações, como passou a ser conhecido.

Além de Livro de Sabedoria, o I Ching também é utilizado como oráculo desde sua criação. Inicialmente eram utilizados carapaças de tartaruga e ossos de boi, aquecidos em fogueiras ritualísticas para indicarem os hexagramas que respondiam à questões importantes para os destinos de uma comunidade.

Posteriormente passaram a ser utilizadas varetas da planta milefólio, por meio de uma técnica de lançamento conhecida como Método das Varetas. Na dinastia Han, de 206 a.C. até 220 d.C., surgiu o Método das Três Moedas, amplamente utilizado hoje em todo o mundo.

Há ainda o Método Flor de Ameixeira, em que são realizados cálculos matemáticos a partir das perguntas para a obtenção do hexagrama que responderá a pergunta.

A primeira tradução do I Ching para uma língua ocidental, o inglês, foi realizada pelo missionário James Legge. Alguns anos depois o alemão Richard Wilhelm, também um missionário que viveu vários anos na China, realizou uma tradução para sua língua mãe, cuja primeira edição saiu em 1923. Para a edição seguinte, em 1949, o médico e psicólogo suiço Carl Gustav Jung escreveu o prefácio, demonstrando seu uso oracular e discorrendo sobre a Lei da Sincronicidade.

O I Ching, como tradutor das energias que envolvem uma situação, pode ser utilizado na forma oracular para nos dar as pistas arquetípicas dos desafios a vencer, das ferramentas à disposição, das forças divinas e humanas envolvidas numa circunstância, permitindo tomar ações mais conscientes, éticas e equilibradas.

Pelo lado espiritual ou iniciático, o I Ching pode traduzir as forças psíquicas e espirituais que moldam nossas atitudes físicas, mostrando-nos um verdadeiro mapa do inconsciente para que ajamos de forma a equilibrar nossa vida horizontal (emprego, família, amigos, estudos) com nosso caminho vertical (as inquietudes espirituais da alma).

 

            George Peel é engenheiro, servidor público e estudioso de tradições gnósticas e chinesas